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Economia

Investigador fiscal responsabiliza sonegação por crise na Grécia

Diretor dos serviços de investigação fiscal da Grécia condenou severamente seus compatriotas por sonegação de impostos. Chefe do FMI Lagarde fora criticada por declarações semelhantes, alguns meses atrás.

Bastaria os gregos pagarem seus impostos, e a crise estaria resolvida. Devido a essa sumária observação, a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, foi recentemente alvo de críticas. E ela foi ainda mais longe numa entrevista, afirmando que as crianças de algumas regiões africanas precisam "de mais ajuda do que as pessoas em Atenas". As declarações de Lagarde provocaram revolta de vários políticos da Grécia, principalmente do ex-ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, que acusou a chefe do FMI de insultar os gregos.

Lagarde tinha razão

Christine Lagarde, chefe do FMI

Christine Lagarde, chefe do FMI

Para surpresa dos críticos de Lagarde, o diretor dos serviços de investigação fiscal da Grécia, Nikos Lekkas, corroborou as declarações da chefe do FMI. Ele concorda totalmente com ela, segundo entrevista publicada pelo jornal alemão Die Welt.

"A sonegação de impostos em meu país representa algo entre 12% a 15% do Produto Interno Bruto. Se pudéssemos, pelo menos, receber metade dessa quantia, o problema da Grécia estaria resolvido", afirmou Lekkas. Ele lamentou que muitas investigações acabem fracassando, devido à pouca cooperação dos bancos do país. Os investigadores solicitaram quebra de sigilo bancário de mais de 5 mil contas, mas só conseguiram acessar 214.

Em 500 casos, envolvendo políticos implicados, o departamento de investigação fiscal está esperando pelas informações há cerca de cinco meses. Pode ainda demorar um ano, até que os dados estejam disponíveis. mas aí é tarde demais, pois o dinheiro pôde ser retirado e a arrecadação se torna impossível. Assim, o especialista em crimes financeiros exige que, em caso de suspeita, as instituições bancárias liberem as informações no prazo de uma semana.

Armas digitais

Além disso, a autoridade fiscal alertou para o perigo de uma "explosão social", caso não se consiga superar a divisão da sociedade em duas classe: "elites intocáveis e os cidadãos que são explorados".

Recursos técnicos talvez possibilitassem frear a sonegação. Com o programa de computador Elenxis, empresas locais poderiam ser fiscalizadas em detalhe e in loco. Especialmente inteligente e útil é a função que possibilita à central de investigações fiscais acompanhar simultaneamente as ações do inspetor. No momento o programa ainda está em fase de testes.

Há anos a Grécia encontra-se em recessão. O governo formado por socialistas e conservadores, eleito em maio último, comprometeu-se com um severo programa de contenção de gastos, como pré-condição para os créditos bilionários concedidos pela União Europeia e o FMI.

Os partidos contrários às medidas de contenção receberam grande apoio no último pleito. Entretanto, não foi possível a formação de um governo e novas eleições estão programadas para 17 de junho.

MP/dpa,afp,rtr
Revisão: Augusto Valente

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