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Mundo

Jerusalém, o epicentro da atual onda de violência

Esfaqueamentos viraram acontecimento quase diário em outubro e levaram forças israelenses a sitiar parte leste da cidade. Imprevisibilidade dos ataques gera clima de medo - e temor de uma nova Intifada.

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Polícia detém jovem palestino em Jerusalém: sentimento de abandono estaria por trás de ataques

O barulho é claramente percebido: não muito longe do Muro das Lamentações e da elevação onde se situa a mesquita Al-Aqsa, escutam-se duas rápidas salvas de tiros em direções opostas. Pouco depois, soldados israelenses correm pela Via Dolorosa na direção do Portão de Damasco, a entrada da Cidade Velha de Jerusalém, que logo é bloqueada.

Poucos minutos depois, as primeiras imagens já aparecem no Facebook: elas mostram um jovem deitado na frente do Portão de Damasco. Não se sabe, porém, se ele está vivo ou morto.

Gradualmente, surgem mais informações. Um jovem palestino de 17 anos foi baleado. Um vídeo no Facebook o mostra ferido no solo, movimentando a mão. Mais tarde, o Exército israelense reporta o incidente, afirmando que ele teria tentado um ataque a faca. Não houve feridos – o agressor foi morto a tiros.

Entre o medo e a raiva

Desde o início de outubro, ataques como este da última quarta-feira (14/10) acontecem quase diariamente em Jerusalém. Jovens palestinos esfaqueiam judeus, soldados israelenses atiram nesses jovens. De um lado, 30 palestinos mortos por Israel, do outro, sete israelenses mortos por palestinos.

Muitas pessoas estão com medo – e com raiva. Para os palestinos, os assassinatos por parte das forças de segurança são ilegais. Muitos afirmam que os supostos agressores não possuíam faca, o que seria comprovado por vídeos nas mídias sociais. Tais imagens se espalham rapidamente. A postagem que mostrava o palestino ferido em frente ao Portão de Damasco foi clicada 300 mil vezes em menos de uma hora.

Muitos chamam os palestinos assassinados de "mártires" e glorificam a sua morte. O mesmo é tentado pelas facções Hamas ou Fatah, partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Mas ainda não se sabe se isso tem uma influência significativa sobre a juventude.

Pelo lado israelense, teme-se cada vez mais que os atentados sirvam de exemplo para que outros aconteçam. Pois eles não estão diminuindo. Só na última terça-feira (13/10), em dois ataques, um agressor palestino e três israelenses foram mortos em Jerusalém, mais de 20 outras pessoas ficaram feridas.

"Os jovens aqui estão explodindo"

Para tomar controle da situação, o governo israelense reforçou significantemente a presença militar e policial em Jerusalém Oriental e implementou punições e medidas radicais de dissuasão.

Mas os incidentes são imprevisíveis e acontecem sem um padrão definido. Não há nenhuma certeza quanto à eficácia das medidas tomadas pelas forças de segurança para conter a violência. Pois é justamente o sentimento de desamparo que provoca raiva e frustração na juventude em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, afirma o político palestino e ativista de direitos civis Mustafá Barghouti.

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Aglomeração no local onde jovem palestino foi morto pela polícia na Cidade Velha de Jerusalém

"Os jovens aqui estão explodindo", afirma Barghouti. Para muitos, se a situação continuar escalando, pode levar a uma terceira Intifada (revolta popular palestina).

Segundo ele, a culpa dessa situação está na ocupação dos territórios palestinos por parte dos israelenses. São precisamente os jovens palestinos que sofrem com a má situação econômica e com o alto desemprego. E, diante da violência, muitos já pararam de acreditar na segurança. De acordo com o ativista, trata-se de uma geração que acha que não tem mais nada a perder: "Eles se sentem perseguidos e pensam que vão morrer de qualquer forma. Por isso querem resistir."

Se foi essa a motivação que levou à morte do palestino no Portão de Damasco, é especulação. Nos degraus atrás do local, outros jovens, amigos e parentes se reúnem onde ele foi morto. Enquanto rezam, podem-se ver seus rostos marcados pelo ódio. Perto dali, soldados israelenses observam a cena, como também os transeuntes na parte superior da escada, enquanto o Portão permanece cercado por forças de segurança.

Barak, um dos passantes, observa os homens orando. "Há muitos linhas-duras em ambos os lados, que sempre reacendem as chamas."

Cerca de uma hora depois, o Exército israelense já anuncia outro incidente. Um agressor teria atacado um civil israelense numa estação ferroviária. Segundo as autoridades de segurança, o israelense sofreu ferimentos graves, enquanto o agressor foi morto.

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