1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Interculturalidade na criação literária

Estrangeiros que chegaram adultos ao país, filhos de imigrantes ou membros de minorias alemãs no exterior, uma coisa eles têm em comum: são encaixados pelo mercado editorial na categoria "literatura de migrantes".

default

Literatura 'nacional' ou 'universal'?

Aos escritores "cuja língua materna não é o alemão", embora escrevam no idioma do país, é destinado anualmente o Prêmio Adelbert von Chamisso, concedido desde 1985. Os autores em questão, embora tematizem com freqüência, em suas obras, questões relacionadas à construção da identidade cultural, costumam demonstrar uma certa resistência a rótulos como Migrantenliteratur (literatura de migrantes).

Essa denominação certamente pareceria absurda nos países vizinhos França e Reino Unido, onde não seria bem visto categorizar a obra de um escritor nascido no país, que domine perfeitamente o idioma, de "literatura de migrante".

Transição de culturas

Autor Wladimir Kaminer

Wladimir Kaminer: 'Meus leitores gostam do que escrevo. A eles não importa minha origem'

"Decisivo para a concessão do Prêmio Adelbert von Chamisso é, além da qualidade literária, o câmbio de idioma e cultura pelo qual estes autores, via de regra, passaram. Há também casos limítrofes, como o de escritores que nasceram na Alemanha, mas cresceram bilíngues, como o de Zsuzsa Bánk [filha de imigrantes húngaros nascida em Frankfurt]. E outros que, embora tenham vindo ainda na infância para a Alemanha, mantêm o outro idioma, como [o turco-alemão] Feridun Zaimoglu", diz Klaus Hübner, um dos organizadores do prêmio concedido pela Fundação Bosch.

Ser considerado "escritor alemão não-alemão", apesar do toque aburdo da denominação, acaba muitas vezes se tornando um bônus para estes autores no mercado. O russo Wladimir Kaminer, que se mudou já adulto para Berlim e é autor de diversos livros publicados no país, acredita que rotular um autor pela sua origem é mais uma tendência da mídia que da opinião pública.

Mudança de percepção

Adel Karasholi, syrischer Autor

Adel Karasholi: 'significados e associações comuns'

"Os meus leitores não se interessam pela minha origem. Essa questão é inspirada pela mídia e não vem da sociedade em geral. O leitor gosta ou não daquilo que lê. Só isso", acredita Kaminer. Após deixar a então União Soviética com o fim da Cortina de Ferro, o escritor diz que "não teve outra escolha, exceto escrever em alemão, uma vez que sempre quis atingir um público amplo".

Outro fator que leva à adoção de um "outro idioma" é a mudança gradual de percepção por que passam os migrantes em geral. "Chegou um momento em que a língua árabe, na qual escrevia meus poemas, passou a me distanciar daquilo que eu vivia em companhia dos outros e da língua destes, com todos seus significados e associações. Percebi que para dialogar com este Outro teria que fazer uso destes mesmos significados e associações", conta o sírio Adel Karasholi, que vive na Alemanha há 45 anos e há muito escreve em alemão, tendo sido várias vezes premiado no país.

Grande trunfo

Negar o passado e ignorar a alteridade para Kaminer, porém, está fora de cogitação. "Certamente minha origem é um grande trunfo, a partir do qual eu crio. Ter vivido 23 anos sob o socialismo é uma experiência inesquecível", completa o escritor, cuja literatura enfoca com freqüência o estranhamento do estrangeiro no dia-a-dia berlinense.

Clique para continuar lendo.

Leia mais