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Esporte

Jogos de Sochi sob pressão após ex-jogador alemão revelar que é gay

A poucas semanas dos Jogos Olímpicos de Inverno, debate sobre a lei que proíbe manifestações homossexuais na Rússia ganha novo impulso depois que ex-jogador de futebol Thomas Hitzlsperger assumiu sua homossexualidade.

O jogador alemão de futebol Thomas Hitzlsperger escolheu um momento propício para revelar ao mundo sua homossexualidade: após o encerramento de sua carreira e antes do início dos Jogos de Inverno em Sochi, na Rússia. Respeitado dentro e fora dos campos, o ex-titular da seleção da Alemanha acendeu os holofotes sobre o país que sediará os jogos, onde a chamada "propaganda homossexual" é passível de punição.

Hitzlsperger, que já jogou pelo time inglês Aston Villa e pelo alemão VFB Stuttgart, não é o único a falar abertamente da vida pessoal como forma de confrontar a intolerância na Rússia. No fim do mês passado, o americano Brian Boitano, ex-estrela da patinação artística no gelo, também tornou pública sua homossexualidade.

Vencedor da medalha de ouro dos Jogos de Inverno de 1988 em Calgary, no Canadá, Boitano faz parte da delegação dos EUA que vai para Sochi juntamente com duas ex-atletas lésbicas bastante conhecidas: a lenda do tênis Billy Jean King e a ex-jogadora de hóquei no gelo e atleta olímpica Caitlin Cahow. Todos os três foram convocados pelo presidente Barack Obama como delegados oficiais em protesto às leis anti-homossexualismo na Rússia.

Atletas de ponta e esportistas olímpicos ainda na ativa que se revelam gays ou lésbicas, porém, ainda são exceção no mundo dos esportes de inverno. Poucos assumem publicamente a homossexualidade, como também fizeram o neo-zelandês Blake Skjellerup, patinador de velocidade em pista curta, e a norueguesa Vibeke Skofterud, esquiadora de cross-country.

Bildergalerie Homosexuelle Sportler

Americano Brian Boitano, da patinação artística, assumiu-se gay pouco antes de Hitzlsperger

Tema fora dos treinos

Fato é que a revelação de Hitzlsperger levou preocupação à concentração dos atletas olímpicos alemães. Mas os esportistas estão tão focados na competição e no preparo físico que ninguém, a esta altura, a apenas poucos dias do início das Olimpíadas, pretende "discutir seriamente o assunto", disse um treinador, que prefere não ser identificado.

A discussão, na verdade, não é nova. Desde que o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que todos os participantes dos Jogos Olímpicos de Inverno terão que se submeter às leis anti-homossexualismo no país, técnicos, atletas e integrantes das equipes vêm recebendo uma avalanche de perguntas de jornalistas.

"Só começarmos a discutir esse assunto a partir de agora, mas nós, da equipe olímpica, não pensamos se um atleta pode ser homossexual ou não. E se for, não faz a menor diferença", afirmou Margit Dengler-Paar, porta-voz da delegação das equipes de descida em trenó (bobsleigh e luge).

Manifestação de jogadores

Representantes das federações estão contando que alguns atletas devem se manifestar sobre o assunto a partir do dia 7 de fevereiro, quando os jogos em Sochi começam. "Isso também será absolutamente permitido", confirma o porta-voz da Federação Olímpica Alemã (Dosb, na sigla original), Christian Klaue.

Vibeke Skofterud

Norueguesa Vibeke Skofterud, esquiadora de cross-country, também já se declarou homossexual

A simples realização de protestos políticos contraria a Carta do Comitê Olímpico Internacional (COI). Mas Klaue ressalta à Deutsche Welle que há anos a Dosb vem se colocando contrária à discriminação no esporte. A prática esportiva contribui para o desenvolvimento pessoal individual, diz ele. E, caso um atleta de ponta queira se manifestar sobre sua possível orientação sexual, não cabe à federação olímpica vetá-lo. "Se algum esportista precisar de apoio neste caso, vamos ajudar", ressalta o porta-voz.

Klaue ressalta, porém, que a federação estará atenta para que nenhum atleta seja forçado a se manifestar. "Caso a mídia queira insistir neste tópico em Sochi, a federação vai apelar à sensibilidade dos jornalistas e pedir que não façam isso". Ele reafirma que todos os atletas são bem-vindos aos Jogos de Inverno, independentemente de orientação sexual, assim como sempre foram em todas as competições.

Em junho no ano passado entrou em vigor na Rússia uma lei que pune a "divulgação de informações sobre homossexualidade a menores de idade" – uma lei apontada como ambígua por defensores dos direitos humanos. "Com certeza vamos acompanhar este tema durante os jogos olímpicos", garante Klaue. Ele acredita que quando as competições tiverem início, assim como as entregas das primeiras medalhas, a mídia mudará o atual foco.

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