Irlanda diminui resistência a pacote de socorro financeiro | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 17.11.2010
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Economia

Irlanda diminui resistência a pacote de socorro financeiro

O governo ainda não disse que sim, mas já há especulações de que a Irlanda recorra ao socorro financeiro nos próximos dias. Pressão dos países vizinhos aumenta.

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Situação dos bancos irlandeses é dramática

A pressão sobre a Irlanda aumenta, e o país começa a dar mostras de que poderá usar a ajuda financeira oferecida pela União Europeia (UE). O país vai receber nesta quinta-feira (18/10) uma missão formada por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, que vai examinar quais medidas poderiam ser tomadas caso Dublin resolva aceitar ajuda.

Mas esta notícia divulgada nesta quarta-feira durante o encontro de ministros de Finanças, em Bruxelas, ainda não quer dizer que a Irlanda tenha aceitado o pacote de socorro. "Não se trata de o governo estar negociando um pacote de ajuda", salientou Brian Cowen, primeiro-ministro irlandês. Segundo Cowen, o governo não tomará qualquer decisão formal sem considerar um trabalho preparatório.

Situação dos bancos

O ministro irlandês de Finanças, Brian Lenihan, no entanto, admitiu que a situação dos bancos é muito delicada, e que o setor precisa de ajuda. Segundo Lenihan, sua proposta de economizar 15 bilhões de euros até 2014 foi bem recebida pelos demais países da zona do euro. A estratégia de contenção de despesas deve ser apresentada na próxima semana.

"O que pode ser necessário agora pode não ser, de fato, uma transferência real de dinheiro, mas uma demonstração de quanto pode ser disponibilizado, caso maiores dificuldades se materializem", disse o ministro sobre a situação dos bancos.

Preocupação dos vizinhos

O Reino Unido já se colocou à disposição para ajudar. "A Irlanda é o nosso vizinho mais próximo e é de interesse nacional britânico que a economia irlandesa seja bem-sucedida e que haja um sistema bancário estável", declarou George Osborne, ministro inglês de Finanças, durante o encontro em Bruxelas.

Mesmo não fazendo parte da zona do euro, o empenho inglês é justificável. Os bancos ingleses são os maiores credores da Irlanda, com 150 bilhões de dólares e, portanto, correm o risco de sofrer grandes perdas com a dívida daquele país.

Já a dívida irlandesa junto aos bancos alemães é de 138 bilhões de dólares. O governo alemão também pressiona para que a Irlanda aceite ajuda. "Ninguém pode lidar sozinho com essa situação", disse o ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble.

O ministro alemão lembrou que a Irlanda pode acessar o fundo de 750 bilhões de euros criado em maio especialmente para socorrer países em dificuldade. Para a ministra francesa de Finanças, Christine Lagarde, a Irlanda deve pedir ajuda já nos próximos dias.

Situação crítica

O déficit público da Irlanda atingiu 32% do Produto Interno Bruto (PIB), quase dez vezes acima do permitido pelo Pacto de Estabilidade do euro. Apesar do caos na economia, a relutância do país em pedir apoio financeiro pode estar ligada à proximidade das eleições, marcadas para o próximo dia 25.

Como o pacote de socorro é considerado impopular, o primeiro-ministro resiste à oferta da União Europeia por temer uma derrota no Parlamento, que tiraria a vantagem de assentos do governo.

Também a história desempenha aí um papel: em 6 de dezembro, a Irlanda comemora 88 anos de independência do domínio inglês. "Este país lutou duramente por sua soberania, e esse governo não quer passar essa soberania a ninguém", disse o ministro de Comércio, Batt O'Keefe.

NP/dpa/afp/rts
Revisão: Roselaine Wandscheer

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