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Ciência e Saúde

Indígenas aprendem sobre ciência para defender as florestas

Áreas habitadas por povos indígenas armazenam 20% do estoque de carbono do planeta. Para preservar as florestas em pé, indígenas se organizam para falar a língua dos cientistas e serem ouvidos pelos governos na COP21.

A língua materna de Juan Carlos Jintiach é falada apenas por cerca de 40 mil indígenas da etnia Schuar que vivem na Floresta Amazônica do Equador. Para conseguir explicar ao mundo a importância da mata preservada, ele aprimorou o espanhol, aprendeu inglês e foi para a universidade, onde estudou Manejo de Recursos Naturais.

Jintiach preside a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que reúne mais de 400 etnias em oito países da América Latina. Para a Conferência do Clima em Paris (COP21), ele aprimorou ainda uma outra linguagem: a científica.

"Nós, os povos indígenas, estamos tentando falar a língua que os governos e todo mundo entende. Por isso, reunimos informações científicas para que eles vejam por meio de dados a importância das florestas", explicou Jintiach.

Com a ajuda de cientistas como Stephan Schwartzman, indígenas que vivem em florestas tropicais de todo o mundo quantificaram o estoque de carbono que essas matas armazenam. O estudo "Florestas Tropicais e Territórios Indígenas", do qual o pesquisador participou, revela que as áreas habitadas por povos indígenas armazenam 20% de todo o estoque de carbono da superfície terrestre.

Frankreich, Candido Melua Salazar, Indigener aus Panama bei der COP 21

Cândido Mezua Salazar, do Panamá: "Estamos nas florestas que estão protegendo o planeta das mudanças climáticas"

Na COP21, o público internacional parece interessado na mensagem dos indígenas. Eles ganharam apoio inclusive do príncipe Charles. "Estou contente em ver os povos que vivem da floresta representados aqui. Eu acredito que temos que fazer tudo quer for possível para apoiar essas comunidades que vivem dentro da floresta ou convivem com ela, para que continuem a proteger essas matas ao longo do tempo", declarou nesta terça-feira (01/12) em evento paralelo às negociações climáticas.

Em casa, no entanto, o tratamento nem sempre é no mesmo tom da monarquia britânica. "O desenvolvimento econômico na América Latina, e no resto do mundo, historicamente supõe que tudo o que for feito depois que a floresta é cortada tem mais valor do que mantê-la em pé", analisa Schwartzman. "É por isso que os indígenas têm sido vistos como obstáculos ao desenvolvimento."

Cortar as florestas provoca tudo o que COP21 quer evitar: emissões de gases causadores do efeito estufa.

No meio da contradição

"Estamos nas florestas que estão protegendo o planeta das mudanças climáticas", diz Cândido Mezua Salazar, líder indígena do Panamá. Mas nem todos detêm o direito legal sobre as florestas onde vivem. "Viemos aqui também pra lutar pelos nossos direitos territoriais para conservar e manejar as florestas", argumenta Henderson Rengifo Hualinga, liderança peruana, que aguarda a titulação para 1.260 comunidades.

Frankreich, Henderson Rengifo Hualinga, Indigener aus Peru bei der COP 21

"Viemos aqui também pra lutar pelos nossos direitos territoriais", diz Henderson Rengifo Hualinga, do Peru

Sem a posse legal das terras, os povos indígenas ficam mais expostos às mudanças trazidas por atividades econômicas como mineração, exploração de petróleo e empreendimentos como hidrelétricas. "Tem ainda o narcotráfico, que quando entra nas terras indígenas corrompe os nossos filhos. Eles são presas fáceis, porque suas necessidades básicas não são supridas pelo Estado."

Para André Baniwa, liderança indígena no rio Negro, a questão da posse das terras no Brasil caminha a ritmo lento. "O povo do rio Negro tem 80% das terras demarcadas. Mas há um atraso de 22 anos de demarcações".

Para Baniwa, a ameaça vem de políticas como lei da mineração e a PEC 215, que, na prática, pode paralisar a demarcação e autorizar empreendimentos em áreas já demarcadas."No Brasil, onde não houver povos indígenas certamente a Amazônia será devastada. O modelo de desenvolvimento exige que se faça isso".

A ministra de Meio Ambiente, Isabella Teixeira, discorda. "É crescente a consciência de que você não precisa desmatar pra produzir ", disse à DW Brasil. Para ela, a participação do setor privado seria fundamental para manter as florestas no país. "O setor deve insistir, por exemplo, que rótulos que falem sobre transgênicos, sobre a origem do produto florestal sejam obrigatórios. E não apoiar no Congresso os trabalhos que querem flexibilizar regras que, no meu entender, atrapalham também o direito do consumidor."

Para Teixeira, existe uma consciência política sobre a importância das florestas e das áreas verdes para o bem estar do mundo. "As sociedade desenvolvidas também poderiam fazer recuperação florestal, já que destruíram as suas florestas nos séculos 17, 18 e 19, e a recuperação ajudaria no sequestro de carbono", critica a ministra.

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