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Brasil

Joinville ganha biblioteca pública só com livros em alemão

Espaço reúne 5 mil títulos, que foram reunidos entre a comunidade da cidade catarinense. Segundo diretor, iniciativa é parte de esforço para fomentar interesse pelo idioma na região.

Maior cidade de Santa de Catarina, Joinville passou a contar desde o início de março com uma biblioteca municipal com um acervo exclusivamente em língua alemã. São cerca de cinco mil títulos que foram reunidos entre a comunidade da cidade, fundada em1851 por uma companhia colonizadora de Hamburgo.

A biblioteca funciona em um espaço da Casa da Memória, ao lado do antigo cemitério protestante. Segundo o diretor-executivo da Fundação Cultural de Joinville, Guilherme Gassenferth, o acervo é resultado de anos de coleta entre várias famílias.

A maior parte das obras são romances e livros de poesia. Estão disponíveis desde títulos obrigatórios de autores do cânone alemão, como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe, até autores que fizeram sucesso na década de 60 e 70, como o austríaco Johannes Mario Simmel. "Não se trata de uma biblioteca alemã, mas de um acervo em língua alemã. Também estão disponíveis exemplares traduzidos de alguns autores estrangeiros, incluindo brasileiros", afirma Gassenferth.

Outras bibliotecas da região oferecem livros em alemão, mas, segundo o diretor, a maioria tem um acervo reduzido ou está ligada a clubes ou escolas particulares. "Não tenho levantamentos precisos, mas acredito que esta seja a primeira biblioteca pública da região exclusivamente dedicada à língua alemã com um acervo tão grande", afirma.

O ex-bancário e ex-professor Raulino Rosskamp, de 76 anos e descente da primeira leva de imigrantes que colonizou a região, foi responsável, junto com membros da Sociedade Cultural Alemã de Joinville (SCAJ), pela coleta de dois mil exemplares, que foram doados para a biblioteca. "Começamos a juntar tudo há uns cinco anos. Uma família aparecia e dizia que não tinha mais espaço para os livros, que precisava se mudar e esse tipo de coisa. Fomos guardando tudo", afirma Rosskamp, que diz ainda preferir livros técnicos do que romances.

Resgate

De acordo com Gassenferth, a iniciativa de abrir a biblioteca está inserida em uma espécie de "revival" da língua alemã na região.

"A cultura alemã em Joinville sofreu um golpe forte durante a campanha de nacionalização dos anos 1930 e com a Segunda Guerra Mundial, quando a língua foi banida de maneira forçada. Nos anos 60 e 70, as novas gerações já não falavam mais alemão. Depois, os antigos falantes começaram a morrer. Mas, nos anos 2000, começou a ocorrer um novo interesse pela língua e cultura, seja por causa da internet e facilidade de viajar, seja pela chegada de novas indústrias alemãs na cidade. Hoje temos cinco escolas municipais que ensinam alemão e uma escola bilíngue na cidade. A biblioteca faz parte desse esforço", afirma Gassenferth.

Apesar da inauguração ter ocorrido há poucos dias, a fundação já busca expandir o acervo pra incluir livros técnicos e de ciências humanas. Segundo Gassenferth, uma doação de exemplares de títulos mais contemporâneos, por parte do Instituto Goethe de Curitiba, já está sendo negociada, mas a fundação também está buscando outras parcerias.

"Entre 30 e 40% dos exemplares estão no alfabeto gótico, o que pode causar algumas dificuldades para os leitores mais modernos. Queremos uma biblioteca viva, onde a comunidade possa retirar todo tipo de título, inclusive os mais recentes", afirmou.

Além da biblioteca, o espaço da Casa da Memória também abriga o grupo de conversação em língua alemã da SCAJ. O grupo se reúne todas as segundas-feiras, no início da noite. "A biblioteca e o grupo de conversação têm como objetivo não deixar a cultura alemã morrer na região. A maior parte do grupo é formada por pessoas com mais de 50 anos, mas já estão aparecendo jovens de 17 e 18 anos que querem melhorar sua fluência no alemão", afirma Rosskamp.

O aposentado afirma que as conversas do grupo abordam temas pré-determinados, para que os participantes possam estudar o assunto. "Falamos sobre história, saúde e outros temas. Mas ultimamente decidimos deixar a política partidária de lado para evitar choques de opinião", diz Rosskamp.

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