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Mundo

Israel vasculha Cisjordânia em busca de jovens desaparecidos

Busca por três jovens israelenses sequestrados já se estende por toda a região. Primeiro-ministro Netanyahu acusa Hamas. Porém nenhum grupo assumiu a autoria da ação.

O cruzamento na frente do assentamento de Gush Etzion, na Cisjordânia, está movimentado como sempre. Apenas a quantidade de veículos militares de Israel circulando pela área revela a situação tensa. A poucos quilômetros desse local, três jovens israelenses foram sequestrados na semana passada.

Eles vinham da escola de religião, no assentamento de Kfar Etzion, ao sul de Jerusalém, e queriam voltar de carona para casa, como é comum na região. Só recentemente foi divulgado que um dos jovens conseguiu ligar para a polícia.

"Fomos sequestrados", ele sussurrou. De início, os agentes pensaram tratar-se de um trote. Assim, passou muito tempo até o Exército ser informado, na quinta-feira (12/06), por volta de 22h25. Depois disso, não houve mais nenhum indício.

Desde então, Israel tenta desvendar o mistério sobre o paradeiro de Naftali Frenkel e Gil-ad Shaer, ambos de 16 anos, e Eyal Yifrah, de 19 anos. Poucas vezes o país esteve tão abalado como nos últimos dias: um programa de televisão após o outro explora o drama dos rapazes.

Benjamin Netanjahu

Netanyahu acusa Hamas

Apesar do sequestro, jovens de assentamentos próximos continuam pegando carona no ponto de ônibus de Gush Etzion. A viagem de lá até Jerusalém leva 30 minutos. Linhas de ônibus israelenses que realizam o percurso, mas viajar de carona é mais rápido e barato.

"Eu pego carona todos os dias, isso é normal aqui", conta Itzhak um jovem do assentamento, acrescentando que o problema não é o meio de transporte em si, mas sim "os árabes e terroristas" que estão em circulação pela região.

Chaim também espera carona. Ele considera tranquilizante a presença contínua de um soldado israelense no cruzamento. "Claro que a gente pensa isso ou aquilo, mas não vai acontecer de novo, tão rápido", argumenta. Minutos depois, ele entra num carro.

Busca e detenções

No plano político, cabe ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, trazer de volta para casa os jovens desaparecidos, de preferência ilesos. "Os responsáveis por esse sequestro são integrantes do Hamas", acusa, E acrescenta, para mostrar ao mundo que foi um erro reconhecer o governo interino na Palestina: "É o mesmo Hamas que formou com o presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas um governo conjunto. Isso terá consequências sérias."

O premiê não se cansa de responsabilizar Abbas pessoalmente pela situação. Segundo a imprensa local, ele ligou para o presidente em Ramallah nesta segunda-feira, no primeiro contato direito entre os dois, em mais de um ano.

O líder palestino rebate que o incidente ocorreu numa zona da Cisjordânia inteiramente ocupada por Israel, sob o controle do Exército israelense e onde há assentamentos. Autoridades de segurança palestinas não têm acesso a essa região.

Desde o sumiço, o Exército israelense vasculha cada centímetro entre Belém e Hebron, no sul da Cisjordânia. Israel enviou tropas adicionais à região e bloqueou ainda mais a cidade palestina de Hebron. Nesta terça-feira, as buscas foram ampliadas até Nablus, no norte da Cisjordânia.

Israels Streitkräfte nehmen fast 80 Palästinenser fest

Mais de 200 palestinos já foram presos

Até agora, mais de 200 palestinos foram detidos, entre eles, diversos políticos importantes do Hamas e ativistas do movimento. Segundo médicos, um jovem palestino morreu após um conflito próximo a Ramallah. Segundo as forças de segurança, as detenções são uma forma de pressão.

"Nos últimos dois, três dias, nós aumentamos a presença de tropas. Nós trouxemos para cá outras unidades para reforçar a busca dia e noite. Estamos tentamos juntar o máximo possível de informações para encontrar essas três crianças e, de preferência, com vida", afirmou o porta-voz do exército Arye Shalikar.

Para isso, o Exército está cooperando estreitamente com os palestinos. "Até agora, a coordenação está funcionando, e esperamos que permaneça assim", sublinhou Shalikar.

Governo em questão

Alguns quilômetros mais ao sul, soldados israelenses controlam as ruas de acesso a Hebron. Na entrada da cidade, a situação está mais calma do que o normal, mas também tensa. "As pessoas têm medo de sair de casa", conta Mohammed, motorista de táxi palestino que normalmente transporta passageiros para os vilarejos vizinhos.

"Por causa dos controles, hoje eu precisei de uma hora e meia para chegar até aqui por uma rua secundária. Geralmente faço esse percurso em dez minutos", completa o taxista. A preocupação sobre o que pode acontecer é grande. "A situação já é difícil, como está", afirma um jovem no caminho entre Ramallah e Hebron. Ele espera que o conflito não se agrave. "Nós somos contra a violência, mas também somos contra toda forma de punição coletiva", adverte.

A situação tampouco é fácil para o presidente da Autoridade Palestina. Mahmud Abbas condenou o sequestro dos três jovens, mas criticou a ação brutal do Exército israelense. Ao mesmo tempo, ordenou que suas unidades militares apoiem a busca pelos desaparecidos.

"As forças de segurança palestinas se esforçam para manter a ordem e tranquilidade", anunciou o gabinete do presidente na segunda-feira. Há muito em jogo para Abbas, que acabou de receber o apoio americano e europeu para o novo governo interino.

Após sete anos, o Hamas e o Fatah entraram numa rota de conciliação. Se o Hamas realmente estiver por trás do sequestro – que até agora não foi assumido por nenhum grupo – seria o fim dessa tentativa de aproximação.

A liderança do Hamas, na Faixa de Gaza, considerou "burras" as acusações do primeiro-ministro israelense. A situação é tudo, menos fácil. Segundo observadores, muito depende de como esse caso irá terminar.

Em Israel, já ecoam as perguntas e críticas sobre como algo assim pôde acontecer e quais serão as consequências. Muitos se lembram do sequestro de dois soldados israelenses, em 2006, pelo Hisbolá, o estopim da guerra do Líbano; ou do soldado israelense Gilad Shalit, que foi libertado em 2011, depois de cinco anos preso, em troca de mais de mil presos palestinos.

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