Investigadores afegãos defendem atitude do Exército alemão no bombardeio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.09.2009
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Mundo

Investigadores afegãos defendem atitude do Exército alemão no bombardeio

Segundo a comissão de investigação convocada pelo governo afegão, bombardeio ordenado pelo Exército alemão no norte do país fez 30 vítimas entre a população civil e matou 69 talibãs.

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Efeitos do bombardeio de 4 de setembro dificilmente poderão ser esclarecidos

O bombardeio ordenado pelo Exército alemão no norte do Afeganistão matou 30 civis, segundo informações da comissão de investigação convocada pelo presidente afegão, Hamid Karzai. Outros nove civis sobreviveram com ferimentos ao ataque aéreo ocorrido no início de setembro, declarou o grêmio neste domingo (13/09) à agência de notícias dpa e à emissora alemã ARD. Além disso, o bombardeio matou 69 talibãs e outros 11 rebeldes.

"Qualquer tropa teria feito o mesmo"

A comissão não deixou de defender o Exército alemão, criticado com rigor dentro e fora da Alemanha por essa operação militar. De acordo com o parecer do grêmio, "os responsáveis foram definitivamente os talibãs". Numa situação comparável, "não só as tropas alemãs, mas qualquer tropa do governo ou de outro país teria tomado a mesma medida", reiterou a comissão.

"Se aqueles caminhões-tanque tivessem ido parar nas mãos do inimigo, certamente teriam sido instrumentalizados para algum atentado terrorista", supõem os investigadores nomeados pelo governo. A gasolina poderia ter sido utilizada contra as tropas afegãs e internacionais. Os talibãs não teriam somente se apoderado dos caminhões-tanque, mas também teriam envolvido inocentes nesse "crime", acreditam os investigadores.

A região bombardeada não era residencial, garantiu a comissão. As casas mais próximas se localizam a pelo menos 3km do local do bombardeio. Do ar, dificilmente teria dado para reconhecer se havia civis nas proximidades dos caminhões-tanque.

Considerando que as vítimas eram em grande parte talibãs, "trata-se de um sério golpe contra o terrorismo e a Al Qaeda em Kunduz", concluiu a comissão.

Múltiplas investigações

Paralelamente ao governo afegão, a Otan, as Nações Unidas e a Cruz Vermelha também iniciaram investigações sobre o bombardeio ordenado pelo Exército alemão. Diante das difíceis circunstâncias, é improvável – no entanto – que se esclareçam todos os detalhes do ocorrido. O número de civis mortos também dificilmente poderá ser definido com exatidão.

As vítimas já haviam sido enterradas quando os soldados da tropa internacional Isaf chegaram ao local do bombardeio. O governante do distrito em questão se referiu a 135 mortos. Sua lista se baseia em informações dos membros mais idosos do clã e de habitantes do vilarejo, dados cuja veracidade dificilmente pode ser averiguada. Representantes do governo mal têm acesso a grande parte da região em questão, sob controle dos talibãs.

Dificuldade de esclarecer identidade dos mortos

Observadores afegãos comunicaram que o governo anunciou uma indenização para cada morto, suspeitando que isso tenha levado os governantes locais a elevar propositalmente o número de vítimas fatais do bombardeio.

Além disso, também é difícil fazer distinção entre civis e talibãs. Os rebeldes não usam uniformes. Quando não estão portando armas, não podem ser reconhecidos como combatentes inimigos do governo. Toda vítima mortal do bombardeio poderia ser um talibã – ou simplesmente um camponês inocente, avaliam observadores.

SL/dpa/ap
Revisão: Alexandre Schossler

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