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Cultura

Isaak e o elefante branco

A mostra "Ex Oriente" celebra em Aachen a utopia – vivida – de uma convivência pacífica entre cristianismo, judaísmo e islamismo. Não se trata de mais um evento "pós-11 de setembro", porém é mais atual do que nunca.

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A legendária trompa de caça de Carlos Magno

Imaginem esta cena em nossos dias: um judeu viaja com um elefante branco, de Bagdá à Alemanha, passando por Jerusalém. Em meio ao conflito no Oriente Médio, apenas poucas semanas após a guerra no Iraque, tal missão estaria condenada ao fracasso. Entretanto há cerca de 1200 anos o tradutor Isaak retornou em perfeita saúde.

Essa viagem, realizada por volta de 800 d.C., e o encontro entre os mundos cristão, judeu e muçulmano são tema de uma exposição fora do comum na cidade alemã de Aachen (Aix la Chapelle). Ex Oriente – Isaak e o elefante branco apresenta mais de 570 tesouros de arte de 15 países, narrando uma história pacífica de encontro cultural e de intercâmbio entre as três grandes religiões.

Planeta Bagdá

A ação se desenrola antes das cruzadas do Ocidente e mais distante ainda das guerras de extermínio do século 20. Para evitar equívocos, o curador da mostra, Wolfgang Dressen, adverte: "Esta não é uma exposição 'pós-11 de setembro'. Mas hoje em dia ela é mais atual do que nunca".

O rei dos francos Carlos Magno – mais tarde proclamado imperador – enviou em 797 os mensageiros Lantfried e Sigismund a Bagdá, tendo o judeu Isaak como intérprete. "Como centro comercial e de estudos, a significação de Bagdá ultrapassava em muito as fronteiras do Oriente", explica o também curador Georg Minkenberg. No século 9º, ela contava centenas de milhares de habitantes. Com algumas centenas de moradores, Aachen era, em comparação, uma província.

A missão de Isaak durou cinco anos, sendo coroada de êxito: ao retornar, em 802, ele foi recebido com honrarias. Isaak vinha carregado de presentes do califa Harum Al Rachid para seu senhor, Carlos Magno, entre os quais um precioso elefante branco. E este não seria o último intercâmbio de enviados entre carolíngios e abássidas.

Cultura e riqueza

Ex Oriente oferece ao visitante de Aachen um vislumbre dessa antiga multiplicidade de culturas, da magnificência e do alto nível de erudição no reino de Harum Al Rachid. Entre os objetos expostos, estão manuscritos religiosos, como pergaminhos e preciosos exemplares caligráficos do Alcorão. Ou tratados científicos de Astronomia e Matemática – que viveram uma época áurea com Al Rachid –, lado a lado com um astrolábio, utilizado no século 10º para calcular a órbita dos planetas.

Porcelana da China, especiarias e cortes de seda mostram que em Bagdá tudo girava em torno dos negócios. No bazar da cidade havia uma mesquita, mas também uma academia judaica. E, diante dos portões da cidade, um convento cristão, provando que o antigo Oriente conhecia a tolerância religiosa.

Em analogia com as três estações da viagem, o visitante é convidado a conhecer diferentes locais de Aachen: no Salão da Coroação na prefeitura, ele encontra a metrópole Bagdá; no claustro da catedral está a "Santa Jerusalém"; enquanto na própria catedral pode-se admirar os tesouros carolíngios e os presentes de Harum Al Rachid a Carlos Magno.

A excursão histórica é complementada pelo olhar contemporâneo, crítico, de artistas da Alemanha, Israel, dos territórios palestinos e do Iraque. Suas obras estão integradas na exposição: "Não queremos romantizar o passado, mas sim lançar questões", assinala Dressen. Entre estas: o que foi feito dos descendentes de Isaak em Aachen, durante o regime nazista?. Ou: que conexões entre o Oriente e o Ocidente criou o moderno comércio de armas?

A exposição Ex Oriente – Isaak e o elefante branco vai de 30 de junho a 28 de setembro de 2003.

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