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Mundo

Israel investiga atuação dos próprios militares em Gaza

Cinco incidentes ocorridos no recente conflito estão sendo analisados, segundo fonte do Exército. Organizações de direitos humanos criticam credibilidade das investigações.

O Exército de Israel abriu cinco investigações criminais sobre incidentes envolvendo seus próprios militares no conflito em Gaza, anunciou um oficial israelense nesta quarta-feira (10/09), duas semanas após um cessar-fogo ter entrado em vigor.

Os incidentes investigados, ocorridos entre 8 de julho e 26 agosto último, incluem bombardeios de Israel a uma escola da ONU no norte da Faixa de Gaza, em 24 de julho, em que morreram 15 pessoas. Outros dois bombardeios a escolas da ONU, em 30 de julho e 3 de agosto, não foram mencionados.

O Exército israelense também pretende analisar uma série de outros casos passíveis de investigação criminal, mas descartou aprofundar as investigações em sete incidentes que analisou, incluindo a morte de oito membros de uma única família durante um ataque aéreo de Israel a sua casa. O Exército está "comprometido a examinar todas as alegações credíveis de má conduta", disse o oficial, que falou em condição de anonimato.

O grupo israelense de direitos humanos B'Tselem acusou a falta credibilidade às investigações. "Não há atualmente nenhum órgão oficial em Israel capaz de conduzir investigações independentes de supostas violações da lei humanitária internacional", disse o grupo em seu site.

Crimes de guerra

Nesta quinta-feira, também a organização Human Rights Watch (HRW) criticou as investigações anunciadas por Israel, dizendo que o país "tem um longo histórico de fracassar em levar a cabo investigações credíveis a alegados crimes de guerra".

A HRW também afirmou nesta quinta-feira ser provável que Israel tenha cometido crimes de guerra no conflito em Gaza. Em comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova York diz que Israel causou a morte de "inúmeros civis ao violar leis de guerra" em três casos examinados.

Tais incidentes incluem os bombardeios a duas escolas da ONU, em 24 e 30 de julho no norte da Faixa de Gaza, e o disparo de um míssil teleguiado contra uma terceira escola das Nações Unidas em Rafah, no sul do enclave palestino, em 3 de agosto. Os ataques provocaram 45 mortes, incluindo 17 crianças, de acordo com a HRW.

"Estes ataques ilegais praticados intencionalmente, ou seja, de forma deliberada ou impetuosa, são crimes de guerra", realçou a HRW. Segundo a organização, não havia alvos militares aparentes na área das escolas.

A ONU e outros grupos de direitos humanos internacionais também condenaram Israel por vários ataques. As Nações Unidas, que acusam tanto Israel quanto militantes do Hamas de violarem leis de guerra, nomeou uma comissão especial de inquérito para analisar o conflito. Os palestinos também ameaçaram apresentar uma queixa contra Israel junto ao Tribunal Penal Internacional por alegados crimes de guerra.

O conflito entre Israel e militantes do grupo radical islâmico Hamas em Gaza durou 50 dias e terminou em 26 de agosto último, deixando um saldo de mais de 2,1 mil palestinos mortos, a maioria civis, e 73 israelenses, dos quais 67 soldados.

LPF/lusa/afp/ap

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