Institutos econômicos vêem Alemanha à beira da recessão | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.10.2008
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Economia

Institutos econômicos vêem Alemanha à beira da recessão

Principais institutos de pesquisa econômica do país vêem Alemanha à beira da recessão. Em seu prognóstico de outono, especialistas sugerem saídas para impulsionar a conjuntura e dizem que crise seria pior sem emergentes.

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Crescimento econômico de 2009 será de apenas 0,2%

Para os principais institutos de pesquisa econômica da Alemanha, da Áustria e da Suíça, a economia alemã está à beira da recessão. Em seu prognóstico de outono, apresentado nesta terça-feira (14/10) em Berlim, eles prevêem um crescimento econômico de apenas 0,2% para 2009, índice bem inferior ao 1,8% registrado neste ano.

"A Alemanha foi especialmente afetada pela fraca conjuntura da economia mundial, que derrubou principalmente a demanda por bens de investimento, de importância fundamental para as exportações alemãs. As expectativas em todos os setores são ruins de um modo que só pudemos observar em épocas de recessão", explica o professor Udo Ludwig, do Instituto de Pesquisa Econômica de Halle (IWH).

Também o mercado de trabalho, onde se vinha observando um desenvolvimento positivo, será afetado, podendo registrar até 350 mil novos desempregados até o final do ano que vem. Na opinião dos especialistas, estão ameaçadas de recessão principalmente as nações exportadoras e as industrializadas nas quais o setor financeiro e de construção civil desempenha um papel importante. Estados Unidos, Europa e Japão serão os maiores afetados.

Emergentes servem de apoio

Mas a situação seria ainda mais dramática sem os países emergentes, explica o economista Axel Linder, de Halle. Pois eles continuam crescendo e sua demanda serve de apoio à economia internacional. "Também lá diminuiu o crescimento da produção. Mas quando vejo os indicadores antecedentes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre os chamados países do Bric – Brasil, Rússia, Índia e China –, eles continuam bem altos e não há por que ser tão pessimista."

Os especialistas estão certos de que o impacto da crise e dos pacotes de estabilização dos mercados sobre o orçamento público será grande. Mesmo assim, desaconselham que se opte por uma política orçamentária mais austera no atual contexto. Em vez disso, o Estado deve ter participação nos possíveis lucros da crise dos bancos para posteriormente cobrir os gastos que tiveram com os pacotes de salvamento, afirma Udo Ludwig.

"Isso não significa que a política de consolidação orçamental deve ser completamente abandonada. A partir de 2010, se deveria cortar subsídios de modo mais eficiente que o previsto e limitar o aumento dos gastos com consumo", explica.

Novos impulsos à conjuntura

Em vez de conter o orçamento, é preciso dar novos impulsos à conjuntura. No entanto, isso não deve ser feito por meio de programas clássicos, e sim aliviando de forma significativa o contribuinte a fim de elevar seu poder aquisitivo. Entre outras coisas, seria necessário, por exemplo, reduzir os encargos sociais, argumenta o professor Joachim Scheide, do IFW em Kiel.

"Claro que também seria necessário reduzir o imposto de renda. Nossa sugestão é que, se não se quer fazer uma ampla reforma tributária, que ao menos se restituam os aumentos indiretos. Esta é uma medida que já melhoraria a conjuntura."

Os especialistas não podem prever ao certo a velocidade com que a conjuntura se recuperará, pois isso vai depender da dimensão e da duração da crise financeira. Mas ressaltam que é provável que seja possível conter a crise dos bancos já nos próximos meses. Se for assim, a conjuntura econômica poderia dar sinais de restituição já em meados de 2009.

Por mais paradoxo que pareça, a própria crise atual poderia contribuir para isso, pois provocou uma forte redução do preço de matérias-primas. Isso contém a inflação, aumenta o poder de consumo do contribuinte e alivia a economia.

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