Imprensa europeia vê Brasil entre ″espetáculo″ e ″dever cumprido″ | Fique informado sobre tudo o que acontece na Copa do Mundo | DW | 21.06.2010
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Copa do Mundo

Imprensa europeia vê Brasil entre "espetáculo" e "dever cumprido"

Vitória da seleção sobre a Costa do Marfim por 3 a 1 convence boa parte dos jornalistas europeus, mas também há quem ache que Brasil ainda não encantou. Lances polêmicos com Kaká e Luís Fabiano também ganharam destaque.

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Luís Fabiano toca a mão na bola na jogada do 2º gol

Vencer a Costa do Marfim por 3 a 1 e garantir classificação antecipada para as oitavas de final, mesmo estando no "Grupo da Morte" não é uma tarefa fácil. Porém, quando se trata de seleção brasileira, o nível de exigência é alto, e uma boa campanha às vezes é vista como mero dever cumprido.

Assim repercutiu na imprensa europeia a atuação brasileira na vitória diante de uma das principais seleções da África. Para alguns, o Brasil já encontrou seu futebol ideal; para outros, ainda não. O árbitro francês Stephane Lannoy também rendeu muitas linhas, graças ao lance do segundo gol, em que Luís Fabiano ajeitou a bola com o braço, e à discutível expulsão de Kaká no fim da partida.

Afinal, convenceu ou não?

Fußball WM 2010 Brasilien Elfenbeinküste

Comemoração do 3º gol, marcado por Elano

O jornal que mais elogiou a seleção brasileira foi o inglês The Sun. "Nem mesmo a escandalosa expulsão de Kaká conseguiu ofuscar a atuação espetacular e enfática do time", escreveu a matéria, que completou: "[a atuação] deixou os críticos do técnico Dunga engasgados com suas palavras".

A Gazzetta dello Sport, da Itália, também se deixou convencer pelo futebol brasileiro. "O Brasil é quase Fabuloso" foi a manchete, lembrando um dos apelidos do atacante Luís Fabiano, que marcou duas vezes.

Enquanto isto, o Frankfurter Allgemeine, da Alemanha, se mostrava mais cético. "O recordista de títulos mundiais não encanta, mas joga efetivamente. O Brasil está nas oitavas de final", limitou-se a escrever o jornal.

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Primeiro gol de Luís Fabiano foi regular

Luís Fabiano

Não só a Gazzetta dello Sport considerou o centroavante brasileiro o personagem da partida. O melhor jogador em campo – escolhido pela Fifa – também foi manchete do alemão Kicker, especializado em esportes: "Luís Fabiano atira a seleção às oitavas de final" – o verbo 'atirar', em alemão, também é usado como sinônimo de marcar gols.

Já o também alemão Bild destacou o segundo gol, no qual o atacante tocou a bola com o braço duas vezes. "A mentira do gol do Brasil", dizia a manchete, com uma declaração do jogador: "Foi a santa mão de Deus". Por fim, um questionamento: "o Brasil tem necessidade de tais mentiras antiesportivas?".

Para o Frankfurter Allgemeine, o lance fez lembrar Thierry Henry. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, o atacante francês usou a mão na jogada do gol que classificou sua seleção e tirou a Irlanda do Mundial, lance que rendeu muita polêmica na Europa no fim do ano passado.

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Kaká já vinha se desentendendo com Keïta antes mesmo da expulsão

Kaká

O Marca, da Espanha, destacou a boa atuação do camisa 10. Afinal, ele atua pelo Real Madrid e veio de uma temporada decepcionante, na qual ele teve problemas físicos. Por isto, as assistências de Kaká nos gols de Luís Fabiano – o primeiro – e Elano foram exaltadas. "Costa do Marfim acende Kaká", escreveu o jornal, que disse ainda que sua expulsão foi um exagero.

Outro jornal que considerou um exagero o cartão vermelho para o astro brasileiro foi The Sun. Para o veículo inglês, a expulsão aconteceu por causa de "uma vergonhosa atuação de Keïta". O jogador se atirou ao gramado com as mãos no rosto depois de uma suposta agressão, que o Marca chamou de "pseudo cotovelada".

The Sun deu ainda espaço às críticas que Dunga fez à arbitragem. O técnico brasileiro reclamou da violência dos marfinenses e da conivência de Lannoy, além de falar com ironia do lance da expulsão de Kaká. "Parece que com quem faz a falta não acontece nada, mas quem sofre a falta é expulso. Eu tenho que parabenizar o Keïta por isto", disse o treinador brasileiro.

Autor: Tadeu Meniconi

Revisão: Roselaine Wandscheer

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