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Mundo

Irã planeja software para aumentar controle sobre acesso às redes sociais

Chefe de polícia no país afirma que o controle inteligente facilitará acesso a 'conteúdo útil' dos sites. Mas especialista questiona infraestrutura e capacidade técnica do Irã para desenvolver programa.

O Irã está criando um software inteligente que possibilitará aos cidadãos acesso restrito e controlado a redes sociais como o Facebook e o Twitter, afirmou a mídia iraniana, citando declarações do chefe da polícia no país, Esmaeil Ahmadi Moghadam.

Ele afirmou que o controle inteligente sobre as atividades dos usuários nas redes sociais ajudaria a eliminar as "desvantagens" desses sites e, ao mesmo tempo, permitiria com que as pessoas se beneficiassem de seu conteúdo "útil".

Atualmente o país já restringe ou filtra o acesso e o uso de redes sociais ocidentais. O novo "software inteligente" é apenas uma das muitas medidas que visam obter mais controle sobre o conteúdo acessado pelos usuários – ainda dentro dos esforços do país, há décadas, de criar o próprio espaço virtual na rede, muitas vezes chamado de "Halal Internet".

As declarações de Moghadam foram dadas depois do lançamento de uma página no Facebook dedicada ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que atraiu uma grande atenção no Irã e no exterior.

Modelo chinês

O Irã desenvolveu seu sofisticado sistema de filtragem e de rastreamento ao longo dos anos em colaboração com a China, país pioneiro em censura na internet. Mas há muitas falhas no sistema, que não é tão restrito como na China, explicou o especialista iraniano em tecnologia, Nima Rashedan, que vive na Suíça.

Iran Zensur Internet

Irã já criou versão similar do Youtube e do Twitter, mas usuários ainda preferem versões originais

"Eu não acho que o chefe da polícia sabe exatamente do que está falando. Ele anunciou a ideia como um novo plano sem conhecer as dificuldades técnicas para a realização do projeto", frisou. Rashedan não acredita que o Irã tenha infraestrutura adequada e capacidade técnica para desenvolver esse software. "O Irã não tem sido capaz nem mesmo de copiar o modelo chinês."

Em vez de permitir o acesso dos cidadãos chineses às plataformas das redes sociais de empresas ocidentais, Pequim criou suas próprias versões desses sites, como por exemplo o Weibo, a resposta chinesa ao Twitter, e o Youku, que é parecido com o Youtube. A medida provou ser um sucesso, já que esses sites são muito populares na China.

O Irã também tentou criar sua própria versão do Facebook e do Youtube, mas a maioria dos usuários da internet preferiu ficar com as plataformas ocidentais, que já eram populares. Para convencê-los a mudar de ideia, nos últimos meses o governo vem oferecendo internet de alta velocidade apenas aos usuários que desejam acessar as redes sociais iranianas.

Controle não surge efeito esperado

O governo do Irã tem o controle total sobre a internet e monitora todo o tráfego de dados no país, onde 25 milhões de pessoas utilizam a internet, de acordo com estimativas do governo. O país possui 75 milhões de habitantes.

E o número de usuários está aumentando a cada dia – situação que faz com que esse controle fique muito difícil. "A inspeção profunda de pacotes de rede, uma forma de filtragem de pacotes de rede de computador que analisa os dados, torna-se muito mais difícil quando o número de usuários e a quantidade de dados transferidos aumentam a cada dia", explicou Rashedan.

Nima Rashedan

Rashedan: sistema iraniano não é tão restrito como o chinês

Um método que o governo tentou foi a implantação de dispositivos de aceleração de SSL, que ajudam a decodificar dados da Internet com mais precisão. Mas tais esforços não foram suficientes.

Rashedan disse que as autoridades iranianas recorreram a medidas simples, tais como o bloqueio de arquivos Flash e MP3 no Facebook para manter o controle sobre a situação. Mas os usuários, no entanto, não pareceram se importar, já que "a maioria deles compartilha fotos e textos, em vez de vídeos."

"As autoridades podem limitar a largura da banda, proibir a transferência de dados e bloquear completamente algumas das portas de internet como as redes privadas virtuais (VPNs) ou cortar conexões de códigos de dados. Foi assim que eles cortaram de forma temporária o acesso ao Gmail", afirmou Rashedan.

Pressão sobre a política de internet

O especialista disse que aqueles que tomam as decisões finais sobre a censura na internet estavam sob pressão de diferentes organizações dentro do país para aumentar a velocidade da Internet.

"A maioria dos provedores no Irã tem ligações diretas com instituições militares, como a Guarda Revolucionária. Bilhões de dólares são investidos em projetos de Internet, por esta razão as instituições militares colocam ênfase na expansão do tráfego na rede", explicou.

Mas funcionários do alto escalão, como o líder supremo aiatolá Khamenei, estão temerosos sobre até que ponto a internet pode ser usada. Outros não chegaram a um acordo se "devem aumentar a velocidade e largura de banda ou reduzir a censura."

Há concorrência entre os países do Oriente Médio para desenvolver infraestrutura de internet no Irã. A Turquia e os países árabes do Golfo Pérsico são atualmente os principais fornecedores de startups e outras tecnologias.

Para Rashedan, porém, apenas um país na região vai perder por causa do aumento da atual política de censura e restrição na internet: o próprio Irã.

Autor: Farnaz Seifi (fc)
Revisão: Mariana Santos

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