Indianos vão às ruas apoiar greve de fome de militante anticorrupção | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.08.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Indianos vão às ruas apoiar greve de fome de militante anticorrupção

Milhares de pessoas foram às ruas na Índia em apoio à greve de fome de um veterano ativista anticorrupção preso. Mesmo liberado, Anna Hazare, de 74 anos, diz que só deixa a prisão quando suas condições forem aceitas.

default

Crescem as críticas ao governo indiano depois que uma controvérsia sobre leis mais severas contra corrupção levou milhares às ruas do país.

Anna Hazare, um famoso ativista anticorrupção de 74 anos, foi preso junto com centenas de seguidores após ter iniciado uma greve de fome por tempo indeterminado num local público. Apesar de ter sido liberado nesta quarta-feira (17/08), ele se recusa a deixar a prisão em Nova Délhi. Com isso, os protestos em massa em favor de Hazare cresceram em todo o país.

De acordo com o assessor de Hazare, Manish Sisodia, o militante começou na terça-feira, na prisão, uma greve de fome por tempo indeterminado. Milhares de pessoas protestaram em favor de Hazare na quarta-feira em Nova Délhi e outras cidades. Por pressão da oposição, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, discursou no Parlamento a respeito da situação.

"Totalmente infundada"

Primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh

Primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh

Singh criticou a greve de fome como "totalmente infundada" e defendeu a posição de seu governo e a prisão temporária de Hazare e cerca de 1.400 dos seus seguidores. O primeiro-ministro disse que seu governo havia apresentado uma lei anticorrupção ao Parlamento e que Hazare questiona a soberania do Parlamento ao exigir que a sua versão da lei seja adotada. "A questão é saber quem redige a lei e quem faz a lei", disse, adiantando que a legislação é "prerrogativa exclusiva" do Parlamento. Singh teve de interromper o seu discurso por diversas vezes sob vaias da oposição.

"É dever do governo preservar a paz e a tranquilidade", continuou Singh. Ele acrescentou que a polícia "não teve outra alternativa a não ser a detenção, já que Hazare deixou claro que não iria se ater aos requisitos estipulados para seu protesto". Hazare se recusou, entre outras coisas, a limitar em somente três dias sua greve de fome, planejada para ser realizada por tempo indeterminado num parque em Nova Délhi, e a restringir seu número de seguidores.

Seguidor de Gandhi

Com seu protesto, Hazare já obrigou governo a negociar

Com seu protesto, Hazare já obrigou governo a negociar

Hazare tinha apelado aos seus partidários em todo o país para se "manifestarem para salvar a democracia na Índia". Seguidor dos ensinamentos de Gandhi, ele já tinha levado o governo a negociar sobre a lei, depois de ter feito uma greve de fome que contou com a adesão de diversas pessoas. Ele se recusa agora a deixar a prisão enquanto as autoridades não permitirem que ele faça greve de fome por tempo indeterminado. "Ele continuará na prisão até ter permissão para jejuar incondicionalmente", afirmou um advogado de Hazare.

O ativista considera insuficiente a lei levada pelo governo indiano ao Parlamento no dia 4 de agosto. Um dos muitos pontos de discórdia é se o primeiro-ministro e juízes devem também ficar sujeitos à autoridade de uma nova e poderosa instituição de combate à corrupção.

O governo da Índia está sofrendo críticas há meses por causa de uma série de escândalos de corrupção que chegaram até o nível ministerial, incluindo, entre outras coisas, um escândalo envolvendo casos de suborno na concessão de licenças de telefonia celular, no qual o Estado perdeu bilhões de dólares.

MD/afp/lusa/dpa
Revisão: Carlos Albuquerque

Leia mais