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Por dentro do Irã

Irã tem enorme potencial para mudanças, diz Nobel da Paz Shirin Ebadi

Mesmo não sendo livres, as eleições iranianas não deixam de ser importantes. Independente de seu resultado, elas demonstram o potencial democrático do povo iraniano, acredita advogada iraniana.

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Shirin Ebadi

No dia 14 de junho serão realizadas eleições presidenciais no Irã. Somente eleições livres podem possibilitar mudanças democráticas e reformas políticas. Infelizmente, este não é o caso do Irã. O Conselho de Guardiães, um órgão que não é eleito pelo povo, influencia massivamente a votação no país.

Este conselho desqualifica, muitas vezes sem justificativa, candidatos que tenham feito críticas, ainda que inofensivas, ou mesmo apenas por gosto pessoal. Esse foi o caso na última eleição, em 2009, quando de aproximadamente 300 nomes registrados apenas quatro conseguiram se qualificar como candidatos à presidência. Um deles foi Mahmud Ahmadinejad, os outros três eram funcionários do alto escalão do aparato estatal.

Apesar disso, os eleitores iranianos foram às urnas, para pelo menos votar no candidato que mais se aproximasse dos seus ideais. Ahmadinejad, porém, foi declarado vencedor antes mesmo do fim da contagem dos votos. Seguiram-se protestos pacíficos da população. A resposta do Estado foram prisões e execuções a tiros. Os reformistas Mussawi e Karoubi, dois dos que concorreram à presidência, foram presos em regime domiciliar sem qualquer base legal e sem acusação formal.

Potencial para mudanças

Essas questões pairam como nuvens negras sobre o Irã. Para piorar a situação, há ainda as sanções econômicas contra o país, além da crescente miséria que se alastra por todo o Irã, dificultando o cotidiano da população.

A única saída para esse dilema político seria a posse de um governo eleito livremente. Um governo que conseguisse encerrar os conflitos internacionais, que tirasse o Irã do isolamento e não lesasse os direitos humanos. Este objetivo não pode ser alcançado a curto prazo, mas o Irã tem um enorme potencial para mudanças e transformações.

A parcela mais jovem da população, iniciativas civis, movimentos feministas e de trabalhadores, todos esses representantes da sociedade podem, no momento apropriado, formar uma boa base para a liberdade e a democracia no Irã.

Shirin Ebadi, em abril de 2013 (dtp)