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Mídia e censura

Irã estuda formas de aumentar o controle da internet

O regime iraniano trabalha na criação de uma internet nacional própria, a fim de controlar mais intensamente os cidadãos do país. Quem criticar o governo na rede, deverá contar com represálias e prisão.

Os alimentos fabricados segundo os preceitos religiosos islâmicos são chamados de halal, o que significa que estão aptos a serem consumidos. A palavra halal em árabe significa tudo o que é "permitido" de acordo com o Direito islâmico. Na opinião dos conservadores detentores do poder no Irã, agora até a internet deverá ser halal no país.

O governo planeja separar o Irã da internet do resto do mundo, criando uma rede própria nacional. O próprio ministro iraniano das Comunicações, Reza Taghipour, foi quem anunciou esse intuito oficial, em discurso proferido em 2012 na Universidade Amir Kabir, em Teerã, segundo relatou a agência de notícias Fars News.

A internet, segundo Kabir, citado pela agência, é controlada "por um ou dois países", que são contra o Irã. Para o ministro, uma rede nacional poderá romper com a hegemonia ocidental e proteger o país de ciberataques. Hoje, estima-se haver no Irã cinco milhões de sites bloqueados, entre eles os de teor pornográfico ou contendo filmes e caricaturas de Maomé. Eles são considerados "impurezas na internet".

No entanto, não só esse tipo de site é uma pedra no sapato de quem está no poder, mas também as páginas independentes ou de mídias estrangeiras, como a Deutsche Welle, além das redes sociais. Acessos protegidos a sites são sistematicamente suspensos no país. Os tumultos que aconteceram após as polêmicas eleições de 2009 deram um impulso considerável ao projeto da "internet halal". Naquele momento, os manifestantes se organizaram principalmente através da internet e de redes sociais.

Rede própria

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Cinco milhões de sites, inclusive o da Deutsche Welle, encontram-se com acesso bloqueado no Irã

Bloquear totalmente o acesso à internet não seria uma solução eficaz para o regime. Pois se as interrupções constantes de acesso à rede impedem, por um lado, uma comunicação fluida dos usuários entre si ou com o exterior, elas prejudicam, ao mesmo tempo, o setor do comércio e emperram o tráfego de dados oficiais.

Por isso, o governo em Teerã busca, há alguns anos, medidas alternativas de controle. Foi assim que surgiu a ideia de uma "internet meli", ou seja, uma rede nacional. Na verdade, trata-se de nada menos que uma grande rede à qual os servidores e computadores do país se mantenham ligados e que deverá funcionar como a rede interna de uma grande empresa. Essa "intranet" estará, contudo, ligada através de diversas interfaces com a web e, portanto, com o resto do mundo. As interfaces serão, porém, controladas pelo regime islâmico.

Rede mais rápida para o Irã?

Para o usuário iraniano, não mudará muita coisa, pelo menos à primeira vista. Ele vai continuar entrando na internet como de costume, mas o acesso aos sites do país se dará através de uma rede nacional. No entanto, tão logo o usuário queira acessar uma página estrangeira, a ligação com o site de fora do país vai se dar através de uma interface controlada pelo regime.

Os sites que não correspondem às diretrizes do regime islâmico, ou seja, que não são halal, permanecerão bloqueados como antes. E o usuário perceberá a oscilação entre a o acesso normal à internet e aquele à rede nacional somente através da diferença de velocidade – a internet nacional será 60 vezes mais rápida.

A mídia local iraniana já está celebrando o advento da futura rede supostamente estável e mais rápida. O governo pretende investir aproximadamente 600 milhões de euros neste projeto nos próximos cinco anos. Será desenvolvido até mesmo um navegador iraniano próprio.

Ameaça de prisão em caso de crítica

Iran Internet Studenten

Usuários no Irã têm que enfrentar obstáculos colocados pelo regime para acesso à internet

"Como todos os dados transferidos através da interface controlada pelo governo serão repassados, o regime poderá controlar todas as informações, ou seja, todos os dados privados dos cidadãos iranianos", diz Mahmoud Tadjallimehr, especialista iraniano em TI, radicado na Alemanha, à Deutsche Welle. E quem ousar criticar o governo, deve contar com a possibilidade de acabar na prisão.

Nos últimos anos, vários ativistas de internet foram condenados à prisão no Irã. Sattar Beheshti, um blogueiro, morreu no segundo semestre de 2012 na temida prisão de Evin, em Teerã, supostamente em consequência de torturas. À sua mãe, foi dito que ele teria falecido em função de uma enfermidade.

Em seu último relatório de março de 2013, a organização Repórteres sem Fronteiras declarou mais uma vez o Irã "inimigo da internet". Não se sabe ainda ao certo quando o projeto de uma "internet nacional" será, enfim, implementado. Diversas datas para seu início foram até agora adiadas. Corre na própria internet o boato de que o governo em Teerã não teria nem capacidade tecnológica nem recursos humanos suficientes para conduzir tal empreitada.

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