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Mídia e censura

Irã e China estão na lista de "inimigos da internet"

Os dois países estão na lista dos que mais censuram a rede mundial de computadores, elaborada pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Bloggers contam como funciona o controle da informação pelo Estado.

A organização de direitos humanos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apontou nesta terça-feira (12/03), Dia Mundial Contra a Censura Cibernética, o Barein, a China, o Irã, a Síria e o Vietnã como "estados inimigos da internet".

Segundo a RSF, os governos desses cinco países praticam uma vigilância ferrenha sobre os provedores de comunicação, o que resulta numa significativa interferência na liberdade de informação da população.

"A censura e vigilância estão aumentando, o que ameaça a ideia original da internet: a rede como um local de liberdade, troca de informações, diversidade de opiniões e superação de barreiras", declara a organização baseada em Paris.

China, a ovelha negra

A China é o país onde o maior número de pessoas ligadas ao setor de notícias e informação está encarcerado, com 30 jornalistas e 69 ativistas online nas prisões chinesas, de acordo com a RSF. O governo em Pequim é ativo na censura, filtragem e monitoramento online de informações que possam ser "perigosas".

Deutsche Welle Jurymitglied The Bobs 2013 Hu Yong

Hu Yong vê na internet um caminho para uma sociedade livre

Apesar disso, há uma revolução em andamento na China, diz a ONG. "No mundo interativo, gerado pelos usuários, há fóruns, plataformas de vídeo, redes sociais, blogs e microblogs", disse o jornalista Hu Yong, especialista em comunicação da Universidade de Pequim e membro do júri do The BOBs, prêmio anual da DW para blogs e ativismo online.

"O microblogging permitiu pela primeira vez a milhares de chineses se expressar sem os ditames do Estado e da propaganda. Eles podem trocar notícias e comentários praticamente sem filtragem. E, apesar de eventuais interrupções e bloqueios na rede, isso existe e é difícil de ser controlado", diz Hu.

"Curtas mensagens de texto podem ser espalhadas rapidamente através da rede. Assim, os microbloggers chineses têm ajudado o mundo a saber mais sobre a China, muito além do que os meios de comunicação oficiais oferecem." Isso, de acordo com Hu, cria a esperança de que, um dia, possa existir uma sociedade civil vibrante e independente na China.

No Irã, a internet é do mal

Assim como na China, o governo iraniano também monitora e censura a internet há anos. Essa postura resultou na tentativa de criar uma "internet halal", completamente "limpa" e controlada pelas autoridades. A internet iraniana, de acordo com o RSF, não é mais ou menos política do que em outros países, ela só é mais vigiada.

"Qualquer desvio da versão oficial é automaticamente considerado 'político' e passa a ser suspeito. Páginas de culinária, moda e música costumam ser tão bloqueadas quanto sites de notícias e de oposição", diz a RSF.

O blogger iraniano Arash Abadpour, que vive exilado no Canadá e também faz parte do júri do The BOBs 2013, afirma que o governo iraniano censura a internet por medo das consequências da livre circulação de informação. "O estado iraniano tem medo da internet. Por isso, tenta mantê-la pequena", diz Abadpour.

Konferenz Re:publica Berlin Arash Abadpour im Gespräch mit Patrick Leusch, DW Akademie

Iraniano Arash Abadpour diz que o governo tem medo da internet

Junto com o especialista em comunicação Colin Anderson, Abadpour publicou uma pesquisa que afirma: "Jornalistas, ativistas sociais, opositores políticos e também cidadãos comuns são presos pelos motivos mais esfarrapados – por supostamente porem em risco a segurança nacional ou a ordem pública – ao criticar o status quo em seu país."

O Irã tem uma longa tradição em demonizar a internet como fonte de crime e imoralidade. Frequentemente os usuários de internet são apresentados como pessoas que agem de má-fé ou são criminosos. Também Abadpous diz que é necessário algum tipo de controle da internet, por exemplo para evitar os crimes cibernéticos, mas lembra que cibercriminosos e ativistas não são a mesma coisa.

"A questão é: um controle adequado é necessário. A discussão deveria ser apenas sobre o que é adequado", diz o blogger iraniano.

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