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Alemanha

Indústria alimentícia engana consumidor usando jogadores de futebol em publicidade

Jogadores de futebol famosos servem de garotos-propaganda no comércio de alimentos. Organizações de defesa do consumidor alertam para estratégia enganosa de usar desportistas para vender doces e alimentos gordurosos.

Pediatras e organizações de defesa do consumidor denunciam há muito que os alimentos destinados às crianças costumam conter gordura, sal e açúcar demais. Durante a Eurocopa 2012, tem sido feita uma publicidade intensa desse tipo de alimentação não saudável, critica o Partido Verde, acusando as empresas do ramo de desrespeito ao código de ética, que proíbe peças publicitárias voltadas especificamente para crianças abaixo de 12 anos.

Para Bärbel Höhn, líder da bancada verde no Parlamento alemão, muitos dos alimentos vendidos como "típicos dos torcedores de futebol" são verdadeiras bombas calóricas. Recentemente, o Partido Verde mandou examinar, em cooperação com Michael Radke , diretor do Departamento Pediátrico e Juvenil do Hospital de Postdam, dezenas de alimentos comercializados por seus fabricantes como "produtos para torcedores da Eurocopa". Segundo o estudo, 75% destes alimentos são guloseimas, bebidas doces ou petiscos. E outros 10% são bebidas alcoólicas.

Metade dos alimentos examinados, segundo a pesquisa, continham mais de 500 calorias por 100 gramas. O estudo critica o fato de que esses produtos também contenham figuras de quadrinhos, adesivos de times de futebol, figurinhas ou tatuagens ligadas ao esporte, sendo especialmente destinadas às crianças. Com esse tipo de ação, os fabricantes tentam atrair o consumidor para seus produtos, incitando a compra.

Dados incompreensíveis

Para o pediatra Michael Radke, o mais importante desse estudo é um ponto há muito criticado por ele e por outros pediatras: o fato de as indicações de ingredientes nas embalagens de doces e outros alimentos destinados às crianças não serem claras. "Quem tem um neto e quer comprar doces para ele, não tem como ler aquelas letrinhas mínimas estampadas nas embalagens sem uma lupa enorme. E mesmo se conseguir ler, não vai entender o que de fato se esconde por trás", diz Radke.

Tamanho da porção: truque usado pela indústria alimentícia

Tamanho da porção: truque usado pela indústria alimentícia

As organizações de defesa do consumidor criticam há muito a indicação de "saudável" nas peças publicitárias de alimentos que na realidade contêm muita gordura e açúcar. A organização Food Watch realizou no início deste ano uma pesquisa envolvendo aproximadamente 1.500 alimentos destinados ao consumo infantil.

O resultado: petiscos doces ou gordurosos, que, segundo as recomendações oficiais de nutrição só devem ser consumidos com muita parcimônia, constituem quase 75% dos produtos. Ou seja: com a oferta em escala industrial de alimentos infantis, fica praticamente impossível manter uma alimentação saudável.

Junk fooddá mais lucro

A razão da publicidade em torno de alimentos não saudáveis é, na opinião da organização Food Watch, clara: "Frutas e verduras dão muito menos lucro. Com isso que se chama de junk food e refrigerantes, os lucros são muito maiores. Não vale a pena, do ponto de vista financeiro, oferecer produtos saudáveis às crianças". Enquanto legumes e frutas têm uma margem de lucro de menos de 5%, a venda de doces, refrigerantes e petiscos resulta em lucros superiores a 15%.

Hoje, a indústria alimentícia é obrigada a listar todos os ingredientes na embalagem de cada produto, junto do que se chama de valor de GDA (Guideline Daily Amont), uma diretriz para as necessidades diárias de açúcar, gordura, ácidos graxos saturados e sal.

A dificuldade é que os dados desse guia diário de consumo baseiam-se buma porção do produto cujo tamanho o próprio fabricante escolhe. E o consumidor frequentemente acaba comendo muito mais daquele produto no dia, o que elimina totalmente o valor da indicação.

Sinal vermelho para alimentos não saudáveis

Sinal vermelho para gordura e açúcar demais

Sinal vermelho para gordura e açúcar demais

Por isso, o pediatra Radke defende indicações mais óbvias, como num sinal de trânsito – uma medida que vêm sendo há muito reivindicada pelas organizações de defesa do consumidor: "Trata-se de uma declaração simples e facilmente compreensível: verde para bom, vermelho para ruim, como por exemplo para o caso de excesso de sal". Pois todo o mundo sabe que um consumo exagerado de sal não faz bem à criança. "Por isso, petiscos muito salgados, como por exemplo batatinhas fritas, deveriam receber sinal vermelho. Essas coisas simples, que poderiam ser regulamentadas, não foram definidas. E é isso que criticamos."

Segundo o médico, o principal problema não está nas substâncias sabidamente tóxicas, pois há proibição de utilizar as mesmas na fabricação de brinquedos ou de alimentos destinados às crianças. Já no caso do açúcar, do sal e da gordura, tudo depende da dosagem. O consumidor é, nesse contexto, levado à loucura. E isso está acontecendo principalmente durante a Eurocopa, com o apoio de personalidades conhecidas do público, acentua Radke.

"Um jogador da seleção alemã faz propaganda para um café da manhã reforçado, com sucrilhos. Mas se você pegar a embalagem, vai ver que ali tem uma percentagem altíssima de açúcar. Ou seja, o produto não deveria ser considerado como um café da manhã reforçado, mas sim como um doce", completa Radke.

Perigo: embalagens enganosas

É compreensível, do ponto de vista econômico, que a indústria alimentícia use ídolos juvenis para vender seus produtos. Mas considerando que metade dos alemães tem problemas de excesso de peso – com as devidas consequências de diabetes ou distúrbios de circulação – há de se considerar duvidosas as propagandas feitas por jogadores de futebol.

Índice de obesidade infantil é alto na Alemanha

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"Causamos danos à saúde da população quando desportistas, considerados exemplos de físicos robustos, fazem propaganda de coisas especialmente nocivas às crianças. Isso é um engodo", diz Michael Radke.

Não há, na realidade, regras a serem respeitadas quanto à dosagem de açúcar e gordura nos alimentos. Neste caso, quem decide é o consumidor. Radke diz que, além das declarações de ingredientes pela indústria alimentícia, os supermercados também poderiam contribuir para melhorar a situação com medidas simples. "Pois enquanto as diversas barrinhas e incontáveis doces forem oferecidos concentradamente nas proximidades dos caixas, à altura dos olhos das crianças, continuaremos diante desse problema".

Autor: Günther Birkenstock (sv)
Revisão: Augusto Valente

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