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Mundo

Israelenses prestam homenagens póstumas a Sharon

Caixão com corpo de ex-premiê de Israel, que faleceu após oito anos em coma, foi levado para a frente ao Parlamento, em Jerusalém. Diversos líderes estrangeiros confirmaram presença no funeral.

Milhares de israelenses devem passar em frente ao Knesset (Parlamento em Jerusalém) neste domingo (12/01), para dar o último adeus ao ex-premiê Ariel Sharon, que faleceu neste sábado aos 85 anos. Seu caixão foi coberto com a bandeira de Israel. Sharon sucumbiu a uma falência múltipla de órgãos após oito anos em coma. Ele vinha sendo acompanhado em um hospital de Tel Aviv.

O funeral ocorrerá na segunda-feira, com uma sessão parlamentar especial, que contará com a participação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, do presidente Shimon Peres e de familiares do morto. Também está prevista a presença de diversos líderes estrangeiros, entre eles o vice-presidente americano, Joe Biden, o enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, e o presidente do Parlamento russo, Serguei Naryshkin.

Um cortejo fúnebre acompanhará o caixão até Havat Shikmim, propriedade rural da família Sharon no sul de Israel, onde o ex-premiê será enterrado com honras militares. No local também se encontra o túmulo de Lily Sharon, mulher de Ariel Sharon, falecida em 2000.

Abschied von Ariel Scharon

Centenas de isralenses foram até o Parlamento em Jerusalém dar o último adeus a Sahron

Repercussão internacional

A morte de um dos maiores líderes militares e políticos da história de Israel repercutiu em todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que Sharon foi "um herói de seu povo", e afirmou ter ficado triste com a morte do ex-primeiro-ministro, que será sempre lembrado por sua "coragem política e determinação para tomar a dolorosa decisão de retirar colonos e tropas israelenses da Faixa de Gaza".

Já o presidente americano, Barack Obama, ressaltou que os EUA "se unem ao povo de Israel para honrar o compromisso de Sharon com o país". E completou: "Reafirmamos nosso inabalável comprometimento com a segurança de Israel e o apreço pelo fortalecimento da amizade entre nossos dois países".

Muitos palestinos comemoraram a morte do ex-líder israelense. Ele passou a ser odiado entre os árabes após o massacre de centenas de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Shatila, em Beirute, no ano de 1982, por homens da milícia cristã libanesa, aliada a Israel. "Ficamos mais confiantes na vitória com a morte deste tirano", declarou Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, facção islâmica que governa Gaza.

Muitas pessoas distribuíram doces neste sábado, como sinal de comemoração. "Os palestinos se lembram do que Sharon fez e tentou fazer com nosso povo e nosso sonho de formar um Estado", ressaltou Wael Abu Youssef, membro da Organização pela Libertação da Palestina.

Portrait Ariel Sharon NICHT FÜR OVERLAY GEEIGNET

Após sofrer um derrame, Sharon ficou em coma durante oito anos

Amado e odiado

Considerado um herói militar em Israel, reconhecido como um político pragmático fora do país e odiado como um criminoso pelos palestinos e no mundo árabe, Ariel Sharon era uma figura controversa.

Ele foi um dos maiores estrategistas militares e uma das figuras mais poderosas em Israel, tendo liderado invasões militares, a construção dos assentamentos de judeus em áreas reclamadas pelos palestinos, além de ter também tomado a surpreendente decisão de retirar tropas da Faixa de Gaza.

Primeiro-ministro isarelense entre 2001 e 2006, Sharon sofreu um derrame pouco depois de deixar o partido Likud, de direita, e fundar uma facção centrista, com o intuito de avançar no processo de paz com os palestinos.

MSB/rtr/dpa

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