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Mundo

Iraque: Rumsfeld admite erros

Armas de destruição em massa e contato de Saddam Hussein com Bin Laden foram as principais justificavas dos EUA para invadir o Iraque. Secretário de Defesa norte-americano reconhece agora erros na argumentação da guerra

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Secretário de Defesa americano em contradição

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, admitiu perante o Conselho de Relações Exteriores americano, Council on Foreign Relations, erros na avaliação das principais causas que justificaram a invasão americana no Iraque. Na época dos preparativos para a guerra, o governo americano tentou convencer a comunidade internacional do perigo que o país árabe representava para o mundo.

A certeza da existência de armas de destruição em massa, em "quantidade suficiente para causar uma catástrofe em proporções inimagináveis", e a confirmação, através do serviço secreto CIA de uma estreita ligação entre o ditador Saddam Hussein e o cabeça do grupo terrorista El-Qaeda, Osama Bin Laden, responsável pelos atentados de 11 de setembro, seriam os principais motivos.

Enquanto a Grã-Bretanha se tornou o principal aliado dos Estados Unidos, outras grandes potências da Europa adotaram posturas bem mais contidas. Na época, o governo alemão foi categórico em recusar qualquer tipo de participação na guerra, negando o envio de tropas, o apoio logístico e até mesmo uma anuência política que pudesse fortalecer a intenção americana. Tal postura acabou, inclusive, gerando um estremecimento temporário nas relações entre os dois países.

Sem provas concretas

"De acordo com meu conhecimento, não existe nenhuma evidência concreta que comprove uma ligação entre Saddam e Bin Laden", admitiu Rumsfeld na última segunda-feira (04/10), em Nova York, revelando ainda que o suposto relacionamento entre o ditador e o terrorista chegou a gerar polêmica dentro da própria CIA. Havia diferenças internas de opinião sobre a verdadeira ligação entre Iraque e El-Qaeda. Não existem provas de que o Iraque tenha de fato colaborado com os atentados de 11 de setembro.

Ontem e hoje

Tal declaração não deixa de surpreender, especialmente pela lembrança de setembro de 2002, quando Rumsfeld afirmou perante jornalistas justamente o contrário. "Estamos de posse de relatórios confiáveis sobre altos contatos que remontam aos últimos dez anos e também sobre prováveis treinamentos com material químico e biológico. E quando eu digo contato, me refiro a Iraque e El-Qaeda". Em julho desde ano, uma comissão de inquérito atestou que não existe qualquer evidência que comprove uma cooperação entre o governo iraquiano e o grupo terrorista.

Onde estão as armas?

Com relação às armas de destruição em massa, "ficou comprovado que não as encontramos", afirmou Rumsfeld. "Por que o material do serviço secreto americano estava errado, isso eu não sei dizer". Esta declaração também contradiz a que fez no último domingo. Em entrevista transmitida pelo canal Fox News, Rumsfeld sustentou a versão de que Saddam Hussein teria supostamente escondido as armas pouco antes da invasão americana.

Guerra preventiva?

Questionado pelo Conselho sobre as principais causas que motivaram a guerra contra o Iraque, Rumsfeld declarou que o presidente Bush chegou à decisão de que Saddam comandava um regime de posse de armas de destruição em massa que poderiam ser usadas contra seu povo ou países vizinhos e que era imprescindível acabar com tal regime antes que ele fizesse uso destas armas ou as vendesse para as redes terroristas.

Embora nenhuma destas temíveis armas tenha sido encontradas em solo iraquiano, Rumsfeld defendeu a postura do atual governo americano. "Com Saddam Hussein na cadeia em vez de continuar no poder, o mundo se encontra muito melhor".

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