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Cultura

Investimento em obras de arte supera ações da Bolsa

Com as incertezas que rondam o mercado financeiro, cada vez mais investidores voltam-se para a aquisição de obras de arte, apesar do perigo das falsificações. As peças mais cobiçadas são pinturas dos séculos 19 e 20.

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Escultura "Mesa de Passar Roupa", do espanhol Joan Miró, um dos artistas que têm mais obras falsificadas no mercado de arte

Obras de arte em vez de ações. É esse o novo lema, seguido por um número cada vez maior de investidores, decepcionados com as desventuras do mercado financeiro. No lugar de uma blue chip, ação de maior liquidez e tradição, o investidor alemão tem cada vez mais procurado peças de porcelana chinesa.

Essa é uma tendência observada, entre outros, por Wolfgang Wilke, especialista em mercado de arte do Dresdner Bank. "Em função dos tempos difíceis na Bolsa, os investidores procuram valores mais estáveis", observa Wilke. Para isso, não é absolutamente necessário dispor de milhões na conta bancária. "A arte é um bom investimento financeiro já a partir de valores em torno de 500 euros", segundo o especialista.

Longo Prazo – Os rendimentos que resultam da compra de uma obra de arte podem ser comparados, sem problemas, aos trazidos pela Bolsa de Valores. Além disso, o mercado de arte "pode ser, a longo prazo, mais rentável do que as ações", acentua Wilke. Um bom exemplo é a evolução dos valores da porcelana chinesa. Peças que pertenceram à dinastia Ming tiveram um aumento de valor nas últimas três décadas em torno de 11,4% ao ano. Nos últimos seis anos, chegou-se ao índice anual de 26,8%.

As peças mais cobiçadas por investidores, segundo informa a casa de leilões Christie’s, são pinturas dos séculos 19 e 20, seguidas por móveis europeus, pinturas de velhos mestres e arte asiática. O rápido aumento de valor de obras criadas por artistas plásticos contemporâneos é assustador, deixando boa parte do mercado financeiro de queixo caído. De acordo com uma pesquisa realizada pelo especialista Wilke, pinturas de artistas célebres trouxeram um rendimento anual de até 20% entre os anos de 1970 e 2000.

Segurança – Além disso, há de se observar que, enquanto as ações nas Bolsas de Valores de todo o mundo despencam, os preços no mercado de arte continuam subindo. Segundo uma pesquisa realizada pelo Insituto Artprice em três mil casas de leilões em todo o mundo, os preços de obras de arte subiram 4% no primeiro trimestre de 2002. No caso de esculturas em especial, o índice foi de 6,2%.

Apesar do otimismo que envolve o investimento em arte, especialistas recomendam precaução. "Como investimento único a arte não é recomendável", afirma Wolfgang Exler, porta-voz da União dos Comerciantes de Arte Alemães. A observação refere-se principalmente ao investimento no trabalho de artistas jovens, cujas obras são muitas vezes meros "objetos de especulação", segundo Exler.

Falsificação – Outro fator de risco são os altos índices de falsificação no mercado de arte. Tomando artistas como Salvador Dalí ou Joan Miró, por exemplo, o número de obras de arte falsificadas no mercado chega a superar o das originais. "Sem know how, ninguém deveria comprar obras de arte, uma vez que o mercado não é transparente, além de ser bastante instável", avisa o especialista Wilke.

Uma boa dica para o investidor atento continua sendo a aquisição de peças dos "velhos mestres" da pintura. O retorno rápido, no entanto, não deve ser esperado. "Quem investe em arte deve estar preparado para investir por no mínimo dez anos", esclarece Wilke.