Irã mantém tom desafiador após fracasso nas negociações com a AIEA | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.02.2012
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Mundo

Irã mantém tom desafiador após fracasso nas negociações com a AIEA

"Nenhum obstáculo pode deter a atividade atômica do Irã", disse o aiatolá Ali Khamenei após o Irã proibir a inspeção de agentes da ONU em seus locais de testes nucleares. França considera negativa "oportunidade perdida".

A poster of Iran's Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei and the late Ayatollah Ruhollah Khomeini is seen next to bank of centrifuges in what is described by Iranian state television as a facility in Natanz, in this still image taken from video released February 15, 2012. Iran trumpeted advances in nuclear technology on Wednesday, citing new uranium enrichment centrifuges and domestically made reactor fuel, in a move abetting a drift towards confrontation with the West over its disputed atomic ambitions. REUTERS/IRIB Iranian TV via Reuters TV // Eingestellt von wa

Iran / IAEA / Atomprogramm / Zentrifugen

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encerrou sua mais recente missão no Irã, depois que o país negou-se a autorizar a inspeção de especialistas do órgão aos locais onde são realizados os testes nucleares iranianos, segundo divulgou a agência nesta quarta-feira (22/02).

O anúncio aconteceu horas antes de o grupo da AIEA desembarcar de volta em Viena, após a frustrada tentantiva de negociação em Teerã – a segunda no espaço de um mês.

A agência afirma que, segundo informações de fontes de inteligência, a implosão de uma ogiva nuclear teria sido previamente simulada no complexo em Parchin. Ainda de acordo com o comunicado, a AIEA continua buscando "esclarecimentos para questões não resolvidas" com relação aos objetivos nucleares do Irã.

"Oportunidade perdida"

Delegação da AIEA volta a Viena sem cumprir a missão

Delegação da AIEA volta a Viena sem cumprir a missão

A França considerou a negativa do Irã em possibilitar o acesso dos agentes da ONU como "mais uma oportundiade perdida" pelo país para provar que seu programa nuclear não tem objetivos bélicos.

A viagem dos especialistas era vista como importante precursor de uma possível retomada das conversas entre o Irã e o chamado P5+1 – Reino Unido, China, França, Rússia, Estados Unidos + Alemanha – que fracassaram na Turquia, há um ano.

As suspeitas ocidentais de que o Irã estaria construindo armas nucleares apareceram em um relatório da AIEA em novembro passado. Desde então, Europa e EUA vêm aumentando as sanções econômicas contra o Irã, tendo como alvo suas exportações de petróleo.

Em tom provocativo, o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as políticas nucleares do país não devem ser alteradas, mesmo diante da crescente pressão internacional contra os supostos planos iranianos para desenvolver bombas nucleares, como o Ocidente classifica o programa nuclear do país persa.

"Com a ajuda de Deus e sem prestar atenção à propaganda contrária, o curso nuclear do Irã deve continuar com firmeza e seriedade", declarou Khamenei à televisão estatal, reiterando que as atividades nucleares iranianas não têm propósitos militares. "Nenhum obstáculo pode deter a atividade atômica do Irã", afirmou.

Khamenei: nada deve deter a atividade atômica do Irã

Khamenei: nada deve deter a atividade atômica do Irã

Ataque seria uma catástrofe

A Rússia minimizou o fracasso das conversas da AIEA com o governo de Mahmud Ahmadinejad, declarando que ainda há chances para novas negociações com a agência da ONU. O vice-ministro do Exterior russo, Gennady Gatilov, advertiu Israel ressaltando que atacar o Irã seria algo "catastrófico" para a região e para a diplomacia global. "Espero que Israel leve em consideração as consequências de tal ação para eles mesmos", disse Gatilov.

Este foi um dos maiores alertas da Rússia contra o uso da força na região - uma opção que israelenses e norte-americanos não descartam totalmente, caso concluam que a diplomacia e o aumento das sanções não vão impedir o Irã de desenvolver uma bomba nuclear.

Rússia, China e vários outros aliados dos EUA sabem que qualquer ação mililtar contra o Irã poderá colocar o Oriente Médio em uma guerra maior, o que jogaria o preço do petróleo nas alturas, em um momento em que o cenário internacional enfrenta graves problemas econômicos.

MSB/rtr/dpa/afp
Revisão: Francis França

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