1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Irã usa concurso de caricaturas como propaganda política

Teerã promove exposição de desenhos que retratam grupo "Estado Islâmico". Objetivo seria mostrar suposta ligação dos jihadistas com Israel e EUA e que extremistas não têm nada a ver com o verdadeiro islã.

Sangue escorre pelos dentes pontudos do lobisomem. Com turbante preto e barba longa, ele remete a um jihadista. A trela que o segura mostra duas bandeiras: as de Israel e dos Estados Unidos. A imagem representa o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) como cão de caça, impulsionada pelos dois tradicionais arqui-inimigos do Irã.

O desenho pode ser visto numa exposição de caricaturas em Teerã, que foi aberta nesta semana no centro cultural Arasbaran. Um total de 270 desenhos é dedicado ao EI. Eles refletem a interpretação iraniana dos crimes que são cometidos em nome de um "Estado Islâmico" na Síria e no Iraque.

A exposição é o resultado de um concurso internacional, promovido pelo próprio governo iraniano, em busca da melhor caricatura e do melhor desenho em referência ao Daesh – como o EI é chamado no Irã e também na maioria dos países árabes.

Caricaturas como instrumento de propaganda

O organizador Massud Shodchaei afirmou na abertura da exposição que não apenas a política precisa chamar atenção para as atrocidades cometidas pelos extremistas do EI. Essa é também uma tarefa para artistas muçulmanos.

O cartunista iraniano Mana Neyestani não participou do concurso. Ele vive em Paris. Após a controversa eleição presidencial de 2009, ele teve que deixar sua terra natal. Desde então, o artista observa o Irã da perspectiva de exilado. Os desenhos expostos em Teerã ele viu pela internet.

"Claro que é certo satirizar o EI através de caricaturas", diz. Mas para Neyestani, que recebeu em 2010 o prêmio Cartoonists Rights Network International (Rede Internacional de Diretos dos Cartunistas, em tradução livre), a exposição é claramente propaganda do governo. "Provavelmente o objetivo é colocar Israel e os EUA em conexão com o terrorismo do EI", afirma.

Ausstellung von IS-Karikaturen in Teheran

Terrorista do EI é massageado por Israel em cima da bandeira dos EUA

Chama atenção o fato de, numa série de caricaturas e desenhos, a estrela de Davi, símbolo de Israel, ou as estrelas e as listras americanas terem sido colocadas ao lado de símbolos do EI ou inscrições como "Daesh". Dessa forma, a competição segue a tradição do concurso antissemita de caricaturas sobre o Holocausto, realizado pela primeira vez no Irã em 2006 e duramente criticado pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e pela organização Repórteres Sem Fronteira. Também esse concurso fora organizado por Shodchaei.

Merkel e Obama com narizes de Pinóquio

Algumas caricaturas do concurso deste ano deixam o EI completamente de fora – como as do artista que usa o pseudônimo Ridha Ridha e supostamente vem da Alemanha. Em vez disso, ele mostra líderes como a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e os presidentes de França e dos EUA, François Hollande e Barack Obama, ao lado do rei saudita Salman ibn Abd al-Aziz – todos com longos narizes à la Pinóquio.

Outros ilustradores que participaram do concurso vêm da Indonésia e da Turquia, mas a maioria vem do Irã. Nenhum dos artistas é conhecido – nem no Irã nem no exterior.

Os organizadores da exposição destacam que os jihadistas são representados como uma ovelha negra no meio de um rebanho de ovelhas brancas, que simbolizam a maioria pacífica de muçulmanos, por exemplo.

"Graças a esses brutais assassinos existe agora uma suspeita generalizada contra todos os muçulmanos ao redor do mundo", disse uma estudante que visitou a exposição. A mensagem oficial é a seguinte: o "Estado Islâmico" não tem nada a ver com o verdadeiro islã.

Ausstellung von IS-Karikaturen in Teheran

Premiê israelenese, Benjamin Netanyahu, abraçado com o rei saudita. Israel é um dos principais alvos dos desenhos

A era do diálogo

"A era de violência e reações radicais passou. Estamos agora na era do diálogo e da lógica", disse o presidente iraniano, Hassan Rohani. O Irã quer tentar apresentar o islã ao mundo como uma ideologia pacífica. Mas exatamente isso o EI estaria impedindo e contaminando, assim, a imagem internacional do islã.

O fato de que o Irã está ridicularizando o EI não é surpreendente. O grupo sunita do "Estado Islâmico" pertence aos arqui-inimigos da xiita República Islâmica do Irã. Na Síria, assim como no Iraque, o EI ameaça não só Patrimônios Mundiais, como a cidade de Palmira, mas também santuários xiitas.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, é há muito tempo aliado do Irã. O governo de Teerã tenta apoiar Assad o maior tempo possível. Isso inclui, além de apoio militar, também a propaganda contra o "Estado Islâmico".

O curador Shodchaei disse, em Teerã, que tentará expor as caricaturas anti-EI também em países árabes e europeus. O Ministério das Relações Exteriores do Irã o desaconselhou a fazê-lo, alegando que o perigo de ataques é alto. Provavelmente esse não é o único motivo. No fim de junho se esgota o prazo para um acordo final sobre o programa nuclear iraniano com os Estados Unidos. E os desenhos na exposição não são exatamente diplomáticos.

Leia mais