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Brasil

Jornais alemães criticam visita de Obama ao Brasil

Para imprensa alemã, em meio a desastre nuclear no Japão e revoltas no Oriente Médio e norte da África, Barack Obama teria mais o que fazer, do que visitar América Latina.

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Brasil foi primeira etapa da viagem à América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, embarcou para o Chile nesta segunda-feira (21/03), na segunda etapa de seu giro pela América Latina, destinado a reforçar laços econômicos e investimentos na região.

No domingo, ponto alto de sua visita ao Brasil, Obama discursou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O discurso foi feito após a França, os Estados Unidos e o Reino Unido lançarem mísseis sobre a força aérea líbia para impedir que as tropas de Muammar Kadafi massacrassem opositores que lutam há um mês contra seu regime. Obama não mencionou os ataques.

Em sua primeira viagem à América Latina como presidente, fez questão de sinalizar o Brasil – país que, nas palavras de Obama "mostra que uma ditadura pode se transformar em uma próspera democracia" – como um exemplo do que os líderes no Oriente Médio poderiam alcançar.

"Estamos vendo a luta por esses direitos se desdobrar por todo o Oriente Médio e norte da África. Nós vimos as pessoas na Líbia assumirem uma postura corajosa contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos. Em toda a região temos visto jovens se levantarem: uma nova geração exigindo o direito de determinar seu próprio futuro", disse Obama.

Imprensa alemã critica visita

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Obama visitou Rio de Janeiro com esposa Michelle, duas filhas e a sogra

Para a imprensa alemã, a viagem de Obama à America Latina em um momento tão delicado é, no mínimo, questionável. Segundo reportagem do jornal alemão Der Tagesspiegel, o momento não poderia ser mais desfavorável. "Desastre nuclear no Japão e revoltas no norte da África – há quem diga que o presidente dos Estados Unidos teria mais o que fazer do que visitar a América Latina", publicou o diário no sábado.

"Quem se interessa pela visita de Obama ao Brasil quando mísseis dos Estados Unidos são lançados sobre a Líbia?", questionou nesta segunda-feira (21/03) o jornal Frankfurter Rundschau. O artigo observa que "não apenas a imprensa norte-americana se pergunta se neste momento Copacabana seria o lugar certo para Obama estar – junto com a esposa Michelle, as duas filhas e até a sogra".

O portal Spiegel Online indaga se Obama poderia começar uma guerra e depois simplesmente "fazer de conta que está tudo bem", e destaca que enquanto mísseis eram lançados sobre a Líbia, Obama "fazia um tour pelo Brasil" e não falou quase nada sobre a guerra. Em artigo publicado nesta segunda-feira, o Spiegel Online diz que os opositores de Obama nos Estados Unidos difamam sua visita ao Brasil como "viagem tropical".

Reação nos EUA foi mais positiva

Präsident Barack Obama Besuch in Brasilien Präsidentin Dilma Vana Rousseff

Obama e Dilma assinaram acordos para redução de barreiras comerciais

De acordo com artigo publicado no jornal The New York Times, a viagem de Obama à América Latina foi "ofuscada desde o início" pela campanha militar multilateral na Líbia, para defender os insurgentes dos ataques do ditador Muammar Kadafi. A administração de Obama já falava há muito tempo sobre os benefícios econômicos para os EUA, especialmente com a visita ao Brasil, e que, portanto, as autoridades da Casa Branca estariam confiantes de que a ausência de Obama em Washington seria "facilmente justificável de maneira que a maioria dos norte-americanos poderia apoiar", explicou o NYT.

O diário Washington Post disse que Obama "procurou ligar os eventos no Oriente Médio e norte da África com o Brasil", ao exaltar as virtudes da democracia brasileira. Segundo artigo publicado no domingo, as autoridades da Casa Banca fizeram um grande esforço para mostrar que o presidente continuava envolvido com a crise da Líbia.

O Wall Street Journal publicou um editorial sobre o assunto, considerando a visita de Obama ao Brasil "importante". Segundo o artigo de opinião, as visitas ao Chile e a El Salvador poderiam ter sido adiadas, mas haveria boas razões para Obama ter ido ao Brasil, entre elas, os interesses geopolíticos compartilhados pelos Estados Unidos com a maior democracia da América Latina.

Interesse no petróleo brasileiro

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EUA têm interesse em comprar petróleo brasileiro

Washington vê a visita como uma oportunidade para reafirmar a influência norte-americana região totalmente negligenciada pelo predecessor de Obama, George W. Bush. A presidente Dilma Rousseff e Obama assinaram uma série de acordos, que incluem a redução de barreiras comerciais e a ampliação da produção de petróleo e gás brasileiros no Golfo do México.

O petróleo encontrado recentemente na costa brasileira pode equivaler a duas vezes as reservas norte-americanas. "Queremos ajudar o Brasil com tecnologia e apoiar o desenvolvimento dessas reservas de petróleo de forma segura, e quando vocês estiverem prontos para começar a vendê-lo, seremos um dos seus melhores fregueses" disse Obama.

Autora: Francis França
Revisão: Augusto Valente

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