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Mídia e censura

Jornalista do Irã transmite notícias sobre seu país a partir de emissora em Israel

Nascido no Irã, Menashe Amir emigrou a Israel para informar a população no Irã. Sua motivação é a convicção de que Irã e Israel possuem mais laços que os unem do que razões para hostilidades.

Um bom jornalista confere sempre mais de uma vez os fatos na sua matéria, melhor checar demais do que de menos. A exigência é ainda maior quando esse jornalista é judeu e seu programa de rádio é ouvido pelo aiatolá no Irã. Apesar disso, o jornalista Menashe Amir, nascido no Irã, não tem problemas.

Afinal, ele é um profissional e há 53 anos transmite notícias para o Irã de uma emissora de rádio a partir de Israel, com notícias no idioma farsi. Ele não revela suas fontes e nem como consegue chegar até elas. Mas, considerando a frequência que suas notícias são citadas nos meios de comunicação iranianos e de outros países, elas têm boa receptividade, diz Amir. "Eu acredito que transmitimos em persa as notícias mais extensas e detalhadas sobre o que realmente acontece no Irã", afirma.

"Certa vez uma jornalista norte-americana do San Francisco Chronicle foi participar de uma conferência internacional para mulheres no Irã. Ela fez uma entrevista com a esposa do aiatolá Ali Khamenei, que contou que seu marido ouvia todo dia as notícias de uma rádio de Israel", revela Amir.

O jornalista possui uma relação especial com o Irã. Ele cresceu como criança judia em um bairro muçulmano em Teerã, antes da riqueza do petróleo e o boom da construção civil chegarem ao país, antes também da revolução de 1979.

O Irã era um país bem diferente de hoje, lembra-se Amir. Seu pai era oficial do exército iraniano e sua mãe seguia a lei judaica. Amir tinha aulas em hebraico, mas não recebeu uma educação especialmente religiosa. Ele foi poupado de surras que castigavam outras crianças judias que viviam em meios antissemitas.

Atraído pela liberdade

Uma viagem para Israel em 1960 abriu os olhos do jornalista que então tinha 20 anos. Em vez de encontrar uma ditadura subdesenvolvida com um "povo cansado", como no Irã, Amir se deparou com uma democracia em ascensão, cheia de esperança na liberdade.

Amir ficou admirado principalmente com a liberdade de imprensa, que noticiava sem medo e restrições. "Eu achei os meios de comunicação em Israel magníficos, pois eu podia ler sobre diversos temas sobre os quais nunca eram noticiados no Irã", diz o jornalista.

"O que os jornalistas israelenses escreviam sobre o mundo era apartidário, muito profissional e me fascinava", conta Amir. A emissora nacional de Israel, Kol Israel, contratou o jovem jornalista por seus conhecimentos em persa e francês, além da experiência com jornalismo impresso e de sua voz aveludada. E Amir ficou.

Iran Ayatollah Ali Khamenei

Segundo esposa do aiatolá, Khamenei acompanha o noticiário de Menashe Amir

Ligações dos ouvintes passam pela Alemanha

O escritório de Amir está cheio de livros, papéis e móveis antigos. Atrás de sua mesa, fotos mostram o caminho de um jovem imigrante até se tornar avô, sempre com um microfone por perto.

Sua motivação é a convicção de que Irã e Israel possuem mais laços que os unem do que razões para hostilidades. E ele não está sozinho, muitos iranianos pensam assim, declara Amir. Durante o seu programa, muitos dão o seu depoimento ao vivo. Isso é possível, pois as ligações são desviadas através da Alemanha.

"Nós somos respeitados no Irã, pois mostramos que defendemos a coexistência e a cooperação entre nossos povos", afirma. Algumas vezes, alguém liga para gritar "morte a Israel" durante o programa ao vivo. Amir acredita que essas ligações partam do governo iraniano.

"Nós deixamos eles falarem o que quiserem, depois eu pergunto: 'E agora, o que trouxe para você desejar a morte de um outro país? O que você ganhou com isso? Seus problemas foram resolvidos? Melhorou a economia iraniana?'", conta Amir.

Tudo de bom de Bush

Para Amir, seu trabalho significa muito mais do que ler notícias. Ele conta que certa vez durante um programa não pode controlar as lágrimas ao ler a carta de uma jovem iraniana que perdeu o noivo na guerra Irã-Iraque, na década de 1980. Ele precisou interromper o programa. "Eu perdi o controle", conta.

Na mesma guerra, a redação persa da Kol Israel ouvia a emissora de rádio de Bagdá. Os funcionários traduziam os comunicados árabes e anunciavam aos ouvintes onde ataques com mísseis estavam planejados, na esperança de salvar vidas.

"Todas as noites, a população do Irã ouvia nosso noticiário, para saber quais cidades talvez seriam atacadas e se poderiam dormir nas suas camas ou seria melhor procurar outro local", explica o jornalista.

Anos depois, durante uma recepção em Los Angeles, ele transmitiu um recado de seus ouvintes iranianos ao presidente norte-americano na época, George W. Bush, depois de os Estados Unidos invadirem o Iraque.

"Nós esperamos que os norte-americanos nos libertem desse regime repressor", escreveu o ouvinte." Bush riu e disse, "pois é, veja bem, nós ainda estamos no Iraque. Deixe-nos resolver primeiro esse problema", conta Amir.

George W. Bush ehemaliger Präsident USA

Amir entregou a Bush mensagem de iranianos

Hoje, uma foto de Amir com Bush dependurada no escritório do jornalista lembra o encontro. "Para Menashe, tudo de bom, George Bush", assinou o ex-presidente.

Uma vida para o rádio

O programa de Amir não tem tabus. Atualmente, os ouvintes iranianos falam sobre as consequências das sanções no país, sobre o programa nuclear iraniano e as possibilidades de um ataque israelense. O jornalista admite com franqueza que os ouvintes correm riscos ao ligar para a rádio, chamada pelo governo iraniano de "emissora da formação sionista."

Mesmo assim, as pessoas continuam ouvindo seu programa. E, enquanto isso acontecer, Amir não pretende se aposentar. "Minha vida se completa quando eu chego ao trabalho. Estar aqui, conversar com os ouvintes e noticiar sobre os acontecimentos atuais me dá energia", conta.

"Eu sou muito feliz por ter alçando esse ponto. O que eu digo, o que eu transmito e minhas análises sobre o Irã e acontecimentos locais são levadas a sério e estimadas. Essa é uma sensação muito boa", conclui o jornalista.

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