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Economia

Investimentos de risco em vista

União Européia quer ativar a conjuntura com grandes projetos, como o sistema de navegação por satélite Galileo e ligações de trem bala. Ministros da Economia e Finanças aprovam amplo programa de 220 bilhões de euros.

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Eichel e Mer: mútua compreensão com violação do pacto de estabilidade

O programa de investimentos aprovado pelos ministros europeus, em Luxemburgo, estabelece uma condição para a execução dos projetos de grande dimensão: eles não devem gerar novas dívidas, vindo a inchar as que os países membros já têm, a fim de não comprometer ainda mais o pacto de estabilidade do euro.

Os dois países que constituem o chamado motor da UE – Alemanha e França – já violaram o critério do pacto de que o déficit de cada membro da União Monetária não pode ultrapassar a barreira de 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

Os ministros dos 15 países da UE escolheram 29 projetos, que devem ser realizados até 2020. Para isto, o Banco Europeu de Investimentos da UE deverá colocar à disposição quase 90 bilhões de euros, até o ano 2010. Se os estatutos do banco forem alterados, será possível liberar linhas de crédito adicionais de 70 bilhões de euros.

Primeiras críticas

O programa ambicioso é visto com ceticismo, tendo em vista o ingresso de mais dez países na UE, em maio de 2004. Um dos críticos é o ministro das Finanças da Alemanha, Hans Eichel: "Nós temos que considerar os novos países membros, cujas grandes tarefas para melhorar suas infra-estruturas já representam uma grande contribuição para chances de crescimento econômico".

Alemanha, França e Grã-Bretanha querem investir menos em programas de infra-estruturas e mais em projetos de desenvolvimento, pesquisa, formação profissional e tecnologia. "Temos que investir primeiramente no capital humano, em inovação, pesquisa e desenvolvimento", disse o ministro Eichel.

Mais crescimento e menos instabilidade?

A União Européia, sobretudo Alemanha e França, precisa, com urgência, sair da fase de estagnação. A propósito, o novo lema do ministro francês das Finanças, Francis Mer, é "mais crescimento do que estabilidade". Seu colega alemão também adotou este lema. Isto justifica a grande tolerância recíproca com que Eichel e Mer comentam sua violação do pacto europeu de estabilidade e crescimento econômico.

"É muito satisfatório que, depois dos atritos do passado por causa disto, a França se declare agora totalmente favorável ao pacto europeu de estabilidade e crescimento", disse Eichel, após reunir-se com os seus colegas em Luxemburgo. Ele se permitiu, porém, uma pequena crítica à França e uma recomendação para que Paris faça mais contra o seu déficit orçamentário. "Eu acho que a Comissão Européia tem razão de exigir mais", disse o alemão.

Quando, ao contrário, se trata dele próprio fazer alguma coisa contra o mesmo problema na Alemanha, Eichel sai com sua fórmula tríplice: "Reformas culturais, consolidação do orçamento e antecipação da reforma tributária. Com este trio de medidas queremos, de um lado, impulsionar o crescimento econômico e, de outro lado, nos esforçamos, fazemos tudo o que podemos para cumprir o pacto de estabilidade e crescimento."

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