1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Início de um novo ciclo de terror?

Começou um novo ciclo de terror, mais amplo e violento, afirma o renomado pesquisador Walter Laqueur. Ele acha difícil atentados com armas biológicas, químicas e atômicas, mas admite que a tecnologia avança para isso.

default

Terroristas visam o maior número possível de pessoas inocentes e batarem recorde derrubando o WTC

Walter Laqueur foi o criador da pesquisa sobre terrorismo, no final dos 60. Enquanto o número de peritos no assunto multiplicou-se por milhares depois de 11 de setembro de 2001, o fundador do Institute for Strategic Research, nos Estados Unidos, continua sendo o especialista mais procurado. Em função dos conhecimentos que acumulou durante décadas, ele é consultado por governos, empresários e militares, apesar de sua atitude incômoda e demolidora de clichês.

Terroristas eram mais humanos

Em entrevista a Deutsche Welle, quando esteve há pouco na American Academy, em Berlim, o pesquisador esclareceu que o terrorismo não é mais definido de forma clara. A tática e a estratégia do terror mudaram ao longo do tempo: "Os terroristas do século 20 – irlandeses ou os russos – eram mais humanos. Eles matavam pessoas, mas não indiscriminadamente. Não explodiam bombas em jardins de infância ou supermercados. Quando queriam matar um ministro, não o faziam num fim de semana quando ele estava junto com a família. Diziam que não queriam matar inocentes."

O terrorismo se desenvolveu para muito pior, passou a crimes de proporções muito maiores, segundo o pesquisador: "Antigamente os atos terror eram simbólicos, enquanto hoje os terroristas tentam atingir um número maior possível de pessoas inocentes para ter maior ressonância na mídia e, assim, foi alcançado o recorde triste de 11 de setembro de 2001."

Terror sem motivação política

Para o pesquisador é um equívoco achar que o terrorismo tem a ver com a esquerda, a direita ou com injustiças sociais. Terrorismo é uma estratégia que pode ser usada principalmente por movimentos sociais ou grupos marginais não políticos.

Laqueur discorda da idéia de que o terrorismo é uma reação às injustiças sociais, contra a miséria no mundo e que, para combatê-lo, é preciso eliminar suas causas, garantindo justiça social: "Esta idéia nobre, politicamente correta, está superada. Os terroristas não são mais das camadas sociais mais baixas da população e o que fanáticos consideram 'injusto' é altamente subjetivo. Nos 50 países mais pobres, não existiu terrorismo durante muito tempo, embora a injustiça social fosse grande."

Capacidade de destruição em massa

Na atualidade, segundo Laqueur, estamos vivendo um ciclo novo de terrorismo e tempos de super-violência. Armas de destruição em massa – químicas, biológicas e atômicas – evocam cenários apocalípticos. Mas isso não é fácil, diz o pesquisador, porque não se pode fabricar uma bomba atômica numa garagem. E quem tentar produzir um gás letal pode morrer antes dos outros.

Mas a tecnologia progride nesse sentido e Laqueur parece convencido de que um atentado será perpetrado mais cedo ou mais tarde: "A questão é quando, onde e por quem. O que aconteceu até agora foram tentativas amadorísticas com o pó antraz, que mataram umas 5 ou 6 pessoas. As chances são de 100 para 1 de que tais tentativas não levem a nada. Mas o perigo potencial é tão grande que, se uma só tentativa entre 100 – com arma biológica (vírus e bactérias) – obtiver êxito, isto propagaria epidemias que ninguém sabe onde iriam parar."

O pesquisador não acredita que uma possível guerra internacional antiterror, como querem tentar os Estados Unidos, possa acabar com o terrorismo. Indagado se teria uma receita para curar o mal da atualidade, Laqueur respondeu: "É a mesma coisa que perguntar a um médico famoso como ele curaria um paciente que nunca viu. Cada paciente é diferente."

Leia mais