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Mundo

"Incidente em Ferguson reflete problema nacional", diz ativista americano

Protestos tomaram a cidade no Missouri após um policial matar um jovem negro. Tensões raciais fazem parte da realidade dos EUA como um todo, diz Adolphus Pruitt, do grupo de direitos civis NAACP, em entrevista à DW.

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Manifestantes em Ferguson protestam contra a violência policial

O caso do jovem negro Michael Brown, morto a tiros na última semana por um policial branco em Ferguson, no Missouri, gerou uma onda de protestos, expondo quão delicada ainda é a questão racial nos Estados Unidos.

A Deutsche Welle conversou com Adolphus Pruitt, presidente do braço de St. Louis da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), sobre possíveis soluções para os conflitos raciais no país. Para Pruitt, o caso de Ferguson reflete um problema que ocorre em todo o país e demanda reformas imediatas.

DW: O presidente Barack Obama disse num pronunciamento na televisão que agora é hora de reconciliação e paz. Com os protestos ainda acontecendo, já chegou mesmo a hora de reconciliação?

Adolphus Pruitt NAACP

Para Pruitt, é preciso treinar os policiais para proporcionar um tratamento mais humano e mais sensato

Adolphus Pruitt: Eu concordo 100% com o presidente. É hora de reconciliação. Nos reunimos com o chefe da polícia e queremos mostrar que a cidade de Ferguson e seu departamento de polícia estão lá para proteger os direitos dos cidadãos que querem protestar.

Então, você está satisfeito com a forma como as autoridades estão lidando com os protestos? Mesmo que a polícia esteja sendo acusada de ser agressiva demais e até militarizada?

Até agora não estou satisfeito. Mas aguardo ansiosamente pelas mudanças que acredito estarem prestes a acontecer e que espero que aconteçam. As autoridades concordaram em dar o espaço e os meios necessários para as pessoas exercerem seu direito constitucional de protestar, sem correr perigo.

A situação em Ferguson é peculiar: dois terços da comunidade são negros, mas quase não há policiais negros. As estatísticas do próprio departamento de polícia da cidade sugerem uma forte discriminação racial. As tensões raciais entre a polícia e a comunidade são um fenômeno local?

O que aconteceu com Michael Brown, e o que mostram esses números, acontece em toda a América. A única coisa que não podemos fazer é tomar este caso como um problema apenas de Ferguson ou da cidade de St. Louis ou do estado de Missouri. É um problema nacional, que ocorre em todos os lugares. O que fizermos para resolver a situação aqui deve servir de modelo a ser seguido em todo o país.

O que exatamente precisa acontecer?

Justiça para o caso Michael Brown. E isso precisa acontecer o mais rápido possível. Também é preciso que haja algumas reformas imediatas e treinar a polícia para lidar com as pessoas, não só do ponto de vista da discriminação racial. O tratamento tem que ser mais humano, mais sensato, mais flexível. Temos que chegar a um ponto em que o policial possa dizer: "Não é minha intenção e eu gostaria de não precisar interagir ou prender qualquer pessoa. Mas agora que estou lidando com você, quero fazê-lo com o mesmo nível de respeito e dignidade que eu gostaria que você tivesse quando lidasse comigo".

Depois do movimento pelos direitos civis na década de 1960 e da eleição do primeiro presidente negro em 2008, os Estados Unidos ainda têm grandes problemas envolvendo conflitos raciais?

Estamos num ponto em que a metade do copo está vazia, e a outra metade, cheia. Há a metade que ainda acredita em desigualdade racial, em desigualdade de gênero, que ainda acredita que outras pessoas são inferiores. Não sei o que precisa ser feito para acabar com esse problema, mas estou confiante de que esse é o país no mundo onde essa mudança pode acontecer.

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