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Mundo

Irã: ameaças, traumas e interesses em jogo

Mohssen Massarrat, professor da Universidade de Osnabrück, fala à DW-WORLD sobre a política nuclear do governo iraniano e afirma que se trata de uma "questão de honra" para elite e população do país.

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Instalações de usina nuclear na cidade iraniana Arak

DW-WORLD: A comunidade internacional negocia há anos com o Irã, com o objetivo de pôr um fim ao discutível programa nuclear do país. Sem resultados, pelo menos até agora. Por que o governo iraniano insiste de forma tão veemente nas suas ambições nucleares?

Massarat: O governo iraniano afirma, como se sabe, que a questão é apenas assegurar o abastecimento de energia a longo prazo no país. Na minha opinião, a questão gira também em torno da criação de possibilidades tecnológico-científicas que permitam, em caso de emergência, realmente a construção de bombas atômicas. Este é um dos objetivos do programa nuclear, embora o governo não esteja disposto a assumir abertamente essas intenções.

Isso tem a ver com o fato de que o Irã vive um "dilema de segurança", sendo tratado como uma potência regional, à qual não é permitida uma autonomia político-militar. O Irã sofre ameaças – militares e de política de segurança – de todos os lados. E ainda se sente ameaçado pelo sistema de armas nucleares do Paquistão, mas também e principalmente pela Rússia, apesar das atuais relações bilaterais amistosas.

Isso significaria, então, que existem razões para o temor do governo iraniano de um real isolamento. Qual é a posição da população a este respeito?

A população apóia de forma bastante superficial a posição oficial iraniana. A elite na oposição, seja ela islâmica ou não islâmica, também está envolvida com a questão da política nuclear do país. Isso porque a população ficou traumatizada com o que aconteceu nos últimos 50 anos.

O trauma deixado por Mossadegh, no governo entre 1951 e 1953, surgiu do fato de que a intervenção militar e da diplomacia secreta norte-americana depôs o primeiro governo eleito democraticamente no Irã, porque esse governo havia anunciado uma política nacional e autônoma em relação ao petróleo. Esse fato surte efeitos até hoje na memória coletiva da população.

Sabe-se que, no Irã, há uma enorme demanda de modernização. O país precisa de know-how tecnológico. Mesmo assim, as ofertas de transferência de tecnologia da comunidade internacional não são atraentes o suficiente para convencer o país a abdicar do enriquecimento de urânio?

Acredito que isso ocorre por duas razões. Primeiro, porque o enriquecimento de urânio se transformou numa questão de honra nacional para a elite iraniana. Abdicar disso, sem justificativa, sem algo em troca e sem outras perspectivas, significaria uma derrota.

A segunda razão é real: na verdade, o Ocidente tem por objetivo manter o Irã, do ponto de vista militar e geopolítico, como um Estado anão na região. Isso os iranianos não conseguem, de forma geral, aceitar.

Eles não entendem por que o Paquistão ou Israel podem dispor de armas nucleares e exatamente seu enorme país, localizado no centro do Oriente Médio, não pode. Por trás desta exigência está, é claro, a meta estratégica do Ociente: marginalizar o Irã geopoliticamente.

Quais seriam as alternativas políticas a serem propostas pela Europa para a solução dos conflitos no Oriente Médio?

Vemos agora na guerra no Líbano como o conflito no país está intimamente ligado à questão palestino-israelense. Além disso, há na região discussões em relação às fronteiras e lutas por recursos naturais, como a água e o petróleo. A região é predestinada a abrigar conflitos de longo prazo. Por outro lado, trata-se de uma região que, exatamente em função de seu significado geoestratégico e simbólico, oferece ótimas condições para que se dêem os primeiros passos em direção a alternativas com um olho no futuro.

Uma das soluções, por exemplo, poderia ser um acordo de cooperação econômica e de política de segurança. Algo como o que há hoje na Europa e que ocorreu no processo de criação da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa). Defendo a necessidade de uma conferência que comece já hoje a discutir questões relativas à segurança e à cooperação, tendo em vista que todos os Estados da região envolvidos só têm a ganhar se juntarem esforços. Mohssen Massarrat é professor de Política e Economia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Osnabrück, onde realiza pesquisas relacionadas ao Oriente Médio, política energética e de paz e conflitos entre os hemisférios Norte e Sul.

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