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Mundo

Imprensa européia comenta Jornada da Juventude

Apesar de algumas vozes críticas, os jornalistas da Europa avaliaram com boa vontade a JMJ. Em foco, o caráter de evento pop, conseqüências para a Igreja Católica e o papel das finanças para participantes e interessados.

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Visita do papa mobilizou um milhão de fiéis

Ao comentar o evento religioso que reuniu em Colônia um milhão de jovens católicos de grande parte do mundo, o tom da imprensa da Europa foi tendencialmente positivo.

Numa alusão ao herói mítico germânico, que chega num barco puxado por um cisne, e ao qual Richard Wagner dedicou uma de suas óperas, o jornal italiano La Repubblica descreveu a visita do papa Bento 16 sob o título Lohengrin na cidade do Carnaval: "O Reno parecia o Ganges, com centenas de milhares de jovens acotovelando-se nas margens e outros milhares com água até a cintura, para poderem saudar o papa".

A analista Carola Hossfeld, da Deutsche Welle, admirou o "entusiasmo dos jovens por uma velha Igreja, cuja doutrina não aceitam sem crítica. E o entusiasmo pelo novo papa que, aos 78 anos, é duas ou três gerações mais velho do que eles. O encontro-monstro dos católicos foi uma festa familiar alegre, com toques bombásticos, um evento religioso encenado com perfeição".

Talvez reportando-se a comentários como o do jornal Die Welt, que comparara a JMJ ao festival de rock Woodstock, nos anos 70, Felix Steiner, também da Deutsche Welle, respondeu com um "não" à pergunta "Será a Jornada da Juventude apenas mais um evento, e o papa nada mais do que um astro pop religioso?"

"Eles vieram a Colônia justamente porque, em muitos lugares, crença e confissão religiosa não são mais 'in' entre os jovens. Para sentir a abrangente solidariedade entre correligionários. [...] Festejar com alegria, sem violência, pancadarias de massa, álcool ou excessos de drogas. Isso é um dos aspectos que distingue a Jornada Mundial da Juventude de outros 'eventos', seja o Carnaval de Colônia, concertos pop ou torneios de futebol", analisou Steiner.

Virada religiosa para a Alemanha?

Sob o título Anseio pelo dogma, o jornal coloniano Kölner Stadt-Anzeiger especulou otimista: "Pelo menos para os alemães, a JMJ poderá marcar uma guinada na consciência pública. Nota-se aqui o que em outras regiões da Terra há muito é óbvio: a religião cristã não é somente coisa para velhos e doentes. Também os jovens admitem sem constrangimento que crêem em Deus. E não se envergonham disso".

"[...] Na Alemanha, a Igreja Católica – pelo menos para a opinião pública – é valorizada sobretudo quando se mostra 'crítica'. Por trás dessa palavra esconde-se a noção de que também a Igreja tem de seguir as regras da racionalidade, do raciocínio e da discussão. [...] Como se só existisse uma única forma de compreender a realidade e de lidar com ela. Como se fé, sentimento, intuição não constituíssem uma possibilidade de entender e dar forma à vida."

"[...] Numa época em que os políticos orientam seus princípios básicos pelas pesquisas de opinião de cada semana, cresce o carisma de um papa, [...] que toma seu lugar na tradição de uma Igreja de dois mil anos. Essa é a atratividade do dogma. E da cátedra papal: a juventude se entusiasma com o tímido Bento 16 quase tanto quanto com o seu carismático antecessor."

O principal jornal de Colônia concluiu: "A religião cristã, em nome da qual se realizaram tantas cruzadas e guerras sangrentas, tornou-se hoje uma franca defensora da idéia da paz. De seu interior não sairá nenhum terrorista suicida".

Perigos do culto

Diante de tamanha admiração, o tom do Westfälischer Anzeiger soa sóbrio: "Pode-se formular restrições sem fim quanto ao sentido, razão de ser e sucesso da JMJ. Contudo, seria injusto ridicularizar a peregrinação como 'jornada mundial do júbilo', tendo o papa como animador-mor. Pois, para além das câmaras, a ênfase não esteve no show, mas sim no encontro. [...] Isso não é pouco, nestes dias de terrorismo generalizado e desbragamento moral, mesmo se agora a paz no mundo não se tornou mais próxima, e os bancos das igrejas não ficarem muito mais cheios. Os peregrinos fizeram um início. Agora, cabe à Igreja aproveitar o impulso".

Segundo o Stuttgarter Zeitung, "teria sido melhor se Bento 16 se referisse diretamente aos perigos do culto à personalidade. Ele dispõe dos meios retóricos para frear, sem frustrar os jovens em suas emoções. Isso ficou provado pela atenção concentrada de um milhão de ouvintes durante seu sermão dominical. O papa deveria ter lembrado que, embora seja o líder da Igreja Católica, pastor e figura dominante, ele é tudo isso apenas como representante".

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