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Mundo

"João Paulo II deixa herança pesada"

Despedida de João Paulo II une católicos, mas também gera críticas ao papa e ao Vaticano. Teólogo alemão compara velório em Roma ao funeral do aiatolá Khomeini. Alemães esperam mais flexibilidade do novo papa.

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Para mídia, Vaticano virou "centro do mundo" nos últimos dias

Antes mesmo de João Paulo II ser enterrado, nesta sexta-feira (08/04), tornam-se cada vez mais abertas as críticas ao estilo como ele conduziu a Igreja Católica, nos últimos 26 anos. Também o Vaticano sofre ataques, inclusive por integrantes da Igreja Católica.

Em artigo publicado pelo jornal Netzeitung, o teólogo suíço Hans Küng, radicado na Alemanha, afirma que "João Paulo II deixa uma herança pesada para a Igreja Católica. Sua piedade pessoal e seu engajamento são indiscutíveis, mas a Igreja vive uma crise de esperança e confiança. A política interna do papa polonês foi desastrosa", escreveu. Küng, que fundou um instituto especializado em ética mundial em Tübingen, foi proibido de lecionar Teologia, em 1979, por suas críticas ao papa como instituição.

" Funeral de aiatolá "

Eugen Drewermann

Teólogo Eugen Drewermann compara enterro de João Paulo II ao funeral do aiatolá Khomeini.

O teólogo Eugen Drewermann criticou os balanços que tem sido feitos do pontificado de Karol Wojtyla. "João Paulo II avaliou os problemas mundiais de um ponto de vista muito estreito. Os políticos exageram ao elogiar o papa como um visionário, que teria contribuído para a queda do comunismo no Leste Europeu, o que é historicamente errado", disse à emissora n-tv.

Drewermann, um ex-padre que também foi proibido de lecionar Teologia por criticar o poder da Igreja, ressaltou que o papa rejeitou o comunismo "devido ao ateísmo e não por causa da ideologia desse sistema". Ele atacou também as cerimônias de luto no Vaticano. "O que acontece nesses dias, lembra os funerais do aiatolá Khomeini. O papa despediu-se do trono com a mesma pretensão de infalibilidade que teve o líder islâmico. A Igreja Católica, porém, precisa urgentemente da liberdade de admitir opiniões diferentes, o que não foi possível sob João Paulo II", disse.

Críticas ao Vaticano

Bush und Clinton im Petersdom Papst

Bush e Clinton no velório do papa na basílica de São Pedro

O luto pelo papa, aparentemente, uniu os católicos (e até políticos não acostumados a rezar), não só na Itália, invadida por milhões fiéis de todo o mundo nos últimos dias - e por chefes de Estado e de governo nas últimas horas. Ainda que o noticiário sobre o velório do papa seja dominado por cenas de comoção e piedade, também não faltam críticas dos italianos. Mas a multidão e o Vaticano preferem não ouví-las.

"O papel do papa é visto majoritariamente de forma negativa pelo meu partido, principalmente por sua postura conservadora em relação à moral sexual", diz Giuseppe Santarelli, ativista do partido Refundação Comunista (ex-PCI). Apesar disso, acrescenta, "respeito seu papel como pacifista e de luta contra os excessos do capitalismo.

"Os homossexuais foram excluídos da sociedade italiana, devido à linha tradicionalista de João Paulo II", afirma Sergio Li Giudice, presidente da Associação de Homossexuais Arcigay. João Paulo II sempre definiu a homossexualidade como pecado mortal. Segundo Giudice, os meios de comunicação não se interessem por opiniões divergentes do papa nesses dias.

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