″Iniciativa de Lula na ONU de suma importância″ | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 21.11.2004
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

"Iniciativa de Lula na ONU de suma importância"

No encerramento de sua viagem à América Latina, ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, fala à DW-WORLD sobre os resultados da visita e as perspectivas de uma cooperação entre europeus e latino-americanos.

default

Joschka Fischer na Câmara Alemã de Indústria e Comércio em São Paulo (19/11)

DW-WORLD ― Senhor ministro, após visitar a Guatemala e o Brasil, o senhor conclui em São Paulo sua visita oficial à América Latina. Qual o significado que esta região do mundo tem para a Alemanha?

A tendência dos últimos anos, sobretudo por parte das empresas, é de voltar a atenção para o Oriente, principalmente para a China, mas acho que a América Latina vai voltar a ganhar peso no futuro. As relações da UE com o Mercosul são muito importantes, embora lamentavelmente não tenham progredido. Mas creio que, com boas intenções de ambos os lados, isso há de dar certo. A participação dos países latino-americanos nas peace keeping operations seria o terceiro fator importante. O desenvolvimento da democracia é positivo e, caso seja acompanhado de desenvolvimento econômico e de uma cooperação nas operações de paz, isso permitirá uma interessante parceria entre a Europa e a América Latina.

DW-WORLD ― A América Latina superou as ditaduras, mas ainda tem muito chão pela frente até estabelecer um sistema democrático e acabar com a pobreza. Como os latino-americanos e os europeus podem cooperar neste sentido?

As experiências com ditaduras na Europa também foram péssimas. Estamos satisfeitos de as termos superado através da integração. Creio que a integração na América Latina é um aspecto muito importante, considerando a experiência européia de que a integração pode aumentar o crescimento e diminuir a pobreza. A luta contra a pobreza e em especial contra a fome é relevante para garantir a estabilidade democrática. Considero de suma importância a iniciativa que Lula apresentou há alguns meses na assembléia geral das Nações Unidas. Pretendemos participar disso dentro do limite das nossas possibilidades.

DW-WORLD ― Os europeus encontraram um caminho através da unidade, primeiro com a comunidade e depois com a União Européia. Como os latino-americanos podem aproveitar esta experiência?

É uma experiência muito importante, sobretudo porque na América Latina não existem obstáculos tão grandes como na Europa, como as diferenças lingüísticas. Neste continente, falam-se em grande parte duas línguas bastante semelhantes. Além disso, acho que a integração em um grande mercado comum, se estimulada energicamente, pode oferecer grandes vantagens. Outro fator importante da experiência européia é que os países grandes têm que levar os pequenos em consideração, para que a integração funcione. As conversas têm mostrado que há grande consciência disso, e não só no Brasil.

DW-WORLD ― A Europa e a América Latina compartilham valores comuns na maioria dos assuntos internacionais de hoje. Como se podem unir melhor as forças para impulsionar a reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança?

Neste sentido, sempre há interesses divergentes, não entre europeus e latino-americanos, mas nos respectivos grupos regionais. Isso não é segredo nenhum. No entanto, acho que uma reforma do Conselho de Segurança é de interesse de todos.

Um mundo globalizado no século 21 precisa de uma ordem baseada em instituições fortes e as Nações Unidas desempenham um papel imprescindível neste processo. Sem a ONU, a situação do mundo seria bem pior e muito mais perigosa. A única força das Nações Unidas, com sua estrutura que remonta a 1945, é sua força de legitimação baseada em um consenso. E este consenso pressupõe representatividade, ou seja, que todos os continentes e todas as regiões relevantes do continente estejam representados.

Se entrarmos em acordo a este respeito, pode funcionar. Mas dentro de cada grupo regional existem os próximos, ou seja, aqueles que já não participam de forma contínua em um novo Conselho de Segurança e vêem as coisas de outro ângulo. Isso é o que acontece entre nós, europeus, e também dentro do grupo asiático e do latino-americano. Veremos se será possível se chegar a um consenso.

DW-WORLD ― Atualmente, a segurança internacional depende da situação no Iraque e no Oriente Médio. Quais perspectivas o senhor vê para uma cooperação com os latino-americanos neste sentido?

Há um grande consenso nas conversas que tenho tido, seja quanto à preocupação ou quanto à perspectiva. Todos sabem da importância que isso tem para a paz mundial e para a economia internacional. O que se revelou nas conversas em Brasília é que a maioria das questões é consensual.

Leia mais