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Brasil

Imprensa europeia vê protestos como continuação da eleição

Jornais afirmam que maioria dos manifestantes pertence à classe média e que situação lembra disputa da campanha presidencial no ano passado. Publicações destacam que clima pode se tornar uma ameaça para presidente Dilma.

As manifestações que mobilizaram milhares de pessoas contra o governo e a corrupção em diversas cidades brasileiras foram destaque nesta segunda-feira (16/03) na imprensa europeia.

O prestigiado jornal suíço Neue Zürcher Zeitung escreveu que a dimensão das manifestações deixa claro que "não só a elite branca do país está frustrada com o governo". Mas observou que a multidão era formada "principalmente por membros da classe média", movidos por "raiva e decepção".

O correspondente do jornal comparou os atos do fim de semana com os protestos de 2013, escrevendo que, desta vez, "suas reivindicações eram mais claras". Os manifestantes, escreveu o diário, estavam contra corrupção e impunidade, contra o governo e diretamente contra a presidente Dilma Rousseff.

Sobre a possibilidade de um impeachment, a publicação escreve, em outro artigo, publicado também nesta segunda-feira, ser algo que os brasileiros consideram improvável de ocorrer e que a elite política brasileira, incluindo a oposição, não vê a ideia com bons olhos.

"Impotência da presidente"

A revista alemã de economia Wirtschaftswoche afirma que a situação no Brasil "parece uma continuação da acirrada disputa eleitoral de 2014, em que Dilma venceu Aécio Neves no segundo turno, com vantagem apertada. O periódico cita declarações de representantes do governo de que "não há um terceiro turno".

Brasilien Antiregierungsproteste

Deposição da presidente Dilma por impeachment foi uma das reivindicações dos protestos

A versão online do jornal Die Welt afirma que o Brasil está "atormentado por casos de corrupção" e que a "impotência" da presidente pode lhe custar seu próprio cargo. A publicação observou que os protestos "foram organizados em mídias sociais por grupos políticos de direita" e que muitos dos participantes são "seguidores da oposição, derrotada nas eleições presidenciais em outubro".

O espanhol El País observou que a manifestação em São Paulo, que encheu a Avenida Paulista, teve a participação de militantes que "pertencem à classe média, mais educada, melhor preparada e melhor informada do país". O diário avalia que o "sucesso incontestável" da mobilização se mostra perigoso para um governo "já, por si só, atribulado", devido à rejeição que a presidente enfrenta.

"Maré humana"

A versão online do francês Le Monde deu destaque às manifestações brasileiras, chamando os atos de uma "onda contra Dilma Rousseff". "Um total de 1,5 milhão de brasileiros saíram às ruas em 80 cidades, de acordo com comunicado da Polícia Militar. Uma maré humana convocada nas redes sociais que mobilizou os mais amplos setores da oposição, sem rótulos oficiais", escreveu o correspondente da publicação.

O jornal destaca que a dimensão das passeatas de domingo deixou bem distante as manifestações de apoio ao governo e à Petrobrás, convocadas por sindicatos e ocorridas na sexta-feira anterior.

O inglês The Guardian afirmou que "mais de meio milhão de brasileiros foram às ruas no domingo para protestar contra a corrupção, exigir o impeachment da presidente Dilma Rousseff e, em alguns casos, para pedir um golpe militar". O jornal destacou, também, que a manifestação em Copacabana teve, "predominantemente", participação de "pessoas brancas e de classe média".

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