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Mundo

Irlandesas protestam no Twitter contra leis de aborto

Assim como no Brasil, tema também é alvo de polêmica na Irlanda. Mulheres usam rede social como plataforma para exigir fim da criminalização do aborto, informando governo sobre detalhes de seus ciclos menstruais.

Mulheres irlandesas estão postando no Twitter detalhes sobre seus ciclos menstruais, em um protesto, direcionado ao primeiro-ministro Enda Kenny, contra as rígidas leis do país sobre o aborto.

O tema divide a sociedade irlandesa, com protestos de ambos os lados. Uma proibição completa do aborto foi extinta em 2013, permitindo a prática caso a vida da mãe esteja em risco, mas a definição de risco é vaga. As leis de aborto irlandesas são as mais rígidas da Europa.

Ativistas lançaram nesta semana uma campanha, com a hashtag #repealthe8th pela abolição da oitava emenda à Constituição irlandesa, que criminaliza o aborto ao colocar o direito de um feto à vida no mesmo patamar do de uma mulher grávida. Defensores da emenda exigem que ela seja mantida para resguardar todo tipo de vida.

"Já que sabemos quanto o Estado irlandês se preocupa com nossos órgãos reprodutivos, eu chamo meu ventre da menor embaixada da Irlanda", escreveu no Twitter a comediante Grainne Maguire, dando início à campanha que viralizou. "Acho que é justo que as mulheres da Irlanda deixem nosso líder @EndaKennyTD saber todos os detalhes do nosso ciclo menstrual."

Várias mulheres aderiram à iniciativa de Maguire. A usuária Orla Killjoy escreveu: "Olá, Enda. Minha ovulação foi há uma semana. Mais 11 dias de liberdade e, então, será um pesadelo ensaguentado."

Ativistas em defesa da vida enviaram fetos de plástico e cartas escritas com cor de sangue ao primeiro-ministro. O Partido Trabalhista, membro da coalizão de governo, já declarou que na campanha eleitoral do ano que vem vai defender a permissão do aborto em casos como estupro, incesto e anomalia fetal.

Em maio deste ano, a Irlanda se tornar o

primeiro país a legalizar o casamento gay por meio de consulta popular

, marcando uma grande mudança numa sociedade fortemente católica e conservadora. Com isso, os pedidos de uma reforma das leis de aborto ganharam força.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Kenny não respondeu no Twitter, mas disse que seu partido, Fine Gael, não promoverá um referendo sobre o assunto. "Não tenho intenção alguma de abolir a oitava emenda sem considerar o que pode substituí-la", disse.

Polêmica no Brasil

No Brasil, o tema é alvo de discussões intensas no momento. O projeto de lei 5069, de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi alvo de protestos nos últimos dias.

O projeto foi aprovado no dia 21 de outubro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda agora votação na Câmara dos Deputados. Atualmente, a gestante e quem nela realiza manobras abortivas já estão sujeitas à pena de prisão. A nova proposta criminaliza e cria penalidades também para quem induz, instiga ou auxilia um aborto.

Acabou sendo retirado do texto um dos pontos mais criticados, que estabelecia que a vítima de um aborto deveria fazer exame de corpo delito antes de receber atendimento nos serviços de saúde. Agora, o projeto vincula o atendimento à apresentação da vítima a uma delegacia.

O projeto 5069 prevê a permissão do aborto nos mesmos casos presentes na legislação atualmente: quando houver risco à vida da gestante ou se a gravidez for resultado de estupro. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal também descriminalizou o aborto de fetos anencéfalos.

LPF/rtr/abr/ots

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