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Economia

Indústria fonográfica rejeita mea culpa

As vendas de CDs e discos recuam no mundo inteiro. A música fonográfica busca culpados e corre atrás do prejuízo com truques para evitar cópias piratas. O difícil é reconhecer sua parte de culpa.

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Venda de CDs virgens supera a dos gravados

Antigamente, a indústria e os negociantes do setor fonográfico esfregavam as mãos de satisfeitos, na época natalina, quando as vendas explodiam. A situação mudou e o fenômeno é mundial. O faturamento de música gravada recuou no mundo inteiro em 9,2% nos primeiros seis meses deste ano, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). Já no ano passado, ele havia caído em 5%. Mesmo considerando que geralmente 60% das vendas anuais são feitas no segundo semestre, ninguém mais espera um milagre.

Na Alemanha, os apreciadores de música compraram de janeiro a junho 97 milhões de CDs, discos em vinil ou fitas cassete, 11 milhões de unidades a menos do que no mesmo período do ano passado. O país perdeu para a França a quarta posição entre os maiores mercados do mundo para a música.

Truques x pirataria — Em suas análises da situação, a indústria fonográfica logo encontra a grande vilã da história: a tecnologia. A coisa mais fácil do mundo, hoje, é baixar suas músicas prediletas da internet e gravar seus próprios CDs com seleções personalizadas. Em 2001, a venda de CDs virgens na Alemanha superou pela primeira vez a de CDs gravados. Com isso, o setor perde um terço de seu faturamento potencial, queixa-se Gerd Gebhard, presidente da Confederação da Indústria Fonográfica Alemã.

A entidade já tomou medidas contra isso: "Estamos tentando colocar proteção contra cópias em todos os produtos que estão sendo lançados", diz Gebhard. E, além disso, fazendo lobby para conseguir a introdução de uma lei que proíba as técnicas que permitem quebrar a proteção.

Faz parte ainda da luta contra a pirataria o truque de ludibriar os usuários por meio dos chamados spoofings, ou seja, a inundação das redes de compartilhamento de dados com arquivos falsos.

Mudança de hábitos — Por outro lado, Gebhard está convencido de que há outros motivos para as transformações no mercado de música: a mudança de hábitos entre os jovens. Enquanto antigamente se colocava um disco ou CD para tocar, assim que se chegava em casa, o pessoal hoje liga o computador. Juntando-se a isso os canais do tipo da MTV, a música está onipresente. Ninguém mais precisa comprar um CD para ouvir os sucessos do momento, argumenta ele.

Setor dormiu no ponto — Não há dúvida, porém, de que a indústria fonográfica tem boa parte de culpa nessa situação. Muitos críticos lamentam que as empresas não sejam capazes de tornar os CDs originais mais atraentes para os consumidores, seja através de preços mais acessíveis, seja por meio de brindes, tais como pôsteres ou outras lembrancinhas para os fãs.

O maior erro, contudo, foi não ter conseguido criar sua própria oferta legal na internet, capaz de concorrer com os serviços de troca de arquivos privados. As tentativas da indústria fonográfica — tanto na Alemanha como em outros países — são mais do que incipientes. E não conseguem solucionar todas as questões jurídicas, como critica a revista alemã Chip, após um teste em que comparou as ofertas do popfile.de, musicondemand.de, fullaudio.com e weblisten.com com a do KaZaA.

Mesmo que tudo isso estivesse solucionado — a questão dos direitos autorias, a proteção contra cópias e a oferta na internet —, ainda faltaria um fator importante para o renascimento do setor da música: novas tendências e novos nomes. Há anos, a indústria fonográfica vem apostando em nomes já consagrados, sem se dar ao trabalho de fomentar e consolidar novos talentos.

Quando novas bandas ou solistas são lançados, isso acontece sob a pressão de fazer sucesso imediato, o que tem feito com que eles surjam e desapareçam como se fossem meteoros. Está na hora de os garimpadores de talentos entrarem em ação. Aí talvez a indústria e os negociantes do setor fonográfico possam voltar a esfregar as mãos de satisfeitos, na época natalina.

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