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Mundo

Irã e potências fecham acordo nuclear histórico

Após anos de impasse, República Islâmica e grupo P5+1 alcançam acordo sobre polêmico programa nuclear iraniano. Objetivo é impedir que país produza a bomba atômica. UE fala em "novo capítulo". Irã vê "momento histórico".

O Irã e as potências reunidas no grupo P5+1 – os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha – conseguiram fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano nesta terça-feira (14/07), em Viena.

O acordo histórico visa garantir que o Irã não produza uma bomba nuclear. Em contrapartida, Estados Unidos e União Europeia (UE) vão aliviar as sanções que afetam drasticamente a economia iraniana. As negociações entre os dois lados haviam começado em 2006.

O acordo "é uma decisão que pode abrir um novo capítulo nas relações internacionais", disse a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, que liderou o Grupo 5+1 nas negociações com o Irã e fez declarações à imprensa acompanhada do ministro iraniano do Exterior, Mohammed Javad Zarif, antes do encontro final dos negociadores, nesta terça-feira, em Viena, na Áustria.

Zarif também celebrou o compromisso. "Eu acredito que este é um momento histórico. Hoje poderia ser o fim da esperança, mas nós estamos começando um novo capítulo de esperança", disse. Ele ponderou que "este pode não ser o acordo perfeito para todos, mas é o melhor que podemos ter e uma conquista importante para todos nós".

O acordo restringe fortemente o programa nuclear iraniano e impõe inspeções criteriosas no país, inclusive em unidades militares. Em troca, os países ocidentais suspenderão as sanções que têm afetado as exportações de petróleo e a economia iraniana. O Irã já teria concordado com o retorno das sanções caso o acordo seja quebrado.

Diplomatas afirmam, no entanto, que o embargo da ONU ao comércio de armas continuará em vigor por mais cinco anos. Um embargo semelhante, referente à transferência de tecnologia de mísseis balísticos, continuará em vigor por mais oito anos. Os dois embargos podem acabar mais cedo se a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmar que o Irã não está produzindo armas nucleares.

O objetivo das negociações é evitar que o país produza a bomba atômica, mas possa continuar usando a energia nuclear para fins pacíficos. O fim de um impasse de anos chegou no 18º dia da nova rodada de negociações entre Teerã e o chamado P5+1. Os novos esforços diplomáticos começaram quando o presidente iraniano, Hassan Rohani, assumiu o poder em 2013.

O acordo nuclear vai descongelar cerca de 100 bilhões de dólares de ativos iranianos no exterior. Segundo a agência de notícias iraniana Irna, a exclusão e restrições em projetos de cooperação econômica com o Irã serão suspensas em todos os campos, incluindo os setores de petróleo e gás.

Serão ainda canceladas as sanções às companhias aéreas iranianas, ao Banco Central do Irã, à empresa nacional de petróleo NIOC, às linhas marítimas IRISL e à várias outras instituições e também cidadãos.

MP/dpa/rtr/ap/lusa

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