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Alemanha

Inaugurado Memorial da Shoah em Paris

Novo espaço em memória às vítimas do Holocausto em Paris quer sensibilizar as novas gerações para a perseguição e extermínio dos judeus da Europa durante a Segunda Guerra.

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Muro com os nomes dos judeus deportados da França para os campos de concentração nazistas

Chirac eröffnet Europas größtes Holocaust Museum in Paris

Presidente francês Jacques Chirac observa retratos de judeus deportados da França para os campos de concentração nazistas, durante a inauguração do Memorial da Shoah, em Paris

Sessenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Memorial do Mártir Judeu Desconhecido e o Centro de Documentação Judaica Contemporânea (CDJC) criaram o Memorial do Shoah, inaugurado nesta quinta-feira (27/01) no bairro histórico de Marais, em Paris. A idéia do projeto é "multiplicar as iniciativas de sensibilização dentro de um difícil contexto nacional e internacional".

Documentação do Holocausto

O histórico do memorial revela a importância do novo espaço de reflexão sobre a Shoah na França. Foi em abril de 1943, três anos após a invasão da França pelos alemães, que Isaac Schneersohn reuniu em Grenoble 40 representantes da comunidade judaica, para criar um centro que começasse a reunir provas da perseguição nazista, a fim de se poder exigir justiça após o término da guerra.

Cinco meses depois, o CDJC teve que interromper suas atividades diante da crescente pressão nazista. Seus fundadores passaram a atuar junto com a Resistência Francesa. Durante os combates pela libertação da França, Schneersohn e seu grupo conseguiram assegurar em Paris importantes arquivos do regime Vichy e da ocupação nazista, como os da embaixada da Alemanha na capital francesa, do Estado-Maior, da Delegação Geral do governo de Vichy e sobretudo grande parte da documentação do serviço antijudeu da Gestapo.

Provas para Nurembergue e contra Barbie

Após o fim da guerra, o Centro organizou seus arquivos e começou a divulgar dados sobre o Holocausto através de uma editora própria e da primeira revista sobre a Shoah, Le Monde Juif (O Mundo Judeu), antecessora da Revue d'histoire de la Shoah (Revista da História da Shoah).

Fundamental também foi o papel do CDJC durante o processo de Nurembergue. Com base em seus arquivos, os juristas conseguiram reconstruir a participação de diversos responsáveis e cúmplices da solução final na Alemanha, na França e em Israel. Durante a década de 80, o CDJC forneceu à Justiça francesa um documento que viabilizou a acusação de Klaus Barbie, chefe da Gestapo em Lyon, por crime contra a humanidade.

Conscientização de novas gerações

Em 1956 foi inaugurado um espaço em memória às vítimas da Shoah, o Memorial do Mártir Judeu Desconhecido, concebido pelo CDJC seis anos antes e construído em um terreno doado pela prefeitura de Paris. Foi ali que o CDJC se instalou, gerando um espaço duplo de pesquisa e memória com a iniciativa prioritária de sensibilizar crianças e jovens para a história do extermínio dos judeus na Europa. Foi sobretudo esta meta pedagógica que levou ambas as instituições a planejar, em 1997, sua fusão no Memorial da Shoah.

O Memorial, que abre suas portas exatamente 60 anos após a libertação de Auschwitz, inclui uma exposição permanente sobre a Shoah e o destino dos judeus na França e na Europa durante a Segunda Guerra, além de auditório, espaço para mostras temporárias e eventos educacionais, livraria, centro de documentação, espaço multimídia e salas de leitura.

BdT: Mauer der Namen mit Namen von Holocaustopfern in Frankreich, Wiedereröffnung Holocaustmuseum in Paris

Rosette Klajman aponta o nome de sua mãe, Micha, gravado no Muro dos Nomes, no Memorial da Shoah, em Paris

A cripta do Memorial é um lugar de recolhimento em memória das vítimas de Auschwitz e do gueto de Varsóvia. Com o Muro dos Nomes, presta-se homenagem individual a todos os judeus deportados da França.

O Memorial da Shoah se situa num local simbólico, o bairro de Marais, onde a comunidade judaica parisiense – ali instalada há nove séculos – desenvolveu o comércio e o artesanato, acolheu os refugiados dos primeiros pogroms no Leste Europeu e foi em grande parte deportada para os campos de concentração nazistas, de onde poucos retornaram.

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