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Mundo

Israel teme que armas químicas sírias caiam nas mãos de inimigos

País acompanha de perto os acontecimentos na Síria e cogita intervir militarmente para evitar que armas químicas acabem nas mãos de grupos como o Hisbolá.

O governo de Israel acompanha os acontecimentos na Síria com crescente preocupação. A mídia israelense publica quase diariamente manchetes sobre o país vizinho. Israel teme que uma onda de refugiados sírios fuja para as Colinas de Golã (foto). Mas o país teme ainda mais que, em meio ao caos político, uma parte das armas químicas e biológicas da Síria caia nas mãos erradas, e considera abertamente uma intervenção militar para impedir que isso aconteça.

Depois do premiê Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa, Ehud Barak, foi a vez de o presidente Shimon Peres se pronunciar sobre o assunto numa entrevista à emissora norte-americana CNN: Israel não pode permanecer indiferente se forem repassadas armas químicas que possam ser usadas contra o país.

Linha vermelha de Israel

Präsident Baschar al-Assad Syrien Archivbild

Paz nas Colinas do Golã poderia ser interrompida com queda de Assad

Para Israel, seria particularmente perigoso o repasse de armas ao Hisbolá, organização xiita libanesa pró-Irã cuja base fica próxima à linha de demarcação no norte de Israel. Por isso, já circulam especulações sobre um possível ataque aéreo israelense a depósitos secretos de armas na Síria.

Qualquer tentativa de impedir militarmente a transferência de armas, seria, porém, um ato de guerra. Um ataque militar de Israel contra o Hisbolá poderia provocar uma nova guerra contra o Líbano, aponta a mídia israelense.

Também os Estados Unidos, a Jordânia e a Turquia preocupam-se com o arsenal de armas químicas da Síria. A mídia israelense parte da premissa de que esses países já cooperam estreitamente para monitorar e impedir possíveis transportes de armas.

"As declarações de Netanyahu e Barak também podem ser vistas como uma forma de pressão sobre a comunidade internacional", considera o especialista Eyal Zisser. No momento, a única alternativa que resta a Israel é esperar pelo desenrolar da situação. Mas seria vantajoso buscar uma solução em conjunto com atores regionais e internacionais.

Por enquanto, parte-se do princípio de que as armas estejam sob o controle do regime do presidente Bashar Al-Assad, escreve a mídia israelense, citando um conselheiro de segurança do governo. A situação pode, porém, mudar de uma hora para a outra.

Colinas de Golã: potencial de conflito

Além do possível repasse de armas, Israel tem outras preocupações. Durante anos, uma relativa paz vem reinando sobre as Colinas de Golã, mas o fim do regime Assad poderia mudar tal cenário abruptamente.

Atomanlage in Nathans Fordo Iran

Ameaça nuclear do Irã também continuar a preocupar

"Significaria que, em vez de uma fronteira relativamente tranquila, haveria futuramente uma fronteira instável, e as Colinas de Golã poderiam se tornar um novo Sinai", considera Zisser, referindo-se à fronteira de Israel com o Egito.

Desde a queda do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, a área transformou-se em ponto de encontro de grupos militantes radicais, segundo fontes da segurança israelense. A partir dali, ocorreram mais de uma vez ataques de militantes a alvos israelenses. Se o regime em Damasco perdesse o controle, atores globais da Jihad islâmica poderiam se aproveitar do caos político para também agir no norte de Israel.

Vencedores e perdedores

"Israel ganha e perde com a queda de Assad", considera o especialista em Síria, Zisser. Pois ultimamente a derrubada de Assad também poderia significar que a ligação político-militar entre o Irã e a Síria seria quebrada. Damasco não serviria mais, então, como porta de entrada para o Irã no Oriente Médio.

Mesmo que agora as preocupações de Israel se concentrem na vizinha Síria, a ameaça nuclear do Irã também continua sendo uma grande questão. Segundo escreveu o comentarista Amos Harel no jornal israelense Haaretz, a situação na região fica mais complicada e mais perigosa a cada minuto.

Autor: Tânia Kramer (lpf)
Revisão: Francis França

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