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Ciência e Saúde

Inverno rigoroso na Europa renova debate sobre aquecimento global

Especialista usa medição quinquenal para apontar redução da temperatura, mas técnica é questionada. Para muitos pesquisadores, termômetros mais baixos são fenômeno meteorológico e não climático.

Se tomada como parâmetro a temperatura média em períodos de cinco anos, nos últimos 15 anos pode-se verificar uma redução na curva de aquecimento global. E para Ed Hawkins isso não é uma surpresa."Temos certeza que as emissões de dióxido de carbono foram responsáveis por grande parte do aumento da temperatura nos últimos 150 anos. Porém, não partimos do princípio de que todo ano será mais quente que o anterior", explica à DW o pesquisador da Universidade de Reading, da Inglaterra.

Durante as décadas de 1960 e 1970, explica Hawkins, também houve anos em que as temperaturas diminuíram – e isso pode ser atribuído a oscilações naturais. Segundo ele, em determinados intervalos de tempo ocorrem mudanças nos oceanos, e o aquecimento dos últimos anos foi absorvido no fundo do mar, seguindo um ciclo natural. Assim, esse calor acaba não sendo mais constatado na superfície.

Outro motivo possível para esse resfriamento, segundo o cientista, seria o aumento da queima de carvão em países como China e Índia. A poeira fina resultante desse processo forma uma camada na atmosfera que pode resfriar a terra, uma vez que ela reflete a radiação solar.

Mesmo assim, Hawkins ainda é reticente em afirmar se a atual atenuação do aquecimento global é uma oscilação natural ou não.

Peter Lemke, diretor do setor de pesquisas climáticas do Instituto alemão Alfred-Wegener para pesquisa polar e marítima, adverte sobre a utilização de estatísticas quinquenais para nivelar o desenvolvimento do clima. "Processos climáticos devem ser avaliados um período de 30 anos", explica Lemke à DW. "Nos últimos 30 anos há uma tendência de aumento."

Lemke cita como exemplo 1998, ano considerado extremamente quente. E a escolha de um ano especialmente quente ou frio para o início de uma pesquisa, afirma, pode comprovar uma tendência crescente ou decrescente.

O especialista garante que a temperatura subiu nos últimos 15 anos de forma significativa – assim não é possível se basear em um período curto. "A partir de uma perspectiva global, 2010 foi o ano mais quente, mas a temperatura em 2005 não foi muito menor do que a medida em 2010. Desde 1978, as temperaturas não estão mais no nível normal – em comparação com uma média de um período de 30 anos – há um nítido aquecimento", explica.

Kohlekraftwerk in China

Aumento da poeira da queima do carvão pode esfriar a terra

"O quão sensível é o nosso sistema climático a interferências como o aumento das emissões de dióxido de carbono? Como o sistema climático se comporta em relação à precipitação pluvial, aumento da temperatura ou derretimento das calotas polares?", questiona Lemke. Responder a essas perguntas, garante, "é muito complicado".

Medição controversa

Mas justamente essas questões são importantes para quem precisa se preparar para as mudanças climáticas. Dependendo do modelos de medição, está previsto um aumento da temperatura de 1,5 até 6 graus nos próximos cem anos. Segundo Lemke, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será publicado em 2014, não resolverá o problema da margem de flutuação dessa estimativa, causado por esses modelos de medição diferentes.

O atual retardamento do aquecimento não é um motivo para o fim do alerta. Hawkins acredita que o novo relatório do IPCC pode admitir que o clima reage de forma menos sensível do que se acreditava às emissões de dióxido de carbono. "Mesmo assim nós esperamos um grande aquecimento na próxima década. Mas nós teremos eventualmente mais tempo", diz Hawkins.

O longo período de frio intenso, que dá a impressão no oeste europeu de um resfriamento global, é causado por uma zona de alta pressão estável sobre a Escandinávia, ou seja, é um fenômeno meteorológico e não climático. Em uma perspectiva global, o inverno foi mais quente do que o normal, lembra Lemke.

"O interessante é que alguns estudos climáticos revelaram que essa zona de alta pressão estável sobre a Escandinávia surge com mais frequência quando há uma redução no volume do gelo flutuante no Ártico no verão e no outono", explica Lemke. "Essa redução esquenta o oceano, que devolve esse calor para a atmosfera, interferindo no modelo de circulação normal e causando, assim, essa zona de alta pressão mais estável que a habitual."

A dimensão do gelo flutuante no Ártico alcançou o seu menor tamanho em 2012. Este início de primavera europeia com temperaturas de inverno parece justificar a tese de Vladimir Petoukhov, do Instituto de Pesquisas Climáticas de Potsdam. Em pesquisa publicada em 2010, o pesquisador explica: "Invernos fortes não contradizem o aquecimento global, e sim o completam."

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