1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Irmandade Muçulmana perde credibilidade no Egito

Manobras políticas do presidente Morsi e violência de muçulmanos ortodoxos contra manifestantes minam bases democráticas. Oposição quer observadores internacionais na votação popular da nova Constituição do Egito.

A maior parte dos oposicionistas egípcios rejeita o referendo popular sobre a nova Constituição nacional, marcado para sábado (14/12). Entre os grandes partidos, somente a facção islâmica moderada encabeçada pelo físico Abdel Moneim Abul Futuh é a favor da votação – embora Futuh seja contra a nova Lei Fundamental, em si.

Apesar da retirada do decreto que dava plenos poderes ao presidente Mohammed Morsi, a oposição segue indo às ruas em protesto. "Nós tememos que os direitos fundamentais venham a ser restringidos e não estejam mais ancorados em nossa Constituição": assim Abdul Bar Zahran, cofundador e funcionário do Partido dos Egípcios Livres, justifica a continuação da resistência contra o presidente e o planejado referendo. "Por isso conclamamos a manifestações em todo o país."

Abdul Bar Zahran

Abdul Bar Zahran, do Partido dos Egípcios Livres

Para Zahran, a retirada do decreto é apenas parte de uma manobra política da Irmandade Muçulmana. Desde o início, a intenção de Morsi teria sido impor sua Constituição contra a resistência da oposição. Com o decreto, ele apenas evitou a dissolução da Assembleia Constituinte, e agora o prazo até o referendo é curto demais para tal passo. E o esboço de Constituição estará salvo, uma vez que seja aceito na votação popular, prossegue o oposicionista.

Manobra do presidente

A oposição do Egito não está apenas contrariada com o documento, em si, mas também com a forma como foi elaborado, explica Elijah Zarwan, pesquisador do European Council on Foreign Relations, sediado no Cairo.

"Digamos que Morsi lance cinco decretos que encolerizam a oposição. Aí, ele retira um deles. E já aparenta ser nobre de sentimentos e disposto a ceder, enquanto a oposição parece extremamente teimosa. Na realidade, porém, os outros decretos permanecem em vigor."

Zarwan lembra que, antes mesmo do polêmico decreto, os oposicionistas já vinham protestando contra a Constituição que agora deverá ser submetida a referendo. Por esse motivo, quase todos os membros da Constituinte que não fossem islâmicos ortodoxos a haviam abandonado.

Assim, o esboço a ser votado no sábado foi elaborado sem a participação dos partidos liberais, moderados ou cristãos, e aos olhos da oposição o processo de decisão como um todo é ilegítimo, comenta o especialista em direitos humanos. "O Egito não merecia um esboço de Constituição como este. A Assembleia Constituinte não representou o povo, mas apenas a posição dos islamistas ortodoxos", observa Abdul Bar Zahran, do Partido dos Egípcios Livres.

Ägypten Protest Verfassung Mursi

Tropas governamentais expulsaram manifestantes com violência do palácio presidencial

Perda total de confiança

Como mais um motivo para o boicote do referendo, o político oposicionista cita os recentes atos de violência da Irmandade Muçulmana contra manifestantes pacíficos.

"Quem viveu e viu isso com os próprios olhos não pode mais ter confiança neles. Pois vimos as imagens e vivenciamos nas ruas como as milícias da Irmandade partiram para cima das pessoas", diz Zahran. A maioria dos manifestantes diante do palácio presidencial partilha essa opinião: para eles, os "irmãos" perderam toda credibilidade.

Zahran defende que, num país em que há um presidente livremente eleito, também deve ser permitido manifestar-se de forma pacífica, sem ser atacado pelos adversários políticos. Ele reconhece que ambos os lados investiram um contra o outro com grande violência. Porém, o exame dos relatórios das testemunhas, material de vídeo e outros indícios mostram ter sido a Irmandade Muçulmana a dar início aos confrontos.

Por isso, para o ativista é impensável um referendo sem a presença de observadores internacionais, sob o governo dos radicais islâmicos. Segundo Elijah Zarwan, os acontecimentos recentes indicam que a preocupação da oposição vai além de rejeitar medidas isoladas da Irmandade: ela quer impor limites nos radicais.

"A principal motivação da oposição é que tanto os 'irmãos muçulmanos' quanto Morsi extrapolaram o mandato obtido através de eleições. Os opositores querem agora mostrar aos 'irmãos' que eles são o governo eleito, mas que isso não lhes dá o direito de fazer o que bem entenderem."

Demonstrationen in Kairo Ägypten

"Não à Constituição" na Praça Tahrir

Autoria: Matthias Sailer (av)
Revisão: Francis França

Leia mais