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Economia

Janet Yellen sinaliza continuidade da política monetária no Fed

Ela será a primeira mulher a assumir a presidência do banco central mais poderoso do mundo. Atual vice do Fed, Yellen não deverá promover logo mudanças nos rumos da política monetária dos EUA.

Para os mercados financeiros, ser chefe do banco central americano, o Federal Reserve, é possivelmente o cargo mais importante que existte. É o Fed que estipula a taxa de juros do dólar, e codetermina de forma decisiva quanto dinheiro está disponível nos mercados. Trata-se, portanto, de um cargo de grande poder – e de responsabilidade ainda maior.

A economista Janet Yellen deverá em breve se tornar a primeira mulher a assumir a presidência do Fed, nos quase 100 anos de história da instituição. A indicação de seu nome levou alguns jornalistas a exaltar a nova força feminina no mundo financeiro. A agência de notícias DPA efiniu Yellen, a presidente do FMI, Christine Lagarde, e a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, como "três mulheres que movem mercados".

Isso até pode ser verdade, mas não é relevante. Afinal, há mais de três anos Yellen é vice-presidente do Fed e, consequentemente, principal representante da política do atual presidente, Ben Bernanke.

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Ben Bernanke im US-Kongress

Ben Bernanke, atual presidente da Federal Reserve

"A sra. Yellen claramente apoia a política monetária que o Fed vem promovendo há alguns anos", afirma Nils Jannsen, analista da conjuntura econômica americana no Instituto de Economia Mundial da Universidade de Kiel. "Portanto, ela é por uma política monetária bastante expansiva, focada principalmente no desenvolvimento do mercado de trabalho."

No jargão dos mercados financeiros, quem confere importância especial ao combate ao desemprego é chamado de "pomba". Já quem se dedica à luta contra a inflação, é um "falcão". Essas denominações independem do gênero masculino ou feminino. Ben Bernake também é uma "pomba".

Em contraste com o antigo Bundesbank– que vigiava a estabilidade do marco alemão – e o Banco Central Europeu, o Fed não está comprometido apenas com a estabilidade da moeda. "O Fed cumpre um duplo mandato", explica Diemar Rieg, diretor executivo da Câmara de Comércio Alemanha-Estados Unidos, em Nova York. "Ele deve cuidar tanto da estabilidade dos preços quanto do pleno emprego." Uma vez que, com 7,3%, a taxa de desemprego anda relativamente alta para os EUA, Rieg não conta que o Fed vá mudar sua política monetária "num futuro próximo".

Onde pombas e falcões se encontram

De qualquer modo, a política monetária do banco central americano não é definida pelo presidente da instituição, mas pelos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), formado por sete governadores do Fed e cinco presidentes de suas sucursais regionais. São eles que decidem o valor dos juros e decidem sobre ações como a compra de títulos em massa, para abastecer o mercado com capital.

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Indicação por Obama, ainda precisa ser aprovada pelo Senado

Na qualidade de vice-presidente do Fed e, anteriormente, de presidente da sede regional da instituição em San Francisco, Janet Yellen é, desde 2009, membro votante do FOMC, onde, lado a lado com muitos "pombos", sentam alguns "falcões". Estes desejam abandonar o mais rápido possível a política do dinheiro barato.

"As vozes críticas se multiplicam no Comitê de Mercado Aberto", explica Nils Janssen. "Entretanto, a indicação de Janet Yellen é um claro sinal de que a saída [da política de dinheiro barato] não deverá ocorrer tão cedo."

Política de empregos é o maior objetivo

Assim, a boa recepção dos mercados à indicação de Yellen não chega a ser surpreendente. Afinal, o capital a baixos juros anima as cotações das bolsas de valores. Mas também é certo que, caso se torne chefe do Fed, a certa altura ela terá que promover a mudança da política monetária, antecipa Gertrud Traud, economista-chefe do Helaba, banco estadual de Hessen-Turíngia. "Yellen tenderá a trilhar esse caminho de forma bastante cautelosa, para se assegurar que a conjuntura e a criação de empregos não sejam sufocadas."

O Senado americano, onde o Partido Democrata possui ampla maioria, deverá aprovar sem sobressaltos a indicação de Yellen pelo presidente Barack Obama. Aqui, o resultado parece seguro, ao contrário da Casa dos Representantes.

Não há dúvidas sobre a capacidade profissional de Yellen. Antes de ser vice do Fed, a economista de 67 anos lecionou em diversas universidades de prestígio nos EUA, foi consultora do presidente Bill Clinton e presidiu o Fed em San Francisco. E é bem possível até que, após cada dia de trabalho, ela siga discutindo sobre questões econômicas, pois é casada com George Akerlof, Prêmio Nobel de Economia de 2001.

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