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Brasil

Imprensa européia analisa intenções de Bush na América Latina

Visita do presidente norte-americano, George Bush, a cinco países latino-americanos é avaliada pela imprensa européia como tentativa de reverter relações de poder no continente. Lula teria um papel de destaque nisso.

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Manifestações anti-Bush em São Paulo

"Bush descobre a América Latina", "Turnê contra a fama arruinada", "Bush quer reverter antiamericanismo da esquerda latino-americana", "Fortalecimento de uma relação adormecida com o 'quintal' dos EUA". A imprensa européia avalia como tentativa de recomeço diplomático a viagem de Bush ao Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.

Segundo reconhecem os jornais europeus, deter o antiamericanismo latino-americano e a crescente influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na região é a principal meta política de Washington numa região esquecida desde o 11 de Setembro e do conseqüente desvio da atenção norte-americana para o mundo islâmico.

Lula é visto como o parceiro oportuno de Bush na formação de um outro pólo de poder na América Latina. Mas a opinião pública européia duvida de que o Brasil possa tirar vantagens econômicas disso – por exemplo, com a abertura do mercado norte-americano para o etanol brasileiro.

Leia algumas opiniões divulgadas pela imprensa européia sobre a tentativa de Bush restabelecer relações com um continente negligenciado pela política externa de Washinton.

O que Bush quer é brecar Hugo Chávez. E o ex-sindicalista Lula lhe parece especialmente apropriado para isso. Graças à força e à economia de seu país, o brasileiro é o líder natural da região, já tendo de vez em quando se mostrado enervado com o alto-falante venezuelano. Até já se descobriu um negócio em comum: a energia alternativa. O Brasil é, antes dos EUA, o mais importante produtor de etanol e biodiesel; os veículos do país são movidos em grande parte com esses combustíveis. (...) Ambos querem fechar um acordo de aproveitamento comum; Bush até cogita uma espécie de bioaliança, como modelo alternativo à Opec. Isso deverá minimizar a dependência do petróleo árabe e também de Chávez, que – apesar de toda a guerra verbal – continua sendo o principal fornecedor de combustível dos EUA. Quem está menos convencido disso tudo é o partido de Lula.

( Süddeutsche Zeitung, Alemanha)

Washington está preocupado com o forte clima antiamericanista e com a crescente influência do presidente esquerdista venezuelano, Hugo Chávez. Melhorar as relações com os vizinhos do sul é uma das poucas metas de política externa que a Casa Branca considera realizável até o fim deste mandato.

( Frankfurter Rundschau, Alemanha)

O presidente Lula quer levar Bush a abrir o mercado norte-americano para o etanol brasileiro e a suspender a taxa alfandegária ou pelo menos a reduzi-la para 54 cents por galão. É bastante improvável que o americano se deixe convencer disso. Afinal, 2008 é ano de eleições nos EUA e uma concorrência barata para a indústria de etanol das regiões norte-americanas produtoras de milho é politicamente impensável. Por outro lado, não se sabe se os brasileiros teriam etanol suficiente para fornecer, caso os EUA realmente viessem a importar em grande estilo.

( Frankfurter Rundschau, Alemanha)

De modo geral, as expectativas pela visita de Bush são moderadas na América Latina. Apesar de haver consciência da importância econômica dos Estados Unidos, (...) o presidente americano terá que se confrontar com um grande ressentimento nestes dias de visita à região. Sobretudo sua política no Iraque é alvo de críticas. Muitos movimentos esquerdistas estilizam o representante da maior economia do mundo como seu adversário ideológico.

( Neue Zürcher Zeitung, Suíça)

Após 2006, um ano repleto de eleições na América Latina, Washington pretende tornar 2007 um ano de contatos. Diante de sociedades cujo principal problema é a distribuição da riqueza, o discurso americano pretende focalizar a partir de agora o desenvolvimento.

( Le Monde, França)

Embora as procedências ideológicas sejam muito diferentes, Bush sempre admirou Lula e não faria objeção se o presidente brasileiro passasse a desempenhar o papel de protagonista, usurpado hoje por Chávez. Isso também não desagradaria Lula.

O encontro de ambos, portanto, é um encontro de dois personagens unidos pelas circunstâncias. Lula chama tanto Bush quanto Chávez de amigos e nunca quis romper suas boas relações formais com o venezuelano. Bush, com uma política pragmática na América Latina, também não está coagindo Lula a nenhuma direção específica, no que diz respeito à Venezuela. Mas tanto Lula como Bush estão cientes de que só eles podem deter o expansionismo ideológico do novo Fidel Castro.

( El País, Espanha)

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