1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Esporte

Ironia marca declarações no futebol alemão

Se em campo os jogadores alemães são temidos por suas entradas duras e disciplina tática, nas entrevistas os profissionais primam pela ironia.

default

Kahn: "Todo o estádio, toda a Alemanha contra nós. Não existe nada mais bonito."

Não é só no futebol brasileiro que declarações de jogadores, técnicos e dirigentes contribuem para enriquecer a conversa de torcedores, alimentam o bom humor nacional e entram até para os anais do besteirol. Na Alemanha, os profissionais do futebol igualmente repetem clichês e lançam frases de efeito nas entrevistas à imprensa.

A ironia é uma das marcas mais comuns nas declarações dos jogadores alemães. Em 2001, não foi diferente. Ao participar da 17ª conquista do Bayern de Munique no Campeonato Alemão, o armador Stefan Effenberg definiu a competição: "A Bundesliga é mesmo uma competição emocionante. Dezoito times querem ser campeão e, no fim, é sempre o Bayern que comemora."

Antes do último jogo do campeonato passado, o goleiro Oliver Kahn previu, mordazmente, o que esperava sua equipe, quando o Bayern precisava vencer para concretizar a definição de Effenberg. "Estamos motivados para a partida em Hamburgo. Todo o estádio estará contra nós. Toda a Alemanha estará contra nós. Não existe nada mais bonito."

"Na minha época, teria sido preciso uma amputação"

Mesmo desfalcado (só 14 jogadores tinham condições de jogo), o Bayern conquistou em 2001 também o título mundial em Tóquio. Orgulhoso e provocativo, o diretor Uli Hoeness disparou: "E olha que só ficaremos de fato perigosos quando todos os jogadores estiverem recuperados."

Bom de mídia, o presidente do Bayern é um dos especialistas em frases irônicas. Ao comentar vexames seguidos de grandes times, Franz Beckenbauer sugeriu uma nova fórmula para o Campeonato Alemão: "Talvez se devesse fixar em 60 pontos o limite mínimo a ser atingido. Se ninguém o alcançar, não há campeão." O Bayern sagrou-se tricampeão em 2001 com 63 pontos, um à frente do Schalke.

Beckenbauer também mostrou sua língua afiada ao comentar a rapidez na recuperação de lesões dos jogadores, como Élber e Jeremies. "Temos de dar graças à arte dos médicos. Na minha época, ainda teria sido preciso fazer uma amputação."

"Prefiro comer comida em lata"

O zagueiro Jens Novotny é freqüentador assíduo do departamento médico do Bayer Leverkusen e não vê problemas nisto. "Quando eu estiver 100% em forma e não sentir mais dores, deixo o futebol. Sempre há algum problema. É um bom sinal de que estou vivo."

Zebras no futebol não chegam a ser raridade e, quando elas acontecem, são sempre momentos férteis para a criatividade. "Eu prefiro baixar as persianas de minha casa, comer comida em lata e correr pelo campo com um saco na cabeça", disse o diretor Reiner Calmund, do Leverkusen, ao comparar as alternativas à vergonhosa derrota de 3 a 1, em casa, para o Energie Cottbus, na temporada passada.

O presidente Gerd Niebaum reagiu mais modestamente à atuação do Borussia Dortmund na derrota de 1 a 0 para o 1860 Munique. "Foi futebol relax total, sem técnica nem garra."

"Têm-se de arriar as calças"

Do lado dos inesperados vitoriosos, pode-se esperar explicações inusitadas. "Exatamente numa partida tranqüila para os nervos, têm-se de mostrar a verdadeira cara e arriar as calças", disse o zagueiro Strehmel após a surpreendente vitória de 1 a 0 do Unterhaching sobre o Bayern de Munique.

Na temporada passada, o Stuttgart perigou cair para a segunda divisão. Trocou de técnico a tempo para evitar o fiasco. Feliz Magath impôs linha dura e muito exercício aos jogadores. "Vale a pena lavar de novo as roupas de treino. Estão suadas novamente", admitiu o meio-campista Seitz.

E, como de hábito, não é só quem é do ramo que dá palpite. Ao visitar o time juvenil do Kaiserslautern, o chanceler federal Gerhard Schröder deu um conselho à garotada: "Tratem de serem jogadores profissionais e não chefe de governo. Vocês vão ganhar muito mais."