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Cultura

Jörg Sasse mostra em Berlim sua fotografia em transformação

Com a exposição "Common Places", o fotógrafo alemão apresenta quase 30 anos de trabalho onde, de maneira não usual, descontextualiza e relaciona objetos e lugares comuns em suas imagens.

O cotidiano pode ser um lugar sem muitas surpresas. Diariamente passamos pelos mesmos lugares, entramos no mesmo escritório, vemos as mesmas pessoas. Nosso olhar se acostuma a essa realidade. Mas o que vemos é realmente a realidade ou a maneira que nos condicionamos a olhá-la?

Individualmente, as fotos que Jörg Sasse apresenta em sua exposição Common Places parecem ser retratos banais, que poderiam fazer parte do cotidiano de quase qualquer um. Objetos, detalhes, móveis que parecem não ter relação e não são nada fora do comum. A luz, o enquadramento e a perspectiva, às vezes remetem a fotos publicitárias, com detalhes, cores e texturas, mas sabemos realmente o que está sendo mostrado aqui? Para que estamos vendo essas imagens?

Entender o trabalho de Sasse exige tempo. Alguns segundos, ou passos à frente, para observar uma foto que parece comum ou abstrata podem ser a chave para compreender o que e o porquê daquelas imagens. "Trabalho com a ambivalência do que é realmente o objeto e como ele é mostrado na foto", disse o fotógrafo na abertura da exposição em Berlim.

Ausstellung Common Places von Jörg Sasse

Fotos foram feitas ao longo de quase 30 anos ao redor do mundo

"O que me interessa é o momento em que você pensa que percebeu algo, mas se surpreende um momento depois". A hermética combinação de fotos é um desafio ao espectador. Um mistério das perspectivas não usuais da realidade banal. Somos desafiados a olhar com outros olhos.

Transformação no espaço

A exposição foi criada especialmente para a sala onde foi montada, originalmente uma quadra coberta de esportes. Isso possibilita aos espectadores ver as 110 fotos expostas, divididas em dez grupos, como um grande conjunto, criando uma estranha, mas evidente unidade. "Não quero partir da ideia que as fotos são encenadas e feitas a partir de um tema. Os motivos foram pensados depois e especialmente para esse espaço", disse o fotógrafo.

As fotos foram feitas entre 1983 e 2012 ao redor do mundo. Detalhes diferentes em inesperados lugares despertavam a atenção do fotógrafo, que ia fazendo imagens. Primeiramente com uma câmara de grande formato analógica e depois digital. "Olhava uma situação e pedia para as pessoas deixarem as coisas como estavam. Voltava no outro dia com a câmera e a iluminação para fotografar", explicou Sasse.

Há um mistério na maneira como são mostrados detalhes e perspectivas não convencionais da normalidade. Durante quase 30 anos, foram feitas mais de 500 fotografias de lugares e objetos comuns. O olhar de Sasse é preciso e objetivo em todo esse período. As imagens não dão nenhuma referência sobre quando ou onde foram tiradas e têm uma homogeneidade estética.

Ausstellung Common Places von Jörg Sasse

A hermética combinação de fotos é um desafio ao espectador

Os títulos, com nome da cidade e ano, dão um caráter mais subjetivo e abstrato ao que está sendo retratado. "Não me lembro do sabor ou do cheiro das situações onde a maioria dessas fotos foi feita. O resultado é totalmente diferente daquela composição de espaço. Quero descontextualizar e transformar essa imagem em algo diferente", explicou o fotógrafo.

A descontextualização e um olhar preciso do subjetivo em detalhes da cortina, da soleira da porta, do descascado da parede ou de um interruptor de luz são onde as fotos de Sasse encontram sua hegemonia. "Tentei trazer novos aspectos de objetos e fugir das séries, pois eles nunca se repetem. Não uso títulos ou explicações, pois não quero confundir o espectador. Há diferentes maneiras de entender o que eu fotografo", completa.

A sistematização de motivos que se repetem em diferentes contextos cria outras formas de assimilar o trabalho. Assim Sasse reinterpreta a própria obra.

Exposição interativa

A sistematização e a contextualização também são o eixo central de outra obra de Sasse. Speicher II é uma escultura tridimensional que guarda imagens, sem primeiramente revelá-las, e fica à disposição dos visitantes, que através de diferentes categorias podem montar sua própria exposição, com duas ou oito imagens. "Queria ir a fundo no que uma fotografia realmente significa e como elas se relacionam", disse Sasse.

Ausstellung Common Places von Jörg Sasse

A exposição foi criada especialmente para o C/O Berlin

A obra é composta por 512 imagens, algo como um banco de dados analógico. Algumas das fotos foram feitas por Sasse, mas a maioria foi feita por fotógrafos amadores alemães entre 1950 e 2010. "Busquei paisagens, interiores e lugares onde os alemães passam suas férias. Queria combinar fotos que a princípio não têm relação. Interpretamos o conjunto dessas imagens de acordo com nossa história e nossa cultura", explicou o fotógrafo.

As imagens numeradas foram divididas em 56 categorias, de acordo com a relevância de sua linguagem e contexto. Cada foto foi classificada em pelos menos três categorias – indo do abstrato, estático e orgânico ao tempo livre, água, comércio ou indústria. Os visitantes criam a sua própria disposição através de números relacionados a cada categoria.

As fotos são retiradas da escultura, ou arquivo, e os visitantes podem criar sua própria exposição depois de selecionar uma categoria. "Na maioria dos casos, as categorias só fazem sentido quando as fotos estão contextualizadas umas com as outras", explica Sasse. Assim somos colocados no papel de curadoria, partindo de um tema fixo podemos alterar essas imagens de acordo com nossas escolhas. O resultado são mais de 450 mil combinações e diferentes maneiras de transformar e combinar lugares comuns em nossa própria perspectiva da realidade.

“Common Places” pode ser visto no C/O Berlin até 28 de outubro de 2012.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Roselaine Wandscheer

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