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Mundo

Indústrias bélicas de Ucrânia e Rússia são interdependentes, apesar da crise

Colaboração entre empresas de armamentos esfria, mas não é suspensa. Rússia precisa de ucranianos para manter seus mísseis. Ucrânia depende das exportações para o vizinho.

O atual clima de tensão entre a Rússia e a Ucrânia faz com que a cooperação industrial militar entre os dois países seja cada vez mais questionada em Kiev. A empresa estatal ucraniana de equipamentos bélicos Ukroboronprom, por exemplo, suspendeu todos os fornecimentos à Rússia depois que Moscou anexou a Crimeia. Mas a cooperação entre os dois países nessa área ainda é estreita e tem uma longa tradição.

Nos tempos soviéticos, um terço das empresas da indústria de defesa da União Soviética se localizava no sudeste da Ucrânia. Desde o colapso do bloco, em 1991, a capacidade da indústria bélica ucraniana se reduziu a quase um quinto, mas o país conseguiu manter até hoje seu potencial científico e de pessoal.

De acordo com o Centro de Estudos sobre Forças Armadas, Conversão e Desarmamento – instituição ucraniana não governamental de pesquisa –, tanto 130 unidades do grupo Ukroboronprom quanto várias empresas privadas de defesa dependem exclusivamente de exportações para existir.

Mais de 45% dos equipamentos militares da Ucrânia são destinados à Ásia, 30% das encomendas são enviadas aos países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), de ex-repúblicas soviéticas. Em 2013, as exportações ucranianas para a Rússia totalizaram 1,2 bilhão de dólares, um terço de seu faturamento total.

Importância das empresas ucranianas

"As conexões russo-ucranianas na área industrial-militar se mantiveram estreitas ao longo das últimas duas décadas", afirma o analista militar Serguei Zgurets, diretor da empresa de consultoria ucraniana Defense Express.

Ele cita, como importantes pontos de cooperação da indústria de defesa da Rússia com a Ucrânia, o fornecimento de motores aeronáuticos pela empresa ucraniana Motor Stich e a venda de turbinas pela Zorya Mashproekt, que equipa diversos navios russos.

"Particularmente importante é o trabalho de manutenção dos mísseis nucleares russos por especialistas ucranianos", frisa Zgurets. Ele é realizado pelo desenvolvedor estatal de mísseis Yuzhnoe, assim como pela fabricante de foguetes, satélites e veículos espaciais Yuzhmash, que produziu os primeiros foguetes soviéticos.

"A Ucrânia dispõe de documentos exclusivos sobre um terço de todos os mísseis existentes na Rússia. Além disso, a Rússia não será capaz de formar tão rapidamente seus próprios técnicos de manutenção", considera Zgurets.

Dependências mútuas

"Seria muito doloroso para a Rússia se os ucranianos não fizessem mais a manutenção dos mísseis balísticos intercontinentais do tipo RS-20", afirma o especialista militar russo Alexander Goltz, em entrevista à DW, ressaltando que a indústria militar ucraniana dispõe de tecnologias das quais a Rússia ainda depende.

Cerca de 400 empresas – o equivalente a mais de um terço da indústria de defesa da Rússia – cooperam com a Ucrânia. "Um corte desses laços prejudicaria o programa estatal de armamentos da Rússia", sublinha Goltz. Com o programa, a ser implementado até 2020, Moscou quer modernizar suas Forças Armadas. "Para se tornar independente da Ucrânia, a Rússia tem que construir suas próprias empresas. Mas isso exigiria muito dinheiro e tempo."

Goltz ressalta que "a cooperação militar-industrial é benéfica para ambos". Uma desaceleração deste intercâmbio com a Rússia teria grande impacto sobre a indústria de defesa ucraniana e ameaçaria milhares de empregos na região sudeste do país. "As exportações de armas são uma das poucas fontes regulares de renda para Kiev", destaca. De acordo com Goltz, os produtores de armas ucranianos também dependem de muitas peças de fornecedores russos.

Possível ajuda europeia

Zgurets descarta uma suspensão radical da cooperação, observando que até agora não foi rescindido o acordo bilateral Kiev-Moscou sobre a cooperação entre empresas do setor de defesa. O especialista militar ucraniano acredita, por exemplo, que a empresa Motor Stich entregará neste ano 400 motores de helicópteros para a Rússia, como planejado.

Ao mesmo tempo ele prevê que a cooperação da Ucrânia com a Rússia ficará cada vez mais difícil, enquanto uma colaboração com empresas da União Europeia ganha cada dia melhores perspectivas.

"Fabricantes europeus estão interessados em entrar no mercado ucraniano. E há na Ucrânia uma necessidade de modernização. Entre 70% e 90% dos equipamentos militares têm que ser substituídos, assim como na Rússia", avalia Zgurets. Essa modernização, segundo ele, pode ser implementada com tecnologia europeia.

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