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Mundo

Jornalista vai a julgamento na China, acusada de violar segredos de Estado

Crítica a governo de Pequim, Gau Yu está presa desde abril, incriminada por suposto vazamento de documentos sigilosos ao exterior. Advogado questiona confissão da cliente, que teria sido feita sob ameaça das autoridades.

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Gao Yu é uma das jornalistas mais respeitadas da China

"Durante a sessão, uma ambulância aguardava na rua. Os médicos estavam preparados para qualquer emergência", conta Mo Shaoping, advogado de Gao Yu, de 70 anos, sobre a audiência preparatória do julgamento de sua cliente, uma das jornalistas mais respeitadas da China. Presa desde abril, ela sofre de problemas cardíacos.

O julgamento, que acontece a portas fechadas, começou nesta sexta-feira (21/11), em Pequim. Gao Yu é acusada de "vazar segredos de Estado para o exterior". Segundo o advogado, o julgamento não é público por envolver informações secretas sobre o governo comunista chinês.

Documentos secretos

Gao Yu trabalha para vários veículos de comunicação e atua como correspondente para a DW. Ela foi presa em 1989 por apoiar os protestos da Praça da Paz Celestial, na capital chinesa. Na década de 1990, passou sete anos na prisão, condenada por trair segredos de Estado.

De acordo com a imprensa estatal chinesa, a jornalista foi presa novamente em abril deste ano por enviar um "documento altamente confidencial" para uma "fonte fora do país".

Para observadores, o papel seria o chamado "Documento nº 9", do Partido Comunista Chinês, o texto apontaria ameaças à hegemonia do partido e exigiria um curso ideológico mais severo no país.

Na segunda-feira, durante a audiência preparatória do julgamento, os advogados de Gao Yu teriam solicitado a revisão das provas do processo. "Nós queremos saber se o documento continha mesmo algum segredo de Estado. Em caso positivo, teria que ser esclarecido o quão confidencial ele é", diz Shaoping.

O defensor acrescenta que, como advogado, ele tem que examinar acuradamente todas as acusações contra sua cliente. "Vou inspecionar com cuidado a validade e relevância das provas apresentadas", afirma.

"Confissão sob pressão"

Gao Yu foi presa no dia 24 de abril. Em um vídeo transmitido pela televisão estatal chinesa no dia 8 de maio, a jornalista mostra "arrependimento" e confessa "seus crimes".

A jornalista contou aos advogados, porém, que foi pressionada pela polícia a fazer a confissão. As autoridades teriam ameaçado o filho dela, que também está preso.

China Prozeß gegen Gao Yu Gerichtsgebäude in Peking

Policiais controlam entrada do tribunal em Pequim onde acontece o julgamento de Gau Yu

Os advogados de Gao Yu argumentaram, durante a audiência preparatória do julgamento, que a prova foi obtida de forma ilegal. Segundo Shaoping, o juiz não aceitou o pedido para que a confissão fosse desconsiderada, embora tenha incluído a solicitação aos autos do processo. A acusação, por sua vez, defendeu que o vídeo da confissão é uma prova lícita.

O diretor geral da Deutsche Welle, Peter Limbourg, descreveu a forma como a jornalista foi exposta na televisão chinesa como um algo "desumano". "Nós temos uma grande preocupação. A maneira como o governo chinês tem lidado com o caso de Gao Yu nos últimos meses é inaceitável", afirma. Entidades de direitos humanos, como a Human Rights Watch, também criticaram o processo judicial.

Na sessão preparatória de segunda-feira, Gao Yu precisou ser medicada. O juiz perguntou à jornalista veterana se o estado de saúde dela permitiria que o processo fosse adiante. Ela disse a Shaoping que vai resistir a tudo isso. "Em todo caso, uma ambulância também estará a postos na sexta-feira", assegurou o advogado.

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