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Mundo

Indícios de ataque químico na Síria voltam a pôr Obama contra a parede

Um ano após estabelecer "linha vermelha" e em meio à nova denúncia de uso de gás sarin por Assad, presidente americano ainda resiste em se envolver no conflito sírio. Tema divide inteligência e diplomacia dos EUA.

Em agosto do ano passado, o presidente Barack Obama declarou que o uso de armas químicas representaria a "linha vermelha" que, se ultrapassada, significaria o início de uma intervenção militar na Síria. E toda vez, como na quarta-feira (23/08), que o uso de tal armamento é denunciado, seu governo se vê pressionado – dentro e fora dos Estados Unidos – a tomar uma decisão.

Um ano depois do limite imposto por Obama, no entanto, um consenso sobre a intervenção ainda parece distante. Segundo o New York Times, a cúpula do Pentágono, do Departamento de Estado e da inteligência americana se reuniu na quinta-feira na Casa Branca para discutir uma possível ação militar – que poderia ser com mísseis de longo alcance ou com uma campanha aérea sustentada.

Após quase quatro horas de discussões, não se chegou a um acordo. Em entrevista veiculada nesta sexta-feira pela CNN, Obama disse que os EUA ainda estão "coletando informações" sobre o suposto ataque com gás sarin na Síria, que, segundo os rebeldes, matou 1.300 pessoas. Ele deixou claro, por outro lado, que o incidente demanda "atenção americana".

"A ideia de que os EUA podem, de alguma forma, resolver um problema sectário e complexo dentro da Síria é, às vezes, exagerada", disse Obama, que lembrou a intervenção militar no Afeganistão e os custos humanos que a entrada numa guerra implica.

Custos da guerra

O possível uso de armas químicas pelo ditador Bashar al-Assad renovou não só nos EUA o debate sobre uma intervenção militar. A França se declarou a favor do uso da força, enquanto Turquia e Israel, vizinhos da Síria, expressaram indignação e cobraram uma ação. No Ocidente, no entanto, há plena conciência de que um envolvimento na guerra síria não seria curto e que, por isso, deve ser avaliado com paciência.

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"O governo dos EUA não deseja ser envolvido em um conflito militar, sobretudo porque é muito difícil calcular os riscos com relação à vizinhança", opina Josef Janning, da Sociedade Alemã para Política Externa.

Janning lembra também que uma intervenção militar na Síria pode provocar os xiitas no Irã, que apoiam Assad, e enventualmente envolver Israel, que tem histórico de longa data de hostilidades com o atual regime síriio.

"Além disso, nos últimos dez anos, os americanos adquiriram experiência para saber que é quase impossível limitar uma ação como essas", explica o especialista.

Pressão americana

Para o deputado Omid Nouripour, integrante do grupo parlamentar sobre os Estados Unidos no Bundestag (câmara baixa), há outros motivos para a reticiência americana em dar um passo à frente e comandar uma possível intervenção na Síria.

"Os EUA não querem entrar em uma guerra no momento. Eles estão cansados e, principalmente, não têm dinheiro para financiá-la", disse Nouripour à DW.

O senador republicano John McCain, adversário de Obama nas eleições de 2008, acusou os democratas de se manterem passivos na questão síria.

"Há um ano, o presidente disse que o uso de armas químicas na Síria marcaria a ultrapassagem de uma linha vermelha", disse McCain. "Mas, como essas ameaças não tiveram nenhuma consequência verdadeira, não tiveram eco. A matança continua. Assad se mantém no poder e segue, ao que parece, usando armas químicas contra civis."

Nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assegurou que a intervenção da ONU na crise da Síria é "uma questão de tempo".

CN/ ap/ afp/ dw/ rtr

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