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Alemanha

"Internet deu nova dimensão aos massacres em escolas"

Segundo Jens Hoffmann, a mídia de massa tem co-responsabilidade em casos como Columbine, Erfurt e Virginia. O psicólogo da Universidade de Darmstadt falou à DW-WORLD.DE sobre seu programa de esclarecimento e prevenção.

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Jens Hoffmann

DW-WORLD.DE: Dr. Hoffmann, em que consiste o seu projeto e o seu método?

Jens Hoffmann: Após o massacre na escola de Erfurt, em 2002, nós nos perguntamos o que poderia ser feito. Descobrimos que nos Estados Unidos já havia pesquisa abrangente sobre os sinais precoces indicando potenciais autores de atentados. Assim, analisamos os casos na Alemanha e detectamos sinais quase idênticos.

Após isso, desenvolvemos instrumentos para analisar a comunicação de pessoas alienadas e seus comportamentos, assim como a melhor maneira de intervir. Agora oferecemos sobretudo oficinas de dois dias para psicólogos, policiais e funcionários de escolas e empresas. Nós lhes ensinamos como fazer avaliações de riscos em suas próprias instituições.

Que sinais as pessoas aprendem a observar?

Em primeiro lugar, algo deu errado para o agressor potencial. Ele tem um problema que não consegue superar. Essas pessoas são sempre muito depressivas e muito iradas. Em seguida, passam a considerar uma solução violenta para seu problema e falam de coisas violentas. É o que chamamos "vazamento": eles emitem sinais diretos ou indiretos. Como as peças teatrais que o atirador de Virginia escrevia.

Então começam a preparar o atentado, definir quando podem cometê-lo, comentam-no mais detalhadamente. Por fim, declaram que algo de grande vai acontecer. Se têm amigos, dizem: "Não vá à escola em tal dia". Elas podem começar a doar suas posses, no que intitulamos "comportamento do ato final". O atirador de Emsdetten deu sua arma favorita a um amigo. Outro sinal de alto risco neste último estágio são os comentários sobre outros massacres em escolas.

Freqüentemente parece claro, em retrospecto, que alguém estava à beira de um ato extremo. Entretanto esses eventos continuam acontecendo. Por quê?

Bem, na realidade muitos eventos foram evitados através da prevenção. Há excelentes programas no EUA. No caso de Virginia, foi simplesmente azar. Na verdade eles não tinham um programa de gerenciamento. Precisamos de mais "administradores de ameaça" em escolas e organizações, aptos a reconhecer os indicadores de risco. Temos que compreender que as pessoas que cometem tais atos estão em crise, quanto mais cedo receberem ajuda, menor o risco de que algo aconteça. A primeira iniciativa de um administrador de ameaça é conversar com a pessoa em questão. Na maioria dos casos não há nada de grave, e tudo está bem.

Assassinatos em massa são um assunto bastante macabro. Como o seu trabalho vem sendo recebido na Alemanha?

Logo após Erfurt, em 2002, ninguém estava interessado. Tivemos que financiar os programas com nosso próprio dinheiro. Mas aí veio Emsdetten, que despertou enorme interesse. Ninguém acredita que algo assim possa acontecer no seu meio. Por isso ninguém acreditou em nossa mensagem, de que há sempre sinais de advertência e de que estes podem ser detectados. Mas a coisa agora mudou.

Qual é a participação da mídia em tragédias como a de Erfurt?

O terrível é que se trata de uma nova forma de violência, devida à mídia e à internet. É uma nova maneira que rapazes – apenas 4% dos criminosos são mulheres – encontram de "ser alguém". Eles se sentem perdidos, sentem que foram tratados injustamente e precisam de alguma forma de vingança. Isso é bastante novo.

Eles sempre olham para Columbine. Quase todo autor de um massacre em escola vê nesse caso uma espécie de matriz. Eles lêem a respeito e se identificam com os assassinos. E a novidade mais terrível é deixarem algum tipo de mensagem final, o atirador de Emsdetten fez o mesmo. Eles a colocam na internet, enviam-na para a mídia e podem fantasiar que, após a sua morte, todo o mundo vai ouvi-los e vê-los. Os EUA cometeram um horrível erro ao publicar os vídeos do atirador de Virginia, é a pior coisa que poderiam ter feito. Agora é maior a probabilidade de que haja uma imitação do crime.

A tendência é considerarmos os massacres em escolas como um fenômeno contemporâneo. Entretanto já na década de 1920 encontramos referências a esse tipo de assassinato em massa. Trata-se de um problema de longa data?

Nos casos anteriores, pessoas de fora atacavam as escolas. Antes de meados dos anos 1990 não havia praticamente nenhum caso de massacre como os que conhecemos hoje em dia. Entre 1992 e 1995, os crimes desse gênero assumem uma nova, terrível, dimensão.

A pesquisa psicológica detecta algo intitulado "efeito Werther", inspirado no romance de Goethe [de 1774, cujo protagonista dá um tiro na cabeça]. Já na época houve casos de suicídios por imitação: os rapazes eram encontrados vestidos como Werther ou tendo o livro ao seu lado. Assim, esse efeito da mídia de massa é antigo, provavelmente datando dos primeiros livros impressos.

Mas o que é novo é o acesso à internet, onde podemos obter quantidades enormes de informação. Você tem as seqüências de vídeo, pode ver o atentado contra Columbine, fica sabendo tudo sobre os autores. E a dimensão mais recente é a declaração final. Embora sendo alemão, o atirador de Emsdetten fez a sua declaração em inglês, dizendo: "Quero que todo o mundo escute a minha história".

Portanto há, sim, uma longa tradição iniciada há 200 anos. Mas agora a coisa ganhou uma nova qualidade.

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