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Mundo

Japão considera retorno à energia nuclear após Fukushima

Novo premiê Shinzo Abe é defensor declarado da opção atômica. Mas acidente em usina deixou marcas profundas. Desconfiança da opinião pública e normas de segurança mais rigorosas são obstáculos a reativação dos reatores.

O cisma entre os adeptos e adversários da energia nuclear do Japão se aprofundou desde a eleição do parlamento, em meados de dezembro. "Não à ligação dos reatores", "Contra a energia nuclear", entoavam cerca de mil manifestantes na última sexta-feira do ano, diante do gabinete do novo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em Tóquio.

Esta foi a 37ª passeata de sexta-feira desde o início das manifestações, no primeiro trimestre, segundo os militantes da Metropolitan Coalition against Nukes ("coalizão metropolitana contra energia nuclear"). Porém, as perspectivas de sucesso dos protestos diminuíram sensivelmente, pois Abe é um defensor declarado da energia nuclear.

Cautela em Fukushima

Após tomar posse, o chefe de governo chegou a anunciar a construção de novos reatores. Seu Partido Liberal Democrático (LDP) é a principal facção pró-nuclear do Japão. Há décadas, o partido pertence ao inabalável triângulo de burocracia, indústria e ciência que não permitia a menor dúvida quanto à segurança das usinas atômicas.

Japan Shinzo Abe besucht Fukushima

Premiê Shinzo Abe visita Fukushima

No entanto, em sua primeira visita aos reatores destruídos de Fukushima, Shinzo Abe guardou para si sua opinião sobre o assunto, preferindo louvar a dedicação dos trabalhadores: "Sua coragem é a esperança e o futuro do Japão", disse.

Mas o desafio ainda não se encerrou: pela primeira vez em sua história, a humanidade se encontra diante de trabalhos de remoção de escombros de tamanha proporção. Sua vitória levará à "reconstrução de Fukushima e do Japão", assegurou o chefe de governo. E apenas acrescentou que será preciso "mais do que desejos" para realizar o abandono da energia nuclear no país.

Já o ministro de Indústria e Economia, Toshimitsu Motegi, foi bem mais explícito. "Ainda não nos decidimos quanto à política visando um abandono da energia termonuclear até a década de 2030." Desse modo, ele se distanciou da política do governo anterior.

Entretanto, Motegi quer deixar a ação nas mãos do novo departamento de supervisão nuclear, que desde o terceiro semestre de 2012 não mais está subordinado a seu ministério. O ministro reivindica que os 48 reatores desligados sejam reconectados à rede de energia, caso o Departamento de Regulação Nuclear do país (NRA, na sigla em inglês) confirme que são seguros.

Symbolbild Japan Atomkraft Atombehörde

NRA, agência reguladora nuclear do Japão, tem tarefa delicada diante de si

Pouca diferença

Apesar de tudo, o lobby da energia nuclear deixou de existir em sua antiga forma. Antes, todos os envolvidos faziam acordos por debaixo dos panos e se apresentavam sempre perfeitamente coesos. Hoje, isso não ocorre mais.

O novo presidente da NRA, Shunichi Tanaka, contradisse Motegi ainda no mesmo dia, alegando que, devido à demanda de tempo, é impossível constatar a segurança de todos os reatores num prazo de três anos. E Tanaka não julgou necessário nem mesmo comunicar pessoalmente sua opinião ao novo ministro, aproveitando para tal uma entrevista ao jornal japonês Asahi Shimbun.

Em última análise, a política atômica de Tóquio pouco se distinguirá daquela do governo anterior. O gabinete do primeiro-ministro Yoshihiko Noda propagava a meta de abandonar a energia atômica em menos de 30 anos, sem, no entanto, estabelecer passos concretos para atingir tal fim. Pelo contrário: o governo Noda até aprovara a construção de dois novos reatores – cuja conclusão foi suspensa após o desastre da usina de Fukushima.

Retorno improvável

Até o momento, nem Abe nem Motegi esclareceram se desejam restringir a 40 anos o tempo de vida útil dos reatores, como foi decidido pelo governo anterior, que no entanto, não criou uma lei sobre o assunto.

Symbolbild Japan Atomkraft Atombehörde Shunichi Tanaka

Tanaka, chefe da NRA, rompeu regras do lobby atômico

Da mesma forma, o atual governo ainda não se manifestou quanto a uma eventual intenção de quebrar o monopólio dos fornecedores regionais de eletricidade. Aliada a custos elevados por conta de normas de segurança mais rigorosas, uma competição mais acirrada poderá tornar a construção de novos reatores no Japão desinteressante para as operadoras.

Durante sua campanha eleitoral, o primeiro-ministro Shinzo Abe defendeu que o Japão não poderia arcar com o abandono da energia nuclear, por motivos econômicos. Mas ressalvou que uma insistência em utilizar um excesso de energia atômica poderia sair cara para o país.

Em sua visita a Fukushima, Abe se expressou de maneira cautelosa: "Desejo uma política de energia responsável". Ele prometeu que, nos próximos três anos, seu governo expandirá ao máximo as fontes alternativas e, num prazo de dez anos, decidirá sobre a melhor combinação energética para o país.

Assim, o retorno a um "Japão superpotência atômica" parece, antes, improvável.

Autoria: Martin Fritz (av)
Revisão: Marcio Damasceno

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